Impactos secundários da pandemia de covid-19 na incidência da fragilidade, na ingestão de energia e nutrientes, na massa e força muscular e na performance física de pessoas idosas longevas não frágeis: estudo de coorte
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Maria Aparecida Camargos Bicalho
Renata Borba de Amorim Oliveira
Renata Borba de Amorim Oliveira
Resumo
Introdução: A pandemia da covid-19 afetou de maneira desigual as pessoas idosas
sendo as mais orientadas a manterem medidas de distanciamento e confinamento
domiciliar que podem interferir de maneira negativa na saúde. Diante disso, foram
conduzidos dois estudos de coorte para avaliar os impactos secundários da pandemia
nessa população. Esta dissertação está apresentada em formato de dois artigos.
Objetivos: No primeiro artigo, o objetivo foi avaliar a incidência de fragilidade e a
identificar as associações entre os domínios do Índice de Vulnerabilidade Clínico
Funcional–20 (IVCF-20) e a fragilização. Já no segundo artigo o objetivo foi avaliar o
impacto da pandemia da covid-19 na ingestão de energia e nutrientes e analisar as
alterações na massa muscular, força e performance física.
Metodologia: Estudo de coorte, com pessoas idosas acima de 80 anos, não frágeis
segundo a Escala Visionalógica de Fragilidade, até 12 meses antes do início da
pandemia. No primeiro artigo, este momento foi considerado a linha de base. No
seguimento a avaliação se deu por meio da aplicação remota do IVCF-20. A incidência
de fragilidade considerou a diferença entre estes dois momentos. Já o segundo artigo
incluiu apenas as pessoas que continham uma avaliação presencial em até 12 meses
do início da pandemia. Neste artigo, avaliou-se a ingestão calórica e de nutrientes,
massa e força muscular, e performance física.
Resultados: No primeiro artigo, a incidência de fragilidade de 20,6%. As pessoas
idosas longevas que fragilizaram apresentaram maior dependência em: deixar de fazer
compras (p<0,001) e de controlar o próprio dinheiro (p<0,001) e deixar de fazer
trabalhos domésticos (0,010), assim como em deixar de tomar banho sozinho
(p=0,041). A piora da cognição foi mais presente nas pessoas idosas que fragilizaram.
A presença de desânimo/tristeza/desesperança foi elevada (92,3%) e teve associação
com a fragilização (p<0,001). Na análise multivariada, a fragilização esteve associada
com piora do esquecimento (RR=2,39; IC95% 1,27-4,46), perda de interesse e prazer
na realização de atividades (RR=4,94; IC95% 1,98-12,35) e incontinência esfincteriana
(RR=2,40; IC95% 2,91-1,53). Já no segundo artigo encontrou-se durante a pandemia
melhora da ingestão de proteína de 52,6g para 63,9g (p=0,013) e dos micronutrientes:
vitamina C 35,4 mg para 76,1mg (p=0,027),vitamina B12 de 2,2mg para 3,1 mg
(p=0,045),cálcio de 435,1mg para 631,5mg (p<0,001),magnésio de 186,5mg para
198,9mg (p=0,043),zinco de 5,8 mg para 7,6 mg (p=0,009),ferro de 6,9mg para 7,2 mg
(p=0,035) e potássio de 1941,6mg para 2115,5 mg (p=0,048).Não houve diferença na
massa, força e performance física.
Conclusão: A incidência de fragilização entre as pessoas idosas longevas durante a
pandemia foi alta o que reforça a necessidade de avaliação das mesmas de maneira
integral. No entanto, as pessoas idosas demostraram melhora da qualidade da dieta
consumida e manutenção dos parâmetros físicos mesmo com todas as adversidades
provocadas no período da pandemia.
Abstract
Assunto
Idoso, Longevidade, COVID-19, Fragilidade, Ingestão de Alimentos, Telemedicina, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
idoso, longevidade, covid-19, fragilidade, ingestão de nutrientes, telemedicina