A marcação da quebra de expectativa no português brasileiro e no português moçambicano: protagonismo de mas e só que
| dc.creator | Luiza Francisca Ferreira da Silva | |
| dc.date.accessioned | 2026-03-05T15:05:33Z | |
| dc.date.issued | 2025-12-11 | |
| dc.description.abstract | In this work, we analyze, from a sociolinguistic perspective, the phenomenon of the breach of expectation in two varieties of the Portuguese language, namely Brazilian Portuguese (BP) and Mozambican Portuguese (MP). The breach of expectation, also called adversativity in the grammatical tradition, refers to coordinated structures capable of canceling a previously established presupposition, breaking what is expected or considered socially habitual and/or predicted (Neves, 2000). This occurs, for example, in “o vizinho fechou a casa, mas os ladrões roubaram a TV” (Perini, 2016, p. 246), in which the second clause, reporting the theft, breaks the expectation of supposed security conveyed in the first clause, since, even though the house was locked, it was still robbed. In our study, we address this phenomenon within the variationist framework. According to Labov (1978), a variable linguistic phenomenon occurs when two or more variants share the same referential or representational value, as seen, for example, with the adversative conjunction mas, present in the previous example, and the adversative conjunctive phrase só que, both of which mark a breach of expectation, as in “o vizinho fechou a casa, só que os ladrões roubaram a TV”. We seek to determine which variants are most commonly used to express the breach of expectation in both varieties and the influence of internal and external factors on this variation. We used speech samples from the C-Oral Brasil I corpus (Raso; Mello, 2012) for the Brazilian variety and the Corporaport corpus (Vieira; Pissurno, 2016) for the Mozambican variety. As external factors, we stratified the samples according to speakers age group, gender, and educational level, as established by extensive sociolinguistic studies. As internal factors, we analyzed the position of the expectation-breaking marker within the compound coordinated clause and whether or not it was preceded by other adversative markers. The occurrences were processed using the statistical program GoldVarb 3.0 in order to obtain a quantitative analysis of the data, which also allowed us to establish a qualitative interpretation of the results. The main results show very similar behavior for the breach of expectation in both varieties, with a predominance of conjunctions and adversative conjunctive phrases in intermediate position, connecting the clauses. We also highlight the predominance of the markers mas and só que in both BP and MP. Finally, we note a greater use of the innovative variant só que among women, speakers aged 26 to 40, and those with a university education, which may indicate the beginning of a linguistic change. | |
| dc.identifier.uri | https://hdl.handle.net/1843/1983 | |
| dc.language | por | |
| dc.publisher | Universidade Federal de Minas Gerais | |
| dc.rights | Acesso aberto | |
| dc.subject | Sociolinguística | |
| dc.subject | Língua portuguesa – Português falado – Brasil | |
| dc.subject | Língua portuguesa – Português falado – Moçambique | |
| dc.subject | Língua portuguesa – Conjunções | |
| dc.subject.other | Sociolinguística | |
| dc.subject.other | Variação linguística | |
| dc.subject.other | Quebra de expectativa. | |
| dc.title | A marcação da quebra de expectativa no português brasileiro e no português moçambicano: protagonismo de mas e só que | |
| dc.type | Tese de doutorado | |
| local.contributor.advisor1 | Eduardo Tadeu Roque Amaral | |
| local.contributor.advisor1ID | https://orcid.org/0000-0001-9416-3676 | |
| local.contributor.advisor1Lattes | http://lattes.cnpq.br/1729968377186756 | |
| local.contributor.referee1 | David Alberto Seth Langa | |
| local.contributor.referee1 | Alexandre António Timbane | |
| local.contributor.referee1 | Juliana Bertucci Barbosa | |
| local.creator.Lattes | https://lattes.cnpq.br/8482376106531059 | |
| local.description.resumo | Neste trabalho, analisamos, dentro de uma perspectiva sociolinguística, o fenômeno da quebra de expectativa em duas variedades da língua portuguesa, quais sejam: o português brasileiro (PB) e o português moçambicano (PM). A quebra de expectativa, também chamada de adversatividade na tradição gramatical, refere-se às estruturas coordenadas capazes de cancelar uma pressuposição anteriormente estabelecida, rompendo o que é esperado ou tido como socialmente habitual e/ou previsto (Neves, 2000). É o que ocorre, por exemplo, em “o vizinho fechou a casa, mas os ladrões roubaram a TV” (Perini, 2016, p. 246), em que a segunda oração, que informa sobre o roubo, quebra a expectativa de uma suposta segurança informada na primeira oração, posto que, mesmo fechada, a casa tenha sido roubada. Em nosso estudo, abordamos esse fenômeno dentro do panorama variacionista. Segundo Labov (1978), o fenômeno linguístico variável ocorre quando duas ou mais variantes possuem um mesmo valor referencial/representacional, o que se nota, por exemplo, com a conjunção adversativa mas, presente no exemplo anterior, e a locução conjuntiva adversativa só que, ambas marcadoras da quebra de expectativa, vista, por exemplo, em “o vizinho fechou a casa, só que os ladrões roubaram a TV”. Buscamos verificar quais são as variantes mais utilizadas para expressar a quebra de expectativa nas duas variedades e a influência de fatores internos e externos na variação em questão. Utilizamos amostras de fala dos corpora C-Oral Brasil I (Raso; Mello, 2012), para a variedade brasileira, e Corporaport (Vieira; Pissurno, 2016), para a moçambicana. Como fatores externos à língua, estratificamos tais amostras conforme a faixa etária, o sexo e a escolaridade dos falantes, consoante preveem vastos estudos sociolinguísticos. Como fatores internos, analisamos a posição do marcador de quebra de expectativa dentro do período composto por coordenação e a precedência ou não de outros marcadores adversativos. As ocorrências foram submetidas ao programa estatístico Goldvard 3.0, a fim de obtermos uma análise quantitativa dos dados, o que não nos impediu de estabelecermos também uma análise qualitativa dos números apresentados. Como principais resultados encontrados, observamos um comportamento bastante semelhante para a quebra de expectativa nas duas variedades, com predomínio, por exemplo, das conjunções e locuções conjuntivas adversativas em posição intermediária, conectando as orações. Podemos destacar também o predomínio dos marcadores mas e só que na expressão da quebra de expectativa tanto em PB quanto em PM. Por fim, caberia expor o maior uso da variante inovadora, só que, pelas mulheres; pela faixa etária mediana, dos falantes de 26 a 40 anos; e pelo grupo mais escolarizado, dos falantes de nível universitário, o que poderia indicar um princípio de mudança linguística. | |
| local.identifier.orcid | https://orcid.org/my-orcid?orcid=0000-0003-3084-0361 | |
| local.publisher.country | Brasil | |
| local.publisher.initials | UFMG | |
| local.publisher.program | Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos | |
| local.subject.cnpq | LINGUISTICA, LETRAS E ARTES |