A condição periférica: uma crítica da economia política do espaço em paralaxe
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Rita de Cássia Lucena Velloso
Felipe Nunes Coelho Magalhães
Sérgio Manuel Merêncio Martins
Gabriel Tupinambá
Rainer Randolph
Felipe Nunes Coelho Magalhães
Sérgio Manuel Merêncio Martins
Gabriel Tupinambá
Rainer Randolph
Resumo
Esta tese é uma reflexão sobre o atual momento de reprodução do capital que parece
engendrar uma condição específica, uma espécie de novo tempo do mundo, em que o
front de defesa para sobrevivência do capitalismo não se restringe apenas à fábrica, mas,
ao contrário, explode e implode, alcançando o espaço inteiro. Este momento gera, a meu
ver, uma forma específica de (i) produção do espaço, marcada pela precariedade; (ii) de
reprodução da vida cotidiana, talhada por uma vida danificada no mundo administrado;
(iii) da realização da dominação social que, hoje, alcança todas as esferas da vida. Diante
dessa confluência historicamente determinada, sugiro chamar de condição periférica o
predicamento que parece sobredeterminar a perpetuação do capital no mundo hoje. O
esforço desta tese reside em contribuir para o entendimento crítico da realidade
contemporânea, em especial, no momento em que se torna mais ou menos difundido um
diagnóstico de falência da crítica. Desta forma, algumas das categorias da crítica da
economia política desenvolvidas por Karl Marx são revisitadas para tentar aproximar o
conceito do que lhe escapa pelo movimento da própria história. Argumentarei no sentido
de expor uma astúcia do capital que cria, em seu movimento automatizado, uma forma
de dominação inédita. Reconfigurar essas categorias me levou a refletir, portanto, sobre
as condições de possibilidade para um movimento perpétuo do capital, revisitando a
teoria das crises de modo a aventar a ideia de uma crise infinita. Diante disso, busco
destacar qual a relevância da condição periférica para uma interpretação do tempo
presente, passando por uma crítica da filosofia da história e uma crítica da práxis
emancipatória para indicar que “não há saída fácil”: as formas de mediação que se
esgarçaram até aqui estão em dissolução sem que nada se apresente em seu lugar, numa
dialética transtornada, exceto, é claro, a regressão social, a precariedade e a violência,
fatos que sempre já estiveram nas periferias, mas agora aparecem com o tom fúnebre que
se estende para todo o mundo.
Abstract
This thesis is a reflection on the present moment of reproduction of capital that seems to
engender a specific moment, a sort of new time of the world, in which the front of defense
for the survival of capitalism is not restricted only to the factory, but rather, explodes and
implodes, reaching the entire space. This moment generates, in my view, a specific form
of (i) production of space, marked by precariousness; (ii) reproduction of daily life, carved
by a damaged life in the administered world; (iii) creating the social domination that today
reaches all spheres of life today. Faced with this confluence historically determined I
suggest to call peripheral condition the predicament that seems to overdeterminate the
perpetuation of capital in the world today. The purpose of this thesis is to contribute to
the critical understanding of contemporary reality, especially when a diagnosis of
bankruptcy of criticism becomes more or less widespread. In this way, some of the
categories of the critique of political economy developed by Karl Marx are revisited to
try to approximate the concept of what escapes him by the movement of history itself. I
will argue in the sense of exposing a cunning of capital that is created, in its automated
movement, a form of unprecedented domination. Reconfiguring these categories led me
to reflect, therefore, on the conditions of possibility for a perpetual movement of capital,
revisiting crisis theory in order to stir up the idea of an infinite crisis. For that reason, I
seek to highlight the relevance of the peripheral condition for an interpretation of the
present time, going through a critique of the philosophy of history and a critique of the
emancipatory praxis to indicate that "there is no easy way out": the forms of mediation
that have been torn to this point are in dissolution without anything appearing in its place,
in a disordered dialectic, except, of course, for social regression, precariousness and
violence, facts that have always been in the peripheries, but now appear as a funeral tone
that extends worldwide.
Assunto
Geografia urbana, Planejamento urbano, Periferias urbanas
Palavras-chave
Crítica da economia política, Produção do espaço, Periferias