Quando Leviatã e Prometeu disputam a cidadania: uma reconstrução epistêmica da Administração Pública Moderna como uma ciência normativa interdisciplinar, premida entre Direito, Economia e Teoria Organizacional

dc.creatorRicardo Vinicius Cornélio dos Santos e Carvalho
dc.date.accessioned2026-01-29T14:46:12Z
dc.date.issued2025-05-27
dc.description.abstractThe paradigmatic approach, based on Thomas Kuhn’s work, is hegemonic in the study of Public Administration. In its foundation lies an evolutionary perspective that holds a sequence of crisis, revolution and overcoming of three main paradigms, Traditional Public Administration, Public Management and Public Governance. Bresser-Pereira, the author of the most widely disseminated paradigmatic view in Brazil, adapted it according to the paradigms of Patrimonialist, Bureaucratic and Managerial Public Administration. The field of Public Administration, however, is marked by criticisms of its precarious theorizing and conceptual imprecision, aspects that are not exclusive to, but rather derived from, Administration in general. These aspects put a paradigmatic approach under question. Its fragility stems, above all, from the lack of definition of its key concepts of administration, management and governance, which build paradigms as management models, differentiated by organizational techniques and principles. Based on Habermas and Marcuse, it is possible to see that this created what Bachelard calls an epistemological obstacle, generating inconsistencies and erasures, towards a process of theoretical emptiness. The objective of this thesis is to investigate the sustainability of this paradigmatic approach, at the international level and in Brazil. Based on Habermas, an epistemic residence of the field of Public Administration is proposed, which becomes dialectical and not paradigmatic, forming an interdisciplinary normative science. To this end, administration, management and governance are studied from the perspective of Weberian sociology of domination and the ontology of organizing (organizing), which go beyond the War of Senses (logomachy) that the field has become by referencing these concepts. Thus, Public Administration has come to be centered on the modes of social domination aimed at the organization of associated human life that have evolved, historically, in a conflictual and erratic manner, around the definition of the rules of coexistence (rights and duties) expressed, since Modernity, as citizenship. Following Habermas, it is argued that this process started from a moral (ethical-political) reflection on thinking about the organization of life in society and that culminated in the State as its primary organizational figure. Moral reflection on the State, however, was disenchanted by the social sciences of Law and Economics, which established a dispute for its control based on more collectivist logics, in favor of the State (Leviathan), or more privatist, in favor of Markets and Private Companies (Prometheus), since it was understood that, under capitalism, whoever determines citizenship determines the economic order. The result was a long process in which the theoretical domain of Public Administration passed from the influence of Law to Economics, subsidized by Organizational Theory with an emphasis on the private business perspective (managerialist). In view of this, conflicts were established dialectically between administration and management, State and Private Companies, Law and Economics, which turned the paradigms into a scientism in the Habermasian sense, an artifice for legitimizing the discourse to control, in practice, the State, and not to understand it as organizational social things. Theoretical and empirical research in recent years has shown that this dialectic does not result in paradigms, but rather in moments of synthesis, the current one of which could be understood as a Neo-Administrative Synthesis. This path also includes the Brazilian adaptation, which has not been reviewed in light of more contemporary research in sociology and history, which also calls into question the country's paradigmatic approach.
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1843/1515
dc.languagepor
dc.publisherUniversidade Federal de Minas Gerais
dc.rightsAcesso aberto
dc.subjectAdministração pública
dc.subjectGestão pública
dc.subjectGovernança
dc.subject.otherAdministração pública
dc.subject.otherGestão pública
dc.subject.otherGovernança pública
dc.subject.otherParadigmas
dc.subject.otherSociologia da dominação.
dc.titleQuando Leviatã e Prometeu disputam a cidadania: uma reconstrução epistêmica da Administração Pública Moderna como uma ciência normativa interdisciplinar, premida entre Direito, Economia e Teoria Organizacional
dc.typeTese de doutorado
local.contributor.advisor1Ana Paula Paes de Paula
local.contributor.advisor1IDhttps://orcid.org/0000-0001-8035-472X
local.contributor.advisor1Latteshttp://lattes.cnpq.br/4117542128793688
local.contributor.referee1Ariston Azevedo Mendes
local.contributor.referee1Elizabeth Matos Ribeiro
local.contributor.referee1Frederico José Lustosa da Costa
local.contributor.referee1Maria Carolina Martinez Andion
local.creator.Latteshttp://lattes.cnpq.br/9303320671941400
local.description.resumoA abordagem paradigmática, inspirada em Thomas Kuhn, é hegemônica no estudo da Administração Pública, apresentando uma evolução segundo processos de crise, revolução e superação dos paradigmas da Administração Pública Tradicional, da Gestão Pública e da Governança Pública. Bresser-Pereira, autor da versão paradigmática mais difundida nacionalmente, adaptou-a para o Brasil segundo os paradigmas da Administração Pública Patrimonialista, Burocrática e Gerencial. O campo da Administração Pública, porém, é marcado por críticas à sua teorização precária e imprecisão conceitual, aspectos que não lhes são exclusivos, mas derivados da própria Administração em geral. Esses aspectos colocam a abordagem paradigmática sob questionamento. Sua fragilidade parte, sobretudo, de indefinições de seus termos-chave administração, gestão e governança, para compor paradigmas como modelos de gestão, diferenciados a partir de técnicas e princípios organizacionais. Com base em Habermas e Marcuse, é possível ver que isso criou o que Bachelard chama de um obstáculo epistemológico, gerando inconsistências e apagamentos, rumo a um processo de esvaziamento teórico. O objetivo desta tese é investigar a sustentabilidade dessa abordagem paradigmática, no nível internacional e no Brasil. A partir de Habermas, propõe-se uma reconstrução epistêmica do campo da Administração Pública, que passa a ser dialética e não paradigmática, conformando uma ciência normativa interdisciplinar. Para isso, estudam-se a administração, a gestão e a governança sob o enfoque da sociologia da dominação weberiana e da ontologia do organizar (organizing), que vão além da Guerra de Sentidos (logomaquia) que o campo se tornou ao referenciar esses conceitos. Assim, a Administração Pública passa ser centrada nos modos de dominação social voltados à organização da vida humana associada que evoluíram, historicamente, de maneira conflituosa e errática, em torno da definição das regras de coexistência (direitos e deveres) expressos, a partir da Modernidade, como cidadania. Seguindo Habermas, defende-se que esse processo partiu de uma reflexão moral (ético-política) de pensar a organização da vida em sociedade e que culminou no Estado como sua figura organizacional primordial. A reflexão moral sobre o Estado, porém, foi desencantada pelas ciências sociais do Direito e da Economia, que estabeleceram uma disputa pelo seu controle a partir das lógicas mais coletivistas, a favor do Estado (Leviatã), ou mais privatistas, a favor dos Mercados e das Empresas Privadas (Prometeu), pois entendeu-se que, sob o capitalismo, quem determina a cidadania, determina a ordem econômica. O resultado foi um longo processo em que o domínio teórico da Administração Pública passou da influência do Direito para a da Economia, subsidiada pela Teoria Organizacional sob ênfase da perspectiva empresarial privada (gerencialista). Diante disso, estabeleceram-se dialeticamente os conflitos entre administração e gestão, Estado e Empresas Privadas, Direito e Economia, que fizeram dos paradigmas um cientificismo no sentido habermasiano, um artifício de legitimação do discurso para se controlar, na prática, o Estado, e não para compreendê-lo como fenômeno social organizacional. As pesquisas teóricas e empíricas dos últimos anos demonstram que essa dialética não resulta em paradigmas, mas em momentos de síntese, em que a atual poderia ser compreendida como uma Síntese Neoadministrativa. Esse percurso abala também a adaptação brasileira, que não foi revisada à luz das pesquisas mais contemporâneas da sociologia e da história que também colocam sob questionamento a abordagem paradigmática no país.
local.identifier.orcidhttps://orcid.org/0000-0002-0553-7785
local.publisher.countryBrasil
local.publisher.departmentFCE - DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS
local.publisher.initialsUFMG
local.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Administração
local.subject.cnpqCIENCIAS SOCIAIS APLICADAS

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