Triagem otoneurológica em operários da construção civil que executam trabalho em altura
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Resumo
Introdução: O equilíbrio corporal é fundamental para a adoção de reações
posturais que permitam a realização de movimentos com harmonia, conforto
físico e mental, mantendo a postura ereta e evitando quedas¹. Para que o
equilíbrio seja mantido, faz-se necessária uma interação entre os sistemas
vestibular, visual e proprioceptivo². Uma disfunção entre estes três sistemas
pode ser manifestada por meio da tontura³. A tontura é a sensação de
perturbação do equilíbrio corporal e pode ser definida como uma percepção
errônea, ilusão ou alucinação de movimento, sensação de desorientação
espacial do tipo rotatório (vertigem) ou não-rotatório (instabilidade, flutuação,
oscilações)4
. Pode acometer indivíduos de qualquer faixa etária, sendo mais
comum entre a população adulta/idosa, com idade superior a 40 anos 5
. A
queda por altura é o fator ocupacional que apresenta o maior risco de morte
neste ambiente, representando 33% dos casos8
. Essa porcentagem se faz
relevante principalmente em relação a construção civil, que apresenta más
condições de trabalho e é um dos setores da economia que mais tem se
desenvolvido nos últimos anos, gerando um aumento do número de
trabalhadores e, consequentemente, no número de acidentes de trabalho9.De
acordo com a Norma Regulamentadora (NR) 35 do Ministério do Trabalho e
Emprego, é considerado trabalho em altura toda atividade realizada acima de
dois metros do nível inferior, onde haja risco de queda (NR-35)10
. Objetivo:
pesquisar a prevalência de sinais e sintomas otoneurológicos em trabalhadores
que necessitam de adequado equilíbrio para exercer suas funções expostas à
altura. Métodos: estudo observacional transversal constituído por 33
trabalhadores da construção civil que executam atividades acima de dois
metros do nível inferior com risco de queda NR-35. Foi utilizado o Protocolo
Ofício de Gestão de Diagnóstico Otoneurológico, composto por anamnese,
provas de equilíbrio, investigação complementar dos pares cranianos,
conclusão/conduta e orientação. Os dados foram lançados em planilha do
programa SPSS versão 13.0, sendo consideradas significativas as diferenças
que apresentaram nível de significância de até 5%. Resultados: Todos os
participantes eram do gênero masculino. A média de idade foi de 38,1 anos, variando de 21 a 65 anos. Um terço dos participantes apresentaram alteração
na triagem devido a queixa de equilíbrio e/ou zumbido. Em relação à função
que os participantes exercem, 21,2% eram pedreiros, 18,2% pintores, 12,1%
eletricista e 9,1% montador, entre outros. Quanto aos dados encontrados na
anamnese, 6,1% dos participantes relataram ter alterações metabólicas, 3%
disfunção hormonal, 27,3% distúrbios circulatórios e/ou cardiopatas, 24,2%
alteração de coluna, 15,2% relataram sentir cefaléia ou enxaqueca e 21,2%
afirmaram histórico familiar para labirintopatias. Quanto ao consumo de
cafeína, álcool e nicotina, 31 (91%) indivíduos relataram uso constante de
cafeína, 16 (48,5%) afirmaram fazer uso de álcool e nove (27,3%) afirmaram
usar nicotina. Apenas um indivíduo relatou não fazer uso de nenhum dos itens.
Em relação ao uso de medicamentos, oito indivíduos (24,2%) relataram seu
uso contínuo e, dentre eles estão o Atenolol, Losartan, Clorana,
Hidrocortiazida, Sinvastatina, Vitamina D e Nifedipina. Destes oito indivíduos,
três indivíduos fazem uso de mais de um destes medicamentos. Com relação à
alteração do equilíbrio, seis (18,2%) dos 33 participantes relataram
desequilíbrio e, em relação ao zumbido, sete (21,2%) relataram a percepção do
mesmo. Em relação às provas de equilíbrio e investigação complementar dos
pares cranianos, nenhum indivíduo apresentou alteração.Por meio do teste
Qui-Quadrado foi possível observar diferença estatisticamente significante
entre o grupo com queixa de equilíbrio para as variáveis de distúrbios
circulatórios, cefaléia e uso de medicamentos, sendo que este último
estatisticamente significante também no grupo com queixa de zumbido.
Conclusão: Não foram encontradas alterações nas provas de equilíbrio e na
investigação complementar dos pares cranianos de operários da construção.
Um terço dos trabalhadores da construção civil apresentaram triagem
otoneurológica sugestiva de alteração. Sugere-se a realização da Triagem
Otoneurológica no exame admissional e em periódicos, a fim de evitar
transtornos para o funcionário (acidente, invalidez e até morte) e para a
empresa (custos, perda da imagem de responsabilidade social), para a
prevenção de acidentes no trabalho. sugerindo a realização de novas
pesquisas principalmente por fonoaudiólogos devido à grande importância para
a nossa área de atuação.
Abstract
Assunto
Saúde Ocupacional, Equilíbrio Postural, Indústria da Construção, Dissertação acadêmica
Palavras-chave
Fonoaudiologia, Equilíbrio Postural, Categorias de Trabalhadores, Indústria da Construção
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