Tipo de inserção na força de trabalho e ruído ocupacional no Brasil: resultados da Pesquisa Nacional de Saúde, 2019
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Ricardo Carlos Cordeiro
Elaine Leandro Machado
Elaine Leandro Machado
Resumo
O objetivo foi estudar a existência de relação entre a exposição ao ruído ocupacional e o tipo de inserção na força de trabalho. A hipótese sobre as desvantagens dos trabalhadores informais no que refere à qualidade do ambiente sonoro laboral foi investigada por meio dos dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), de corte transversal, realizada no ano de 2019. Na sequência da análise descritiva das variáveis de interesse, foram realizadas análises uni e multivariada, bem como foi utilizado o modelo estatístico Equações de Estimação Generalizadas (Generalized Estimating Equations - GEE) para avaliar os fatores associados à exposição ao ruído ocupacional. As ponderações pertinentes ao delineamento amostral foram consideradas e todas as análises foram realizadas com o uso do programa STATA 14.0. A prevalência da exposição a ruído na população brasileira foi de 25,5%, variando de 13,9% (Tocantins) a 30,4% (Rio Grande do Sul). A prevalência de exposição a ruído nos indivíduos inseridos na força de trabalho informal foi 31% menor (RP = 0,69; IC95%: 0,65 – 0,72) que nos indivíduos inseridos na força de trabalho formal. Nas mulheres, a prevalência de exposição a ruído foi 50% menor (RP = 0,50; IC95%: 0,48 – 0,53) que nos homens. Evidenciou-se também que a prevalência de exposição a ruído foi 22% menor entre os indivíduos com 55 anos ou mais (RP = 0,78; IC95%: 0,72 - 0,85) quando comparados àqueles na faixa etária de 18-24 anos. A prevalência de exposição a ruído foi 8% maior entre os indivíduos com 25 a 54 anos (RP = 1,08; IC95%: 1,01 - 1,16) quando comparados àqueles na faixa etária de 18-24 anos. A prevalência entre os indivíduos com nível médio de instrução foi 15% maior (IC95%: 1,07 – 1,23) quando comparado com aqueles com instrução até o fundamental. Foi observada prevalência 16% menor no grupo com nível superior de instrução (IC95%: 0,76 – 0,92) quando comparado ao grupo com instrução até o fundamental.
Os achados do presente estudo foram contrários à hipótese inicialmente levantada de que os trabalhadores informais estão mais expostos ao ruído ocupacional. No entanto, é crucial fortalecer as políticas públicas que abordam a exposição dos trabalhadores formais ao ruído, bem como as políticas voltadas para os trabalhadores informais devem reconhecer a heterogeneidade de atividades e perfis presentes nesse setor, especialmente diante do crescente aumento da flexibilização e desregulamentação do mercado de trabalho.
Abstract
The objective was to study the existence of a relationship between exposure to occupational noise and the type of inclusion in the workforce. The hypothesis about the disadvantages of informal workers in terms of the quality of the work sound environment was investigated using data from the cross-sectional National Health Survey (PNS), carried out in 2019. Following the descriptive analysis of the variables of interest, univariate and multivariate analyzes were carried out, as well as the Generalized Estimating Equations (GEE) statistical model was used to evaluate the factors associated with exposure to occupational noise. The weights relevant to the sampling design were considered and all analyzes were carried out using the STATA 14.0 program. The prevalence of noise exposure in the Brazilian population was 25.5%, ranging from 13.9% (Tocantins) to 30.4% (Rio Grande do Sul). The prevalence of noise exposure in individuals in the informal workforce was 31% lower (RP = 0.69; 95%CI: 0.65 – 0.72) than in individuals in the formal workforce. In women, the prevalence of noise exposure was 50% lower (RP = 0.50; 95% CI: 0.48 – 0.53) than in men. It was also evident that the prevalence of noise exposure was 22% lower among individuals aged 55 or over (RP = 0.78; 95% CI: 0.72 - 0.85) when compared to those aged 18- 24 years. The prevalence of noise exposure was 8% higher among individuals aged 25 to 54 years (PR = 1.08; 95% CI: 1.01 - 1.16) when compared to those aged 18-24 years. The prevalence among individuals with a secondary level of education was 15% higher (95%CI: 1.07 – 1.23) when compared to those with education up to elementary school. A 16% lower prevalence was observed in the group with a higher level of education (95% CI: 0.76 – 0.92) when compared to the group with education up to elementary school.
The findings of the present study were contrary to the hypothesis initially raised that informal workers are more exposed to occupational noise. However, it is crucial to strengthen public policies that address the exposure of formal workers to noise, as well as policies aimed at informal workers must recognize the heterogeneity of activities and profiles present in this sector, especially given the growing increase in flexibility and deregulation of the job market.
Assunto
Ruído Ocupacional, Inquéritos Epidemiológicos, Exposição Ocupacional, Saúde do Trabalhador, Emprego, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Ruído Ocupacional, Inquéritos Epidemiológicos, Exposição Ocupacional, Saúde do Trabalhador, Emprego