Diagnóstico de hirsutismo por meio de análise de imagens, autoavaliação e escore de Ferriman-Gallwey simplificado

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Ana Lúcia Cândido
Leticia Ferreira Gontijo Silveira

Resumo

O hirsutismo, definido como o crescimento de pelos em mulheres com padrão de distribuição masculino, afeta 5-10% da população feminina. Representa um sinal clínico de hiperandrogenismo e está presente em até 80% das pacientes com Síndrome do Ovário Policístico (SOP). Embora haja variações étnicas, o diagnóstico do hirsutismo na população sul-americana é baseado no escore modificado de Ferriman-Gallwey (mF-G) ≥ 6 (Endocrine Society) e ≥ 4 (European Society of Human Reproduction and Embryology), endossados pela ultima diretriz conjunta destas sociedades, (Recommendations from the 2023 international evidence-based guideline for the assessment and management of polycystic ovary syndrome), publicada no segundo semestre de 2023. Limitações importantes no uso deste escore na prática clínica já foram descritas: necessidade de avaliador treinado para o procedimento, uso de cosméticos (clareamento) que dificultam a avaliação clínica, baixa concordância interobservador, discrepância entre a gravidade do hirsutismo e a percepção da paciente e a necessidade de que a paciente esteja despida e não depilada para correta avaliação. Portanto, a criação de um método reprodutível e de fácil execução representa um avanço para o diagnóstico clínico de hirsutismo. Os resultados apresentados nos artigos anexados nesta dissertação são derivados de um estudo transversal com mulheres de 18-50 anos atendidas nos ambulatórios de Ginecologia e Obstetrícia e de Endocrinologia e Metabologia do Hospital das Clínicas da UFMG entre julho de 2021 e setembro de 2023. Foram coletadas informações sobre diagnóstico, medicações em uso, histórico clínico e menstrual, bem como queixas sobre o excesso de pelos e o escore de Ferriman-Gallwey autorreportado. Examinadores treinados obtiveram o mF-G (padrão-ouro), avaliaram e tiraram fotos por câmera de celular das nove regiões que compõem o escore para, posteriormente, obterem o escore de Ferriman-Gallwey por imagem (mF-G-imagem). Posteriormente, o mF-G-imagem, o escore de Ferriman- Gallwey autorreportado e o mini-escore (escore simplificado obtido a partir da análise do abdome superior, do abdome inferior e do mento) foram comparados ao padrão-ouro. No trabalho que comparou o mF-G-imagem com o padrão-ouro, foram incluídas 70 mulheres. Entre os examinadores que analisaram as imagens, a concordância inter-observador foi de 81,4% (Kappa de Fleiss), com um Índice Kappa de 0,75. Para uma pontuação mFG ≥ 6, a concordância foi de 77% e o Índice Kappa foi de 0,62 (moderado). A análise de Bland–Altman estabeleceu uma concordância de 0,89 (IC 95% [0,83, 0,92]) entre os métodos presenciais e baseados em imagens para pontuar mFG. Na avaliação do escore de Ferriman-Gallwey simplificado (envolvendo a utilização de 3 áreas da escala de Ferriman-Gallwey modificada (mento, abdome inferior e abdome superior) para o estabelecimento de hirsutismo com um ponto de corte  3) foram incluídas 188 participantes. A acurácia, o valor preditivo positivo (VPP) e o valor preditivo negativo (VPN) do mini-escore foram, respectivamente, de 94.7%, 76.9%, 99.1% considerando corte do mF-G ≥ 6 e de 89.9%, 86.2% e 91.0%, respectivamente, considerando o corte do mF-G ≥ 4 para o diagnóstico de hirsutismo. No terceiro estudo, analisando a utilidade do escore de Ferriman-Gallwey autoavaliado, 188 participantes foram incluídas e a sensibilidade, a especificidade e o VPN foram, respectivamente, 95.5 % (77.1- 99.%), 55.4 % (45.7 -64.8 %), VPN 98.4% utilizando como corte para hirsutismo o mF-G ≥ 6 e 94.9 % (82.7-99.4%), 37.4 % (45.7 -64.8 %) e VPN: 94.4% para o corte de mF-G ≥ 4. Além desses resultados, foi anexada uma publicação de uma revisão narrativa sobre a importância e as dificuldades de avaliação do hirsutismo em mulheres destacando o desafio de identificar as mulheres que possuem algum sofrimento relacionado ao aumento de pelos mesmo sem um escore de Ferriman muito elevado. Em conjunto os resultados desta dissertação confirmam que 1) o auto-escore de Ferriman-Gallwey é uma ferramenta de baixa especificidade, mas com possibilidade de emprego para descartar hirsutismo pelo seu alto VPN; 2) o uso de imagens (como as obtidas por aparelho celular) oferece ótima reprodutibilidade e pode ser empregado por avaliadores treinados para o diagnostico de hirsutismo de forma não presencial; 3) o uso do escore simplificado em população latino-americana pode ser outra alternativa útil para o estabelecimento do hirsutismo, sendo executado de maneira mais ágil com a exposição somente do mento, abdome inferior e superior. Perspectivas futuras envolvem o estudo de diagnostico de hirsutismo por inteligência artificial com uso de dispositivos de imagem.

Abstract

Hirsutism, defined as hair growth in women with a male distribution pattern, affects 5-10% of the female population. It represents a clinical sign of hyperandrogenism and is present in up to 80% of patients with Polycystic Ovary Syndrome (PCOS). Although there are ethnic variations, the diagnosis of hirsutism is based on the modified Ferriman-Gallwey score (mFG) ≥ 6 (Endocrine Society) and ≥ 4 (European Society of Human Reproduction and Embryology), endorsed by the latest guideline joint effort of these societies, (Recommendations from the 2023 international evidence-based guideline for the assessment and management of polycystic ovary syndrome), published in the second half of 2023. Important limitations in the use of this score in clinical practice have already been described: the need for a trained evaluator of the procedure, use of cosmetics (hair whitening) that make clinical assessment difficult, low inter-observer agreement, discrepancy between the severity of hirsutism and the patient's perception and the need for the patient to be undressed and not shaved for correct assessment. Therefore, the creation of a reproducible and easy-to-perform method represents an advance in the clinical diagnosis of hirsutism. The results presented in the articles attached to this dissertation are derived from a cross-sectional study with women aged 18-50 years treated at the Gynecology and Obstetrics and Endocrinology and Metabology outpatient clinics of the Hospital das Clínicas of UFMG between July 2021 and September 2023. We collected information about a diagnosis, medications in use, clinical and menstrual history, as well as complaints about excess hair, and the self-reported Ferriman-Gallwey score. Trained examiners obtained the mF-G (gold standard), evaluated and took photos using a cell phone camera of the nine regions that make up the score to later obtain the Ferriman-Gallwey score per image (mFG-image). Subsequently, the mFG-image, the self-reported Ferriman- Gallwey score, and the mini-score (simplified score obtained from the analysis of the upper abdomen, lower abdomen, and chin) were compared to the gold standard. In the work that compared the mF-G-image with the gold standard, 70 women were included. Among the examiners who analyzed the pictures, inter-observer agreement was 81.4% (Fleiss Kappa), with a Kappa Index of 0.75. For an mFG score ≥ 6, agreement was 77% and the Kappa Index was 0.62 (moderate). Bland–Altman analysis established an agreement of 0.89 (95% CI [0.83, 0.92]) between in-person and image-based methods for scoring mFG. In the mini-score assessment (involving the use of 3 areas of the modified Ferriman-Gallwey scale (chin, lower abdomen, and upper abdomen) to establish hirsutism with a cutoff point > 3) 188 participants were included. The accuracy, positive predictive value (PPV) and negative predictive value (NPV) of the mini-score were, respectively, 94.7%, 76.9%, and 99.1% considering a mF-G cutoff ≥ 6 and 89.9%, 86.2%, and 91.0%, considering the mF-G cutoff ≥ 4 for the diagnosis of hirsutism. In the third study, evaluating the usefulness of the self-reported Ferriman-Gallwey score, 188 participants were evaluated and sensitivity, specificity and NPV were, respectively, 95.5% (77.1-99.%), 55.4% (45.7 -64.8%), NPV 98.4% using mF-G ≥ 6 and 94.9% (82.7) as a cutoff for hirsutism -99.4%), 37.4% (45.7 -64.8%) and NPV: 94.4% for mF-G cutoff ≥ 4. In addition to these results, a publication of a narrative review on the importance and difficulties of assessing hirsutism was attached in women, highlighting the challenge of identifying women who have some suffering related to increased hair even without a very high Ferriman score. Taken together, the results of this dissertation confirm that 1) the Ferriman-Gallwey auto-score is a low specificity tool, but with the possibility of being used to rule out hirsutism due to its high NPV; 2) the use of images (such as those obtained by a cell phone) offers excellent reproducibility and can be used by trained evaluators to diagnose hirsutism in a non-face-toface manner; 3) the use of the miniscore in a Latin American population may be another useful alternative for establishing hirsutism, being performed more quickly with exposure of only the chin, lower and upper abdomen. Future perspectives involve the study of diagnosing hirsutism using artificial intelligence using imaging devices.

Assunto

Hirsutismo, Hiperandrogenismo, Síndrome do Ovário Policístico

Palavras-chave

Hirsutismo, Hiperandrogenismo

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