Granjinhas escolares e a educação como a vida: apropriações do método de projeto na experiência da Fazenda do Rosário (1957-1969)
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
Título alternativo
School granjinhas and education as life: appropriations of the project method in the experience of Fazenda do Rosário (1957-1969)
Primeiro orientador
Membros da banca
Adriana Otoni Silva Antunes Duarte
Maria Isabel Antunes Rocha
Maria de Fátima Pio Cassemiro
Maria Isabel Antunes Rocha
Maria de Fátima Pio Cassemiro
Resumo
As “Granjinhas” Escolares da Fazenda do Rosário, Ibirité, Minas Gerais, foram idealizadas pela
psicóloga e professora Helena Antipoff (1892-1974) e pelo médico e professor de Ciências
Naturais Henrique Marques Lisboa (1876-1967) e desenvolvidas a partir de 1957 como práticas
pedagógicas integradas aos cursos de formação de especialistas em educação rural do Instituto
Superior de Educação Rural – ISER, oferecidos na modalidade internato. Objetivava-se, por
meios científicos, vivenciar o cotidiano das práticas rurais no currículo dos cursos, aonde
realizavam-se estudos envolvendo diferentes saberes desenvolvidos numa propriedade rural,
tais como: estudo do terreno disponibilizado para o plantio de hortas e vegetais, por exemplo.
Por meio da análise e triangulação de fontes sobre o tema, na abordagem do estudo de caso,
buscou-se tecer relações entre a proposta pedagógica das Granjinhas e a metodologia de
projetos, divulgada no Brasil em meados do século XX. A maioria das fontes foram encontradas
no Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff– CDPHA, quais sejam: jornais
institucionais, como o Mensageiro Rural e Pequeno Mensageiro Rural; diários de ex-alunos;
publicações do ISER como o relatório das Granjinha etc., bem como da publicação que explicita
o Método de Projeto de Willian Heard Kilpatrick (1871- 1965) e o livro El Método de Proyectos
en las escuelas rurales de Fernando Sáinz Ruiz (1891-1957). Investigaram-se possíveis
interfaces entre os fundamentos e perspectivas teóricas do Método de Projeto nas práticas
pedagógicas das Granjinhas. Verificou-se que tanto Kilpatrick, Fernando Sáinz, quanto
Marques Lisboa e Antipoff, compartilhavam o desejo de transformar trajetórias humanas por
meio de atividades reais, que estimulassem a autonomia dos aprendizes em suas próprias
realidades. Apoiado nas perspectivas de interesse e esforço que fundamentavam as ideias
funcionalistas de John Dewey (1859-1952), Kilpatrick apresenta o Método de Projeto em 1918
como uma proposta de materialização prática dessas ideias, afim de tornar a aprendizagem ativa
e interessada. Ao conceber a atividade intencional em uma situação social, a unidade desta
atividade, em ato interessado com um propósito, Kilpatrick opõe-se à artificialidade da escola
tradicional e aproxima-a da realidade, numa perspectiva de educação ativa. Para Kilpatrick, um
projeto teria uma finalidade real, que aconselharia os procedimentos de ensino e ofereceria
motivações reais de aprendizagem. Seria um plano de trabalho que posicionaria o aluno,
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voluntariamente, em micro realidades, a partir de proposições e problemas vivenciados. Os
dados demonstram que nas Granjinhas desenvolviam-se práticas pedagógicas em que se
aproveitava ao máximo os recursos ambientais. Havia protagonismo nas ações dos estudantes
para a resolução dos problemas rurícolas, demarcavam-se terrenos disponibilizados para que
pudessem estudá-los, extrair deles as possibilidades de reflexões e convívio social capazes de
subsidiarem trocas de conhecimentos e novos aprendizados. As práticas pedagógicas envolviam
problemas da própria vida como procedimento escolar, na medida em que as ações educativas
se associavam às atividades habituais da comunidade. Conclui-se que nesses espaços
desenvolvia-se uma formação integral, em regime de colaboração entre os membros de uma
dada comunidade, que se aproximam dos pressupostos da educação renovada, de perspectiva
progressista de vertente norte-americana, da qual Dewey e Kilpatrick são representantes, tanto
quanto da vertente europeia, especialmente do Instituto Jean-Jacques Rousseau onde Helena
Antipoff formou-se e atuou, tornando-se dela divulgadora.
Abstract
The "Granjinhas" schools from Fazenda do Rosário, Ibirité, Minas Gerais, idealized by
psychologist and teacher Helena Antipoff (1892-1974), and medical and teacher of Natural
Sciences, Henrique Marques Lisboa (1876-1967), were developed from 1957 as pedagogical
practices integrated into courses for the training of specialists in rural education of the Instituto
Superior de Educação Rural - ISER, offered in the intern modality. It aimed, by scientific
means, to experience the daily rural practices in the courses curriculum, where studies were
carried out involving different knowledge developed in a rural property, such as: study of the
land available for vegetables garden, for example. By means of the analysis and triangulation
of sources on the subject, in an approach to the case study, the aim was to establish relationships
between the pedagogical proposal of the Granjinhas and the methodology of projects, disclosed
in Brazil in the XX century. Sources were mainly found in the Centro de Documentação e
Pesquisa Helena Antipoff – CDPHA,: institutional journals, such as Rural Message and Rural
Small Message; diaries of former students; ISER publications such as Granjinhas report etc., as
well as the publication that explicit the Project Method of Willian Heard Kilpatrick (1871-
1965), and the book of Fernando Sáinz Ruiz (1891-1957) El Método de Proyectos en las
escuelas rurales. Possible interfaces between the foundations and theoretical perspectives of
the Granjinhas pedagogical practical project method were investigated. It was verified that
Kilpatrick, Fernando Sáinz as well as Marques Lisboa and Antipoff, shared the will to transform
human pathways by means of real activities, which stimulated apprentices autonomy in their
own realities. Supported by the perspectives of interest and effort that founded the functionalist
ideas of John Dewey (1859-1952), Kilpatrick presents the Project Method in 1918 as a
proposition of practical materialization of these ideas, in order to make learning active and
interested. In order to conceive an intentional activity in a social situation, a unit of this activity,
in an interest with a purpose, Kilpatrick opposes the artificiality of the traditional school and
approximates the reality, in a perspective of active education. To Kilpatrick, a project would
have a real purpose, which would support teaching procedures and offer real motivations for
learning. It would be a work plan that would position the student, voluntarily, in micro realities,
based on propositions and experienced problems. Data show that the Granjinhas developed
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pedagogical practices that would make the most of the environmental resources. The students
had a leading role in solving rural problems; demarcating land available so that they could study
them; extract from them the possibilities of reflections and social conviviality capable of
subsidizing exchanges of knowledge and new learning. As pedagogical practices involved
problems of one's own life as a school procedure, to the extent that educational activities are
associated with common community activities. It is possible to conclude that these spaces
developed an integral formation, in a regime of collaboration between the members of a given
community, which approaches the suppositions of renewed education, from a progressive North
American perspective, from which Dewey and Kilpatrick are representatives, as much as an
European perspective, especially the Jean-Jacques Rousseau Institute where Helena Antipoff
graduated and acted, becoming a disseminator.
Assunto
Educação, Educação do campo - História, Educação rural - História, Método de projeto no ensino, Ensino agrícola - História, Educação rural - Métodos de ensino, Educação rural - Métodos experimentais, Escolas rurais, Educação integral, Escolas de tempo integral
Palavras-chave
Método de projeto, Educação rural, Granjinhas escolares, Educação integral
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