Avaliação ecotoxicológica do antirretroviral raltegravir em Microcystis novacekii, Chlorella vulgaris e Artemia salina.

Carregando...
Imagem de Miniatura

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Federal de Minas Gerais

Descrição

Tipo

Dissertação de mestrado

Título alternativo

Ecotoxicological Assessment of the Antiretroviral Raltegravir in Microcystis novacekii, Chlorella vulgaris, and Artemia salina

Primeiro orientador

Membros da banca

Gilcinéa de Cássia Santana

Resumo

O crescente consumo de medicamentos tem contribuído para a presença de resíduos farmacêuticos em corpos hídricos, gerando preocupações quanto às consequências ecológicas desses contaminantes emergentes no ecossistema aquático. Esse cenário torna-se ainda mais preocupante diante da baixa cobertura sanitária mundial e da ineficiência dos sistemas convencionais de tratamento de águas residuais na remoção completa desses resíduos. Dentre esses compostos, destacam-se os antirretrovirais (ARV), amplamente utilizados no tratamento do HIV. O raltegravir (RAL), primeiro inibidor de integrasse aprovado para uso clínico, tem sido detectado em águas residuais, porém seus impactos ambientais ainda são pouco compreendidos. Diante disso, o objetivo deste estudo foi avaliar a toxicidade do medicamento contendo raltegravir potássico (MCR), isoladamente e em associação com o medicamento contendo dolutegravir (MCD), sobre os organismos aquáticos Microcystis novacekii, Chlorella vulgaris e Artemia salina. Os ensaios seguiram os protocolos ABNT NBR 12648 (2018) e NBR 16530 (2021), com exposições variando entre 6 e 102 mg/L. Os resultados mostraram que a cianobactéria M. novacekii foi o organismo mais sensível, com CE50 de 44,56 ± 1,77 mg/L para MCR isoladamente e de 20,96 ± 0,95 mg/L para a combinação de MCR e MCD, sugerindo efeito sinérgico. A microalga C. vulgaris apresentou aumento do crescimento celular em todas as concentrações testadas, enquanto o microcrustáceo e A. salina mostrou baixa sensibilidade, sem imobilidade significativa até 100 mg/L. A avaliação de risco ambiental, baseada em dados de concentração ambiental prevista (MEC) e nos valores de CE50 obtidos, indicou risco elevado do RAL para os diferentes cenários simulados (Brasil, Portugal, África do Sul). Os resultados sugerem que, embora o MCR seja classificado como levemente tóxico segundo o Globally Harmonized System of Classification and Labeling of Chemicals (GHS), sua presença contínua e potencial sinergismo com outros ARV podem representar riscos à biota aquática, enfatizando a necessidade de monitoramento e ações regulatórias.

Abstract

The increasing consumption of pharmaceuticals has contributed to the presence of pharmaceutical residues in water bodies, raising concerns about the ecological consequences of these emerging contaminants in aquatic ecosystems. This situation is further exacerbated by the low global sanitation coverage and the inefficiency of conventional wastewater treatment systems in completely removing these substances. Among these compounds, antiretrovirals (ARVs), widely used in the treatment of HIV, stand out. Raltegravir (RAL), the first integrase inhibitor approved for clinical use, has been detected in wastewater, although its environmental impacts remain poorly understood. In this context, the objective of this study was to assess the toxicity of a pharmaceutical formulation containing raltegravir potassium (MCR), both alone and in combination with a formulation containing dolutegravir (MCD), on the aquatic organisms Microcystis novacekii, Chlorella vulgaris, and Artemia salina. The bioassays followed standardized protocols (ABNT NBR 12648:2018 and NBR 16530:2021), with exposure concentrations ranging from 6 to 102 mg/L. The cyanobacterium M. novacekii was the most sensitive species, with CE50 values of 44.56 ± 1.77 mg/L for MCR alone and 20.96 ± 0.95 mg/L for the MCR + MCD combination, suggesting a synergistic effect. The microalga C. vulgaris showed stimulated growth at all tested concentrations, while the microcrustacean A. salina exhibited low sensitivity, with no significant immobility observed up to 100 mg/L. The environmental risk assessment, based on predicted environmental concentration (PEC) data and CE50 values from this study, indicated high risk associated with RAL under simulated scenarios (Brazil, Portugal, and South Africa). The results suggest that although MCR is classified as slightly toxic according to the Globally Harmonized System of Classification and Labelling of Chemicals (GHS), its continuous presence and potential synergism with other ARVs may pose risks to aquatic biota, highlighting the need for environmental monitoring and regulatory action.

Assunto

Palavras-chave

Raltegravir, Ecotoxicidade, Organismos aquáticos, Risco ambiental, Resíduo farmacêutico

Citação

Endereço externo

Avaliação

Revisão

Suplementado Por

Referenciado Por