Estado e revolução: dilemas da transição e as possibilidades para a formação e transformação do ser social

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Em 1917, no clímax da sua vida intelectual e política, Lênin redigiu um clássico da teoria marxista, O Estado e a revolução: a doutrina do marxismo sobre o Estado e as tarefas do proletariado na revolução. A problemática envolvendo a transição ao comunismo e o papel do proletariado na revolução configurou-se em um dos grandes debates apresentados pelo autor. Publicado pela primeira vez em 1918, O Estado e a revolução foi escrito entre agosto e setembro de 1917, em meio às perseguições políticas do governo provisório comandado por Aleksandr Keriénski. A partir de obras clássicas de Karl Marx e Friedrich Engels como A guerra civil na França e A origem da família, da propriedade privada e do Estado, Lênin apresentou para o proletariado russo elementos para a compreensão do funcionamento do Estado e as condições necessárias para superá-lo. Apesar dessa obra ser uma referência para as organizações políticas da esquerda em todo o mundo, as experiências históricas que objetivaram transformar radicalmente as estruturas da sociedade capitalista demonstraram limites, fragilidades, adaptações ao regime vigente e confirmaram a necessidade da discussão sobre a tomada do poder através do Estado. Nesta perspectiva e, considerando a organização dos operários e camponeses em partidos políticos, movimentos sindicais e sociais que, constantemente, levam milhares de trabalhadores às ruas reivindicando melhores condições de vida e as canalizações dessas insatisfações para as eleições parlamentares, questionamos: qual concepção de organização e supressão do poder identificamos no pensamento leniniano em O Estado e a revolução? Quais foram os ensinamentos obtidos com as experiências históricas? Como a transição do capitalismo para o comunismo encontra-se exposta em sua obra, considerando a supressão do Estado burguês e a instauração e definhamento do Estado proletário? O objetivo geral desta pesquisa foi explicitar como Lênin apresenta, em O Estado e a revolução, a sua concepção de organização e supressão do poder, considerando a centralidade da categoria Estado. Por meio da leitura e análise imanente, identificou-se, entre várias interpretações, os motivos que levaram Lênin a dedicar-se aos escritos sobre o Estado em pleno processo revolucionário russo. Para além das intenções da esquerda mundial, procuramos identificar, com rigor, a concepção de Estado presente no arcabouço teórico de Lênin. Por fim, demonstramos que seus escritos apresentam diferenças essenciais entre o projeto de supressão do Estado dos projetos que buscavam uma conciliação entre as classes. Considerando a luta como ato educativo, evidenciamos que a formação e a transformação do ser social se realizam em todos os espaços onde há enfrentamento ao sistema capitalista.

Abstract

In 1917, at the climax of his intellectual and political life, Lenin wrote a classic of the Marxist theory, The State and Revolution: the Marxism doctrine on the State and the proletariat duties during the revolution. The uncertainty involving the transition to communism and the role of the proletariat in the revolution took shape in one of the great debates presented by the author. Published for the first time in 1918, The State and Revolution was written between August and September, 1917 during the political persecution of the interim government led by Aleksandr Keriénski. Based on Karl Marx’s and Friedrich Engels’ classic works such as The Civil War in France and The Origin of the Family, Private Property and the State, Lenin, presented the Russian proletariat with elements for comprehending the functioning of the State and the necessary conditions to overcome it. While this work was a reference for left-wing political organizations worldwide, the historical attempts that aimed to radically transform the structures of the capitalist society showed limits, weaknesses and adaptations to the actual regime and confirmed the need for discussion about seizing power through the State. From this perspective and, considering the workers and peasants in political parties, union and social movements that constantly take thousands of workers to the streets demanding better living conditions and the channeling of that discontent into the parliamentary elections, we ask: what conception of power organization and suppression can we identify in Lenin’s thoughts in The State and Revolution? What were the lessons learnt with past experiences? How is the transition from capitalism to communism presented in his work, considering the suppression of the Bourgeois State and the implementation and decline of the Proletariat State? The overall aim of this study was to explain how Lenin presents, in The State and Revolution, his conception of power organization and suppression, considering the centrality of the State category. Through immanent reading and analysis, it was identified, among several interpretations, the reasons that led Lenin to dedicate himself to write about the State in the middle of the Russian revolutionary process. In addition to the intentions of the world’s left-wing, we seek to identify, accurately, the conception of State present in Lenin’s theoretical framework. Finally, we showed that his writings present essential differences between the project of State suppression and projects that sought conciliation between classes. Considering fight as an educative act, we confirm that the formation and transformation of the social being take place in all spaces where there is confrontation with the capitalism system.

Assunto

Marx, Karl, - 1818-1883 - Crítica e interpretação, Socialismo - Filosofia - Aspectos educacionais, Sociologia educaciona, Revoluções e socialismo, Estado comunista, Educação e Estado - Filosofia

Palavras-chave

Estado, Revolução, Transição, Formação, Emancipação humana

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