Entre fios: desfazendo nós de colonialidade e costurando alianças antirracistas na educação linguística
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Cloris Porto Torquato
Cristiane Maria Campelo Lopes Landulfo de Sousa
Jhuliane Evelyn da Silva
Henrique Rodrigues Leroy
Cristiane Maria Campelo Lopes Landulfo de Sousa
Jhuliane Evelyn da Silva
Henrique Rodrigues Leroy
Resumo
Esta pesquisa aborda a relação entre branquitude, colonialidade e educação linguística, como essas três áreas se entrelaçam e qual a importância delas na formação de docentes de línguas. O objetivo da pesquisa é investigar a relevância de dois ambientes distintos para a formação de educadoras linguísticas em diferentes estágios formativos, com o intuito de promover o letramento racial de professoras (Ferreira, 2015; Moreira, 2024) e fornecer/aprofundar embasamentos para uma pedagogia engajada (hooks, 2017, 2020). Reconhece-se a branquitude como uma construção sócio-histórica (Bento, 2022; Schucman; Conceição, 2023) e compreende-se raça como uma categoria analítica e política indispensável para pensar uma sociedade menos desigual (Carneiro, 2023; Moreira, 2024) e que tenha a perspectiva decolonial como uma possibilidade de práxis docente (Walsh, 2018). O foco da pesquisa recai no processo de autorreflexão o qual possibilita a identificação das colonialidades que nos constituem, bem como no processo de compreensão de nossa própria racialização dentro da sociedade em que estamos inseridas e como ela afeta nossa leitura de mundo. Para desenvolver a pesquisa, ofereceu-se uma disciplina de graduação, com um semestre letivo de duração, voltada para licenciandas de diferentes línguas, e um curso de extensão, que durou um ano letivo, envolvendo licenciandas (professoras em pré-serviço/formação inicial) e licenciadas (professoras em serviço/formação continuada). A reflexão sobre a relevância desses espaços ocorreu por meio de questionários, pequenas narrativas e um diário de campo da pesquisadora. Além disso, uma entrevista com a coordenadora e supervisora das atividades ajudou a contextualizar e a pensar sobre a importância de propor esses percursos formativos. A partir dos dados levantados nesses dois contextos, é possível dizer que, apesar de as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que estabelecem a obrigatoriedade do ensino da história e cultura indígena e afro-brasileira em todo o currículo escolar – ação que poderia colaborar para a consciência étnico-racial e compreensão da construção histórica de desigualdades –, prossegue-se a formação de professoras prontas para contar unicamente a história a partir da visão europeia e brancocentrada, a qual mantém o silenciamento e apagamento de histórias e culturas relacionadas a pessoas não brancas. As duas propostas realizadas aparecem, portanto, como alternativas para tentar suprir nossa falha histórica em formar educadoras linguísticas atentas à sociedade que nos constitui. O racismo no Brasil é estrutural, mas a estrutura é feita de pessoas. Por isso, destaca-se a importância de entender como ocorreu a construção do mito da democracia racial (Gonzalez, 2020; Munanga, 2020; Sales, 2023) e de cada pessoa se compreender racialmente dentro da sociedade. Esta tese é também um convite à aliança antirracista.
Abstract
This research addresses the relationship between whiteness, coloniality, and language education, how these three areas intertwine, and their importance in the education of language teachers. The aim of the research was to investigate the relevance of two different environments for the education of language educators at different stages of their preparation, with the aim of promoting racial literacy among teachers (Ferreira, 2015; Moreira, 2024) and providing/deepening the foundations for an engaged pedagogy (hooks, 2017, 2020) that recognizes whiteness as a socio-historical construction (Bento, 2022; Schucman; Conceição, 2023), understands race as an analytical and political category that is indispensable for thinking about a less unequal society, and that has the decolonial perspective as a possibility for teaching praxis. The focus of the research is on the process of self-reflection that enables us to identify the colonialities that constitute us, as well as on the process of understanding our own racialization within the society in which we live and how it affects our understanding of the world. To develop the research, an undergraduate course was offered that lasted one semester, aimed at pre-service teachers of different languages; and an extension course that lasted one academic year, involving pre-service and in-service teachers. The reflection on the relevance of these spaces used questionnaires, short narratives and a field diary by the researcher. In addition, an interview with the coordinator and supervisor of the activities helped to contextualize and reflect on the importance of proposing these educational paths. Based on the data raised in these two contexts, it is possible to say that, despite Laws 10.639/2003 and 11.645/2008, which establish the mandatory teaching of indigenous and Afro-Brazilian history and culture throughout the school curriculum – an action that could contribute to our ethnic-racial awareness and understanding of the historical construction of inequalities –, we continue to educate teachers ready to tell history solely from a European and white-centered perspective, maintaining the silencing and erasure of stories and cultures related to non-white people. The two proposals made appear, therefore, as alternatives to try to make up for our historical failure to educate language educators who are attentive to the society that constitutes us. Racism in Brazil is structural, but the structure is made up of people; hence the importance to understand how the myth of racial democracy (Gonzalez, 2020; Munanga, 2020; Sales, 2023) was constructed and to understand ourselves racially within our society. This thesis is also an invitation to an anti-racist alliance.
Assunto
Professoras Formação, Letramento, Linguística aplicada, Educação Relações raciais, Antirracismo, Decolonialidade na educação
Palavras-chave
Educação Linguística, Branquitude, Formação Docente, Decolonialidade, Educação Antirracista