Cotas na pós-graduação: a experiência da Universidade Federal de Minas Gerais
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Artigo de periódico
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Affirmative action in postgraduate education: the experience of the Federal University of Minas Gerais
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Resumo
Introdução: O artigo identifica os desafios da implementação da política de ação afirmativa de cunho racial na pós-graduação stricto sensu a partir do caso da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em 2017, a UFMG aprovou uma política de inclusão para negros, indígenas e pessoas com deficiência. A maioria das decisões sobre como operar essa política ficou a cargo dos
colegiados dos programas de pós-graduação, numa implementação do tipo bottom-up. Nosso objetivo é responder às seguintes questões: i) quais foram os padrões de implementação dessa política?; e ii) quais foram os obstáculos encontrados para efetivar apolítica de cotas de cunho racial na UFMG? Materiais e métodos: Conduzimos um estudo de caso de abordagem mista e natureza descritiva, baseado em dois conjuntos de dados. O primeiro foi construído via análise documental dos editais dos processos seletivos dos 79 programas de pós-graduação acadêmicos da UFMG no quinquênio 2018-2022. Foram estimadas regressões para investigar associações entre o percentual de reserva (a variável dependente) e atributos das ofertas. O segundo conjunto de dados foi produzido por entrevistas semiestruturadas com 18 atores envolvidos na elaboração ou implementação da política de cotas. Resultados: Observamos que os percentuais de reserva se concentram no limite mínimo e podem reforçar um certo tipo de estratificação: cursos de Ciências Humanas tendem a praticar um maior percentual que cursos de maior prestígio (das Ciências Exatas e da Terra, Engenharias e Ciências Biológicas). A taxa de ocupação das vagas reservadas é baixíssima: em 2022, apenas 21,1% no mestrado e 12,6% no doutorado. Identificamos dez possíveis explicações para a baixa ocupação das vagas reservadas. Essas explicações incluem falta de identificação com o corpo docente e com as linhas de pesquisa, falta de proficiência em línguas estrangeiras e diferentes manifestações de racismo. Discussão: Apesar de extremamente relevante, a política de ações afirmativas na pós-graduação da UFMG não atingiu, ainda, seu potencial integral. Além da reserva de vagas, a inclusão racial na pós-graduação stricto sensu depende de outras condições viabilizadoras da admissão e da permanência dos estudantes. Parte delas pode ser promovida localmente pelos programas, como ajustes no horário das aulas, de modo a facilitar a conciliação com atividades laborais, e maior receptividade a novos interesses de pesquisa (tais como temas relacionados à negritude).
Abstract
Introduction: This article explores the challenges of implementing racial affirmative action policies in stricto sensu postgraduate education, focusing on the Federal University of Minas Gerais (UFMG) as a case study. In 2017, UFMG introduced an inclusion policy for Black people, Indigenous people, and individuals with disabilities. The implementation of this policy was largely managed by the postgraduate program boards in a bottom-up manner. Our goal is to address the following questions: i) What were the implementation patterns of this policy?; and ii) What obstacles did UFMG encounter in applying racial affirmative action policies? Materials and methods: We conducted a mixed-methods, descriptive case study based on two datasets. The first one was compiled through a document analysis of enrollment notices for 79 academic postgraduate programs at UFMG from 2018-2022. We estimated regressions to investigate the relationship between the percentage of reserved seats (the dependent variable) and attributes of the available seats. The second dataset consisted of semi-structured interviews with 18 individuals involved in developing or implementing the affirmative action policy. Results: We found that the percentage of reserved seats was most often at the minimum limit, potentially reinforcing certain types of stratification. Humanities programs tended to reserve a higher percentage of seats compared to more prestigious programs (Exact and Earth Sciences, Engineering, and Biological Sciences). The occupancy rate for reserved seats was extremely low: in 2022, only 21.1% for master's programs and 12.6% for doctoral programs. We identified ten possible reasons for this low occupancy, including a lack of identification with faculty and research areas, insufficient proficiency in foreign languages, and various forms of racism. Discussion: Although highly relevant, the affirmative action policy implemented at UFMG's postgraduate programs has not yet reached its full potential. Achieving racial inclusion in stricto sensu postgraduate education involves more than just reserving seats; it requires additional measures to enable admission and retention. Some of these measures can be addressed locally by the postgraduate programs, such as adjusting class schedules to better accommodate work commitments and being more receptive to new research interests (e.g., topics related to Black identity).
Assunto
Racismo na educação, Programas de ação afirmativa
Palavras-chave
Políticas públicas, Ação afirmativa, Cotas raciais, Programas de pós-graduação, Universidade Federal de Minas Gerais
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