Pesca e aquicultura – a busca pela inovação
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Resumo
As estatísticas globais referentes à
produção (captura e aquicultura) de
pescado para todos os fins (comerciais,
industriais, recreativos e de subsistência) são muito frágeis quando confrontadas entre si e, dentre as fontes confiáveis e disponíveis, destacam-se os
dados fornecidos pelo Departamento
de Pesca e Aquicultura da Organização
das Nações Unidas para a Alimentação
e a Agricultura (FAO).
Esses dados (FAO, 2017) indicam
que a produção global de pescado em
2015 foi de 163 milhões de toneladas,
dos quais 105,7 milhões de toneladas
eram originadas de águas marinhas,
e 57,7 milhões de toneladas de águas
interiores. Em relação à produção em
águas marinhas, a China continua a
ser o principal país produtor, segui-
4. Pesca e aquicultura – a busca pela inovação 65
O Brasil está entre os 15 maiores
produtores de crustáceos do
mundo (120 mil toneladas)
e na 31ª posição entre os
países produtores de peixes e
moluscos marinhos (413 mil
toneladas e 32 mil toneladas,
respectivamente).
da pela Indonésia,
pelo Peru, pela
Federação Russa,
pelos Estados
Unidos e pelo Japão.
Em águas interiores,
também a China se
destaca, seguida da
Índia, da Indonésia,
do Vietnã e de
Bangladesh. O Brasil se situa no oitavo
lugar.
O Brasil está entre os 15 maiores
produtores de crustáceos do mundo
(120 mil toneladas) e na 31ª posição
entre os países produtores de peixes e
moluscos marinhos (413 mil toneladas
e 32 mil toneladas, respectivamente).
Também os dados da FAO (2017) para
o Brasil, referentes ao ano de 2015, indicam que o país produziu em 2015 um
total de 437 mil toneladas de pescado
de água doce, sendo um dos três maiores produtores mundiais de tilápia (228
mil toneladas), e um total de 700 mil toneladas de pescado de água doce (captura e aquicultura).
Os dados consolidados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE, 2017) referentes à produção de
pescado de água doce, nos anos de 2015
e 2016, indicam valores pouco maiores,
de 486 e 507 mil toneladas, respectivamente, e uma produção de tilápias de
239 mil toneladas.
Em relação ao comércio internacional de pescado, os resultados consolidados do Ministério
da Agricultura,
Pecuária e
A b a s t e c i m e n t o,
disponibiliza -
dos pela plataforma AGROSTAT
(2017), indicam
que, no ano passado, o Brasil exportou cerca de 41 mil toneladas de pescado, com ganhos de 246 milhões de
dólares. No mesmo período, importou
402,9 mil toneladas, um valor 10 vezes
maior do que exportou e, para isso, foram gastos 1,337 bilhões de dólares, valor esse 20 vezes maior que os obtidos
com a exportação.
A partir desses dados, verifica-se
que a maior parte das importações brasileiras foram de peixes, num total 374,3
mil toneladas que representou 92,9%
do volume total importado. A principal
espécie importada foi a sardinha congelada (93 mil toneladas), ou seja, 20%;
em seguida, estão o salmão-do-atlântico
e salmão-do-danúbio (frescos ou refrigerados), filés de merluzas e abroteas
(peixe da ordem Gadiforme, a mesma
do Gadus morhua ou bacalhau) e filé
de merluza do Alasca, que, juntos, representam outros 70% das importações
brasileiras de peixes.
As preparações e as conservas de
peixes, crustáceos e moluscos, em 2017,
representaram 4,8% do total de pescado
importado (19,2 mil toneladas), sen-
66 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 89 - agosto de 2018
do mais da metade desse total na forma de “outras preparações e conservas
de atum e bonitos-listrados” (10,1 mil
toneladas). Fechando o volume de importações, estão os crustáceos e os moluscos, que representaram 2,3% do total
importado em 2017 (9,3 mil toneladas),
sendo mais de 87% desse total de lulas
congeladas (8,1 mil toneladas).
Esses valores indicam que as demandas brasileiras, para a compra e o
consumo de pescado (peixes, conservas, crustáceos e moluscos), não estão
sendo atendidas pela atual produção nacional, seja porque certas espécies aquáticas ocorrem preferencialmente em
outras regiões do mundo, seja porque a
costa brasileira não apresenta características físicas e geográficas próprias, específicas ou favoráveis a todas as espécies
de pescado.
Em trabalho que trata da gestão do
uso dos recursos pesqueiros marinhos
no Brasil, DIAS NETO (2010) afirma
que “em comparação com outras plataformas tropicais, a plataforma continental brasileira pode ser definida como
relativamente rasa e pouco produtiva”
e indica que, já em 1999, a 139ª Sessão
Ordinária da Comissão Interministerial
para os Recursos do Mar – CIRM concluiu que “não se pode esperar por
elevados incrementos nas produções
pesqueiras anuais oriundas do mar que
banha a costa do Brasil”. O mesmo autor
concluiu em seu trabalho que a situação
dos estoques de pesca brasileiro encontra-se ou sob excesso de exploração ou
se recuperando do excessivo nível de
utilização, existindo áreas já plenamente exploradas ou em algumas regiões até
esgotadas, sendo essas as condições de
mais de 80% dos nossos recursos pesqueiros. Esse quadro é preocupante,
pois compromete o potencial de ampliação da captura de pescado na costa
brasileira, se comparada a de outros países da América do Sul, como o Peru e o
Chile, que possuem menores áreas costeiras, entretanto banhadas por águas
bem mais ricas em nutrientes e consequentemente mais produtivas. VIANA
(2013) afirma que, a despeito da grande
extensão do litoral brasileiro e de sua
zona econômica exclusiva (ZEE), as
águas nacionais apresentam baixa concentração de nutrientes e, consequentemente, uma produtividade reduzida de
pescados.
Essa situação de esgotamento ou
excesso de exploração dos estoques de
pesca, que gera a insegurança na oferta e
interfere no desenvolvimento da indústria de pesca e na ampliação da produção de pescado no país, infelizmente se
alinha com o panorama histórico e institucional das atividades de pesca e aquicultura junto aos setores governamental
e administrativo do Brasil.
Abstract
Assunto
Aquicultura, Psicultura
Palavras-chave
Aquicultura, Peixe
Citação
Curso
Endereço externo
http://https://vet.ufmg.br/ARQUIVOS/FCK/file/cteletronico%2089%20(1).pdf