Programa de humanização de um hospital público, geral, universitário de Belo Horizonte, Minas Gerais: a percepção dos trabalhadores da equipe de enfermagem da unidade pronto-socorro
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Tarcísio Márcio Magalhães Pinheiro
Andréa Maria Silveira
Elza Machado de Melo
Leonor Gonçalves
Andréa Maria Silveira
Elza Machado de Melo
Leonor Gonçalves
Resumo
Objetivo: Analisar o Programa de Humanização de um hospital-geral, público,
universitário do município de Belo Horizonte, Hospital das Clínicas da Universidade
Federal de Minas Gerais, a partir da percepção dos trabalhadores da equipe de
Enfermagem da Unidade Pronto-Socorro. Metodologia: Trata-se de um estudo
qualitativo, descritivo e exploratório. Fez-se a coleta de dados por meio de entrevista
semiestruturada, composta por duas partes: a primeira, com questões autoaplicáveis
para a caracterização do perfil dos entrevistados; a segunda, composta por questões
discursivas referentes à humanização (definição/
conceito,informações/conhecimentos sobre o Programa de Humanização/Política
Nacional de Humanização), à assistência humanizada e ao trabalho humanizado. Os
participantes foram selecionados aleatoriamente, após estratificação conforme o
cargo/função (enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem) e tipos de vínculos
de trabalho, respeitando-se os critérios de inclusão e saturação. Foram realizadas
23 entrevistas, adotando-se o referencial de análise qualitativa das questões
discursivas, apoiada nos princípios, diretrizes e métodos da Política Nacional de
Humanização (PNH), estruturada a partir do referencial de análise temática de
conteúdo, proposta por Bardin (2007). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética
em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais, conforme o parecer número
510.093, de 14-01-2014. Resultados: A maioria dos entrevistados é do sexo
feminino, tem entre 36-45 anos de idade, é casada, reside em Belo Horizonte e
Grande BH e concluiu o ensino médio. Quanto ao cargo-função no Pronto-Socorro,
três são enfermeiros, quinze técnicos e cinco auxiliares de enfermagem. A maioria
(44%) tem de 10-20 anos de trabalho no hospital; 65% são estatutários; 52%
trabalham durante o dia e 31% trabalham em outro serviço. Os trabalhadores
demonstraram ter entendimentos e definições de humanização, relacionando a
palavra, imediatamente, à assistência na saúde. Atribuem à assistência humanizada
o significado de atendimento com qualidade, da oferta de cuidados conforme as
necessidades dos usuários que procuram o serviço, sendo este um direito de todos.
O significado de trabalho humanizado foi, enfaticamente, associado às condições
concretas para a produção do trabalho/cuidados na saúde. Apontaram vários
aspectos que evidenciam que ainda existem deficiências e lacunas, incoerentes com
as propostas do Programa de Humanização/Humaniza SUS. Percebem que a
deficiência ou falta de atendimento às necessidades dos trabalhadores e de
melhorias nas suas condições de trabalho, causam impacto negativo tanto na
assistência quanto na qualidade de vida/trabalho dos profissionais. Dentre as
sugestões de melhoria e resolução para os problemas encontrados destacam-se:
mais investimento financeiro no Programa de Humanização/Humaniza SUS, apoio e
aderência dos gestores, melhoria na comunicação e relações interpessoais,
promoção à saúde dos trabalhadores, ouvidoria para os trabalhadores, investimento
na qualificação, incorporação dos funcionários nas discussões e tomada de decisões e uma gestão mais participativa. Concluiu-se, então, baseado nos depoimentos e
estudo realizado, que não é possível promover a transformação na produção da
saúde sem considerar os diferentes sujeitos implicados e sem o compromisso e
participação de todos os atores envolvidos – usuários, trabalhadores e gestores.
Para que a humanização se torne uma realidade, contundente, entendida e (re)
conhecida por toda a comunidade não se pode privilegiar alguns setores e
trabalhadores de áreas específicas, nem haver conflitos de interesses.
Abstract
Objective: To analyze the Humanization Program of a public universitary hospital general in the city of Belo Horizonte, Minas Gerais, from the perception of the
Emergency Department Nursing Staff. Methodology: This is a qualitative,
descriptive and exploratory study. Data collection was carried out through semi structured interviews, consisting of two parts: the first, with self-applied questions to
characterize the respondents´ profile; the second, consisting of discursive questions
related to the humanization (definition/concept, information/knowledge about the
Humanization Program / National Humanization Policy), humanized assistance and
humanized work. The participants were randomly selected, after stratification
according the title/position (nurses, technicians and nursing assistants) and types of
work contracts, respecting the inclusion and saturation criteria. 23 interviews were
carried out, adopting the discursive questions qualitative analysis reference,
supported by the Política Nacional de Humanização (PNH)/ National Humanization
Policy (NHP) principles, directions and methods, structured from the framework of
content thematic analysis proposed by Bardin (2007). The study was approved by
the Minas Gerais Federal University Ethics Committee in Research (Comitê de Ética
em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais), according the advice
number 510.093, of 14-01-2014. Results: Most respondents were female, between
36-45 years old, married, live in Belo Horizonte and Greater BH and have finished
high school. Regarding title-position in the Emergency Department, three are nurses;
fifteen are technicians and five nursing assistants. The majority (44%) has worked in
hospitals for 10-20 years; 65% are government workers; 52% work during the day
and 31% work in another department. Those workers participant in the study showed
understanding and definitions regarding humanization, immediately relating the word
to health assistance. These workers attribute to humanized assistance the meaning
of quality care, the provision of care according to the needs of the users that seek the
service, which is a right of all. The meaning of humanized work was strongly
associated to the specific conditions for the production of health work/care. They
pointed out several aspects that prove that there are still shortcomings and gaps,
inconsistent with the proposals of the Humanization Program/ Humaniza SUS
(Programa de Humanização/Humaniza SUS). They realize that the disability or lack
in meeting the workers needs and improvement in their working conditions have
negative impact both in the absence and in the professionals quality of life/work.
Among the suggestions for improvement and resolution of the problems encountered
the highlights are: more financial investment in the Humanization Program/Humaniza
SUS( Programa de Humanização/Humaniza SUS), managers support and
adherence, improvement in communication and interpersonal relationships, workers´
health promotions, ombudsman for the workers, investments in the qualification,
staff incorporation in the discussions and decision making and a more participatory
management. Thus, the conclusion based on the statements and the studies carried
out was that it is not possible to promote the change in the production of health
without taking into account the different subjects involved and without the
commitment and participation of all the involved players – users, workers and
managers. For the humanization to become a blunt, understood and acknowledged
reality before the whole community it cannot favor some sectors and workers from
specific areas, or admit conflict of interests.
Assunto
Humanização da Assistência, Equipe de Enfermagem, Política de Saúde, Serviços Médicos de Emergência, Sistema Único de Saúde, Pesquisa Qualitativa
Palavras-chave
Humanização da assistência, Equipe de enfermagem, Políticas de saúde, Serviços médicos de emergência, Sistema único de saúde