Estudo das adaptações hemodinâmicas da miocardiopatia chagásica pela curva de volume do ventrículo esquerdo obtida pelo ecocardiograma tridimensional
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Resumo
A ecocardiografia tridimensional permite o cálculo de volume do ventrículo esquerdo em todo
o ciclo cardíaco, tornando possível a construção de uma curva de volume versus tempo. Esse
método oferece maior acurácia que o ecocardiograma bidimensional pois a construção do
volume do ventrículo esquerdo é realizada pela análise de centenas de pontos na borda do
endocárdio, sem utilizar nenhum plano específico nem modelo geométrico para descrever a
complexa estrutura desta cavidade. Neste trabalho, testamos a hipótese que é possível estudar
as adaptações hemodinâmicas da miocardiopatia chagásica, de maneira não-invasiva, pela
curva de volume versus tempo gerada pela ecocardiografia tridimensional. Assim, o objetivo
foi investigar, em estudo transversal, o comportamento funcional do ventrículo esquerdo,
utilizando a curva de volume em pacientes com miocardiopatia chagásica quando comparados
com indivíduos saudáveis. A partir da curva de volume, identificamos o volume diastólico final,
o volume sistólico final e o volume de ejeção do ventrículo esquerdo. Em seguida, utilizando
um programa desenvolvido no software MATLAB, construímos a curva de fluxo em todos os
pacientes pelo método polinomial. Identificamos o valor do fluxo máximo absoluto durante a
sístole e sua correção para o volume diastólico final do ventrículo esquerdo, enchimento
precoce e contração atrial. Vinte pacientes com miocardiopatia chagásica idade média de 45 ±
12 anos, 55 % do sexo masculino, foram comparados com 15 indivíduos saudáveis que
apresentavam idade e gênero semelhantes. A maioria dos pacientes (70%) apresentava dispneia
aos esforços, estava em tratamento para insuficiência cardíaca, utilizando principalmente
inibidores da enzima de conversão da angiotensina e betabloqueadores. Os pacientes com
miocardiopatia chagásica apresentaram maiores volumes diastólico final e sistólico final e
menor fração de ejeção do ventrículo esquerdo em relação ao grupo controle. No entanto, o
volume de ejeção e o fluxo máximo de ejeção do ventrículo esquerdo foram semelhantes entre
os grupos. O grupo com miocardiopatia chagásica tinha menor fluxo sistólico corrigido para o
volume diastólico final do ventrículo esquerdo comparado com o grupo controle. O fluxo nos
intervalos de enchimento precoce e contração atrial foram semelhantes entre os grupos, assim
como as respectivas medidas de velocidade na ponta dos folhetos da valva mitral, ondas E e A.
Como esperado, os pacientes com miocardiopatia chagásica mostraram valores maiores na précarga em comparação com o grupo controle, como demonstrado pelo aumento do volume
diastólico final do ventrículo esquerdo e da relação E / e’. Concluindo, demonstrou-se que o
fluxo sistólico máximo e volume de ejeção do ventrículo esquerdo foram semelhantes entre
pacientes com disfunção ventricular grave devido à miocardiopatia chagásica e controles
saudáveis. Usando uma ferramenta não invasiva, pela primeira vez em miocardiopatia
chagásica, demonstramos que um aumento no volume diastólico final do ventrículo esquerdo,
que é uma medida da pré-carga ventricular, é o principal mecanismo de adaptação que mantém
o fluxo e volume de ejeção no cenário de disfunção sistólica grave. O fluxo sistólico absoluto
corrigido pelo volume diastólico final do ventrículo esquerdo, neste estudo, mostrou-se
representativo da função sistólica global do ventrículo esquerdo, cuja utilidade e valor
prognóstico devem ser analisados em estudos posteriores.
Abstract
Three-dimensional echocardiography allows volume calculation of the left ventricle throughout
the cardiac cycle, making it possible to construct a volume-time curve. This method is more
accurate than two-dimensional echocardiography because the construction of left ventricular
volume is performed by the analysis of hundreds of points at the edge of the endocardium,
without using any specific plane or geometric model to describe the complex structure of the
left ventricle. In this paper, we test the hypothesis that it is possible to study the hemodynamic
adaptations of non-invasively Chagas cardiomyopathy by the volume-time curve generated by
three-dimensional echocardiography. Thus, the objective of this study was to study, in a crosssectional study, left ventricular function, using volume curve in patients with Chagas
cardiomyopathy when compared with healthy individuals. From the volume curve, we
identified left ventricular end-diastolic and end-systolic volumes and stroke volume. Then,
using a program developed in MATLAB software, we constructed the flow curve in all patients
using the polynomial method. We identified the absolute maximum flow value during systole
and its correction for left ventricular end-diastolic volume, early filling phase and during atrial
contraction. Twenty patients with Chagas cardiomyopathy, mean age of 45 ± 12 years, 55% of
males, were compared with 15 gender and age matched healthy controls. Most patients (70%)
had exertional dyspnea, on treatment for heart failure, mainly using the angiotensin-converting
enzyme inhibitor and beta-blockers. Patients with Chagas cardiomyopathy had a greater LV
end-diastolic and end-systolic volumes, and lower LV ejection fraction compared to the control
group. However, the stroke volume and maximum ejection flow during systole were similar
between groups. The group with Chagas cardiomyopathy had lower systolic flow corrected for
left ventricular end-diastolic volume compared to the control group. The flow in the early filling
intervals and atrial contraction were similar between the groups, as well as the respective
velocity measurements at the tip of the mitral valve leaflets, E and A waves. As expected,
patients with Chagas cardiomyopathy showed an increase in preload compared to the control
group, as demonstrated by the increment in left ventricular end-diastolic volume and E / e 'ratio.
In conclusion, the results of our study demonstrated that peak systolic flow and stroke volume
were similar among patients with severe ventricular dysfunction due to Chagas cardiomyopathy
and healthy controls. Using a non-invasive tool for the first time in Chagas cardiomyopathy,
we demonstrated that an increase in left ventricular end-diastolic volume, which is a measure
of ventricular preload, is the main mechanism of adaptation that maintains the flow and stroke
volume in the scenario of severe systolic dysfunction. The absolute systolic flow corrected for
left ventricular end-diastolic volume in this study was representative of left ventricular global
systolic function, whose usefulness and prognostic value should be studied in further research.
Assunto
Ecocardiografia Tridimensional, Cardiomiopatia Chagásica, Circulação Sanguínea
Palavras-chave
Ecocardiografia tridimensional, Cardiomiopatia chagásica, Circulação sanguinea, Dissertação acadêmica
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