Espaço EducativoBrinquedoteca Hortência de Hollanda: O lúdico na mediação do tratamento da AIDS Pediátrica

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Luiza Helena Vinholes Siqueira Novaes
Lucia Maria Horta de Figueiredo Goulart

Resumo

Este trabalho descreve o processo de implantação de uma brinquedoteca em um centro de referência para tratamento de crianças portadoras do HIV, em Belo Horizonte, MG, Brasil, e o significado atribuído a este espaço pelos usuários e equipe que atende crianças e adolescentes soropositivos para Aids. Esta apresentado na forma de artigos científicos. Em um primeiro momento foi realizada uma investigação sobre a relação existente entre as famílias e oambiente médico através de observações participantes e entrevistas semi-estruturadas com as crianças e seus responsáveis. Este estudo está descrito no primeiro artigo da dissertação e revela que uma parcelasignificativa dos familiares entrevistados (n=28), toma consciência de que são portadores do HIV através do adoecimento das crianças (50,0 %), pela morte de um dos cônjuges (21,4%) e pela doença dos pais dosentrevistados (28,6%), o que permite concluir que o diagnóstico e a prevenção têm acontecido tardiamente e de uma maneira ineficaz. Da amostra de crianças entrevistadas (n=32), 87,5% não tinham conhecimento do diagnóstico, 18 (56,3%) não freqüentavam escola e das crianças escolarizadas (14-43,8%), metade das escolas (7-50,0%) não tinham conhecimento do diagnóstico da criança. A maioria, 27 (84,4%), já sofreu uma ou mais internações, e apenas 5 (15,6%) nunca foram hospitalizados. Uma análise inicial das representações gráficas e atividades gerais na brinquetodeca indica o seu potencial enquanto ambiente promissor para intervenção terapêutica, promoção do diálogo e de auto-ajuda, bem como um estímulo à adesão ao tratamento.O segundo artigo descreve o significado atribuído à brinquedoteca por usuários e equipe que a frequentam. Nesse estudo, elegeu-se como estratégia metodológica a pesquisa qualitativa através da observaçãoparticipante e entrevistas semi-estruturadas.A amostra constituiu-se de 57 sujeitos e os dados foram trabalhados na perspectiva da análise de conteúdo, através das seguintes categorias temáticas: - a Brinquedoteca como espaço terapêutico; espaço de acolhimento; de troca de experiências; favorecedor da adesão, de empowerment (emponderamento) dos pacientes e de formação de recursos humanos.Segundo os entrevistados, no espaço lúdico, os sujeitos podem elaborar suas vivências, contribuindo para o tratamento e favorecendo a adesão. O brincar também trouxe uma grande contribuição na humanização do ambulatório. Para as crianças trouxe motivação para vir ao ambulatório, o qual se transformou em um lugar onde a doença era o principal foco e a espera era longa e tediosa, para um espaço de recreação e trocas com os pares. Possibilitou aos familiares trocas de experiências, compartilhamento de vivências e reflexão sobrea condição da soropositividade. Ressalta-se a alternativa de monitoria por parte de adolescentes soropositivos, caracterizando a brinquedoteca como espaço de (re) significação do tratamento e melhoria na auto-estima.

Abstract

Assunto

Síndrome de imunodeficiência adquirida/terapia, Recreação, Educação em saúde, Jogos e brinquedos, Criança

Palavras-chave

Aids pediátrica, Educação em saúde, Brinquedoteca, Lúdico

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