Uso de psicofármacos em população adulta coberta pela estratégia de saúde da família.
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Cristiane Aparecida Menezes de Pádua
Erico de Castro e Costa
Erico de Castro e Costa
Resumo
O Brasil é o país com a maior proporção de pessoas com transtornos de ansiedade
no mundo e o quinto em casos de depressão. Conhecer o perfil de utilização dos
medicamentos usados no tratamento de transtornos mentaisentre usuários da
Atenção Primária à Saúde (APS) do Brasil é fundamental para a elaboração de
políticas públicas em saúde mental. Dessa forma, o objetivodesse estudo é
investigar o uso de psicofármacos junto a uma população adulta adstrita à Estratégia
de Saúde da Família, no município de Ribeirão das Neves (MG). Os participantes da
pesquisa foram selecionados com base em uma amostra probabilística sistemática
de pessoas com 20 ou mais anos de idade residentes no município. Foi determinada
a prevalência de uso de psicofármacos (antidepressivos ou benzodiazepínicos),
definida como variável dependente, bem como os fatores associados, por meio de
análises univariadas (qui-quadrado de Pearson) e multivariadas (regressão
logística). Aamostra de estudo (n=1.100) era majoritariamente do sexo feminino
(52,6%), com ensino fundamental incompleto (52,0%), e com renda familiar mensal
entre 1 e 2,9 salários-mínimos (46,3%); identificou-se média de idade de 42,6 anos.
O uso de pelo menos um psicofármaco foi relatado por 8,6% dos entrevistados,
sendo que 2,3% usavam apenas benzodiazepínico, 4,7% usavam apenas
antidepressivo e 1,6% usavam ambos. Após o ajuste múltiplo, permaneceram
independentemente associadas ao uso de psicofármacos o sexo feminino (OR=3,0;
IC95%=1,7-5,3), autoavaliação de saúde ruim/muito ruim (OR=2,6; IC95%=1,4-4,7),
dependência para atividades instrumentais de vida diária (AIVD - OR=1,9;
IC95%=1,0-3,6), dependência para atividades básicas de vida diária(ABVD) e
AIVD(OR=3,4; IC95%=1,7-7,1), número de doenças crônicas (OR=1,3; IC95%=1,1-
1,6) e o termo de interação entre idade e escolaridade. Entre pessoas com menor
escolaridade, quanto maior a idade, menor a probabilidade de uso de
psicofármaco;entre pessoascom maior escolaridade,quanto maior idade, maior a
probabilidade de uso de psicofármaco. A alta prevalência de uso de psicofármacos,
ressalta a demanda, que geralmente é caracterizada pelo subdiagnóstico e
subtratamento de transtornos psiquiátricos. Os múltiplos fatores associados
permitem delinear políticas locais para o acesso adequado a psicofármacos.
Abstract
Brazil is the country with the highest proportion of people with anxiety disorders in the
world and the fifth in cases of depression. Therefore,characterizing the profile of use
of medications used to treat of mental disorders among users of Primary Health Care
(PHC) in Brazil is fundamental for the elaboration of public policies in mental health.
Thus, the objective of this study is to investigate the use of psychotropic drugs
among an adult population assigned to the Family Health Strategy, in the municipality
of Ribeirão das Neves (MG). The research participants were selected based on a
systematic probabilistic sample of people aged 20 or over residing in the municipality.
The prevalence of use of psychotropic drugs (antidepressants or benzodiazepines),
defined as the dependent variable, as well as associated factors, was determined
using univariate (Pearson's chi-square) and multivariate (logistic regression)
analyses. The study sample (n=1,100) was mostly female (52.6%), with incomplete
primary education (52.0%), and with monthly family income between 1 and 2.9
minimum wages (46.3 %); a mean age of 42.6 years was identified. The use of at
least one psychotropic drug was reported by 8.6% of respondents, with 2.3% using
only benzodiazepines, 4.7% using only antidepressants and 1.6% using both. After
the multiple adjustment, female gender (OR=3.0; 95%CI=1.7-5.3), poor/very poor
self-rated health (OR=2.6; 95%CI =1.4-4.7), dependence for instrumental activities of
daily living (IADL - OR=1.9; 95%CI=1.0-3.6), dependence for basic activities of daily
living (BADL) and IADL (OR=3.4; 95%CI=1.7-7.1), number of chronic diseases
(OR=1.3; 95%CI=1.1-1.6) and the interaction term between age and education
remained independently associated with the use of psychotropic drugs. Among
people with less education, the older they were, the less likely they were to use
psychotropic drugs; among people with higher education, the older they were, the
more likely they were to use psychotropic drugs. The high prevalence of psychotropic
drug use highlights the demand, which is generally characterized by underdiagnosis
and undertreatment of psychiatric disorders. The multiple associated factors make it
possible to outline local policies for adequate access to psychotropic drugs.
Assunto
Palavras-chave
Saúde mental, Transtornos mentais, Atenção primária à saúde, Ansiolíticos, Antidepressivos, Psicotrópicos