Aprimoramento em enfermagem obstétrica: perfil dos participantes e fatores associados ao modelo de formação Belo Horizonte, 2016

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Resumo

A assistência de qualidade prestada às mulheres e bebês durante o processo de parto e nascimento consiste em um dos principais desafios para a melhoria dos indicadores de saúde materna e perinatal. Contudo a razão de morbi-mortalidade ainda é alta nessa população, ainda que a maioria destes agravos e óbitos poderiam ser evitados, particularmente quando a assistência prestada é de qualidade. O modelo de atenção obstétrica vigente mostra-se incapaz de reduzir estes índices e ainda não consegue melhorar a satisfação das mulheres com relação ao seu parto. Visando garantir melhorias e reais avanços, o Ministério da Saúde lançou em 2011 a Rede Cegonha, uma estratégia que dentre outros objetivos visa modificar o modelo assistencial hegemônico, hospitalocêntrico e centrado na figura do médico. Para tanto, o Ministério da Saúde têm investido na formação em enfermagem obstétrica, por meio de cursos de residência e especialização, como também na sua capacitação, com cursos de aprimoramento, com a finalidade de promover a inserção de enfermeiras (os) obstétricas (os) na atenção ao parto e nascimento. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal, conduzido com 129 participantes do Curso de Aprimoramento para Enfermeiras (os) obstétricas (os) dos anos de 2014 a 2016. Para a coleta de dados foi utilizado um instrumento semiestruturado e um formulário eletrônico. As variáveis incluídas neste estudo referem-se às características sociodemográficas, econômica e de trabalho dos participantes: sexo, idade, cor da pele, escolaridade, situação conjugal, remuneração média mensal, área de residência e de atuação por regiões brasileiras, IES de especialização em enfermagem obstétrica, recebimento de bolsa de estudos para a realização do curso de especialização, atuação na área obstétrica, formação profissional complementar, participação de congressos e eventos na área da obstetrícia ou neonatal, vínculo profissional, natureza do trabalho, área de atuação predominante, realização de parto e de consulta pré-natal e entidades de classe da profissão a que pertence. Os dados foram processados e analisados com auxílio do programa Statistical Software (Stata), versão 14.0 e apresentados através de tabelas e gráficos. Para comparar as proporções e verificar as associações foi utilizado o teste exato de Fisher. O nível de significância de 0,05 foi adotado nos procedimentos analíticos. Resultados: Foram analisados 129 formulários dos participantes, destes 89,15% são mulheres, a média de idade foi de 35 anos, de cor branca em 57% dos casos e parda em 47%. Quanto ao estado civil 57% são casados e 49% solteiros. Quanto às regiões do país houve predomínio da região nordeste 45%. Quanto à formação em enfermagem obstétrica 59% obteve titulo em instituição privada e 41% em instituições públicas. Destes apenas 21% receberam bolsa de auxilio a formação e 38% dos participantes possuem outra especialidade além da obstetrícia. Quanto à atuação profissional 47% possuem dois vínculos empregatícios e 82% atua em serviços públicos, sendo que 93,6% atuam na assistência hospitalar e destes 74,19% realizam assistência ao parto. Conclusões: O estudo mostra a importância de conhecer o perfil das enfermeiras (os) obstétricas (os) levando em consideração suas especificidades e regiões de atuação e com que isto fortalecer a categoria, podendo contribuir para melhora dos processos de formação e especialização e ainda auxiliando a fomentar novos incentivos por parte do Ministério da Saúde para inserção destes profissionais buscando a mudança de modelo assistencial em vistas de melhorar o cuidado prestado a mulher, bebê e família em todo ciclo gravídico-puerperal.

Abstract

Assunto

Enfermeiras Obstétricas, Educação Continuada, Assistência Perinatal, Parto, Assistência Hospitalar

Palavras-chave

Enfermeiras obstétricas, Educação continuada, Assistência perinatal, Parto

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