Da ambiguidade à ambivalência : a democracia emergente e as práticas de agricultura urbana em Belo Horizonte

dc.creatorBruno Dias Magalhães
dc.date.accessioned2026-01-15T14:35:37Z
dc.date.issued2025-05-30
dc.description.abstractThis is a dissertation on radical democracy. Based on a critical reading of the Latin American investment in institutionalized participation, I seek to reconcile the concept of democracy with two central notions that are, nevertheless, to some extent avoided by much of the scientific corpus shaping key debates in participatory and deliberative democratic theory: the state and ways of life. The locus of the discussion centers on agriculture—a choice motivated both by the fact that the overcoming of traditional agricultural practices, seen as archaic, lies at the heart of modern state formation, and because, today, it is the peasant way of life, in alliance with quilombola and Indigenous traditional knowledge, that articulates the most significant critiques of these states. This reconciliation unfolds in two movements. The first, historiographic in nature, presents a brief reading of Brazilian state formation from the perspective of formalism and its latent consequence: the dialectic of ambiguity. I argue, however, that the formation of the Brazilian nation does not represent an interrupted process of modernization, but rather its caricatural expression—one that makes explicit aspects which, elsewhere, remain concealed. I thus trace the formation of the Brazilian state and its discourses of belonging through the lens of agricultural modernization. Along the way, I examine how this trajectory has led to the expulsion of peasants from rural areas, revealing a movement of flight by those who, in seeking to preserve their ways of life, reassemble insurgently in spaces of resistance. From this perspective, I analyze the recent politicization of urban agriculture. The second movement, ethnographic in nature, explores the conflicts experienced by two urban gardens in the city of Belo Horizonte: the Coqueiro Verde community agroforestry project and the Vila Pinho community garden. Drawing on long-term engagement with the farmers working in these spaces, I show how their demands insurgently disrupt prevailing formalist norms. In conclusion, I offer some reflective notes on the potential redefinition of the concept of democracy. Drawing from the ontological turn in anthropology, I defend the notion of emergent democracy, grounded in a pragmatic ethics of radical alterity, which calls for the non-assimilative coexistence of ambivalent worlds.
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1843/1426
dc.languagepor
dc.publisherUniversidade Federal de Minas Gerais
dc.rightsAcesso aberto
dc.rightsAttribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 Internationalen
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
dc.subjectCiência política - Teses
dc.subjectDemocracia - Teses
dc.subjectDemocracia deliberativa - Teses
dc.subjectAgricultura urbana - Teses
dc.subject.otherDemocracia radical
dc.subject.otherDemocracia deliberativa
dc.subject.otherDemocracia emergente
dc.subject.otherAgricultura urbana
dc.subject.otherAmbiguidade
dc.subject.otherAmbivalência
dc.titleDa ambiguidade à ambivalência : a democracia emergente e as práticas de agricultura urbana em Belo Horizonte
dc.title.alternativeFrom ambiguity to ambivalence : emergent democracy and urban agriculture practices in Belo Horizonte
dc.typeTese de doutorado
local.contributor.advisor1Ricardo Fabrino Mendonça
local.contributor.advisor1Latteshttp://lattes.cnpq.br/2011077236634286
local.contributor.referee1Priscila Delgado de Carvalho
local.contributor.referee1James Holston
local.contributor.referee1Flávia de Paula Duque Brasil
local.contributor.referee1Juarez Rocha Guimarães
local.creator.Latteshttp://lattes.cnpq.br/2424518337395565
local.description.resumoEsta é uma tese sobre democracia radical. Baseado em uma leitura crítica da aposta latino-americana na participação institucionalizada, busco reconciliar o conceito de democracia com duas noções centrais que, no entanto, são em alguma medida evitadas por grande parte do corpus científico que configura os debates centrais da teoria democrática participativa e deliberativa: o Estado e os modos de vida. O locus da discussão centra-se na agricultura, cuja escolha se dá tanto porque a superação da prática agrícola tradicional, entendida como arcaica, está no cerne da formação dos Estados modernos, quanto porque, atualmente, é o modo de vida camponês que, aliado aos saberes tradicionais quilombola e indígena, apresentam as principais críticas a esses Estados. Tal reconciliação se dá em dois movimentos. O primeiro, de cunho historiográfico, apresenta uma breve leitura da formação do Estado brasileiro a partir da ótica do formalismo e sua consequência latente, a dialética da ambiguidade. Defendo, contudo, que a formação nacional brasileira não representa um processo interrompido de modernização, mas sim sua faceta caricatural, capaz de explicitar aspectos que, alhures, se veem ocultos. Assim, percorro a formação do Estado brasileiro e seus discursos de pertencimento a partir da modernização agrícola. No percurso, apresento os desdobramentos dessa trajetória na expulsão dos camponeses do campo, divisando um movimento de fuga daqueles que, buscando preservar seu modo de vida, rearticulam-se insurgentemente em espaços de resistência. Sob essa ótica, analiso o fenômeno de politização recente compreendido pela agricultura urbana. O segundo movimento, de cunho etnográfico, aprofunda-se nos conflitos vivenciados por duas hortas urbanas na cidade de Belo Horizonte: a agrofloresta comunitária Coqueiro Verde e a horta comunitária Vila Pinho. A partir de uma vivência prolongada com as agricultoras e os agricultores desses espaços, demonstro como suas reivindicações rompem de maneira insurgente com o formalismo predominante. Ao final, elaboro algumas notas reflexivas sobre uma possível ressignificação do conceito de democracia. Amparado na virada ontológica da antropologia, defendo a noção de democracia emergente pautada em uma ética da confluência, que propõe a convivência não assimiladora de mundos ambivalentes.
local.identifier.orcidhttps://orcid.org/0000-0001-6759-6249
local.publisher.countryBrasil
local.publisher.departmentFAF - DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA POLÍTICA
local.publisher.initialsUFMG
local.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Ciência Política
local.subject.cnpqCIENCIAS HUMANAS::CIENCIA POLITICA
local.subject.cnpqCIENCIAS HUMANAS

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