Avaliação de polimorfismos dos genes de receptores endocanabinóides (CNR1 e CNR2) e sua relação com o desempenho cognitivo em pacientes com esquizofrenia e controles
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Resumo
A esquizofrenia é uma síndrome psiquiátrica crônica, complexa e herdável caracterizada por déficits
cognitivos generalizados e que são responsáveis por grande parte das disfunções sócio ocupacionais
relacionadas à doença. Apesar dos déficits cognitivos atualmente serem reconhecidos como centrais
na psicopatologia do transtorno, pouco se sabe sobre seus determinantes fisiopatológicos. Nesta
perspectiva, o estudo do sistema endocanabinóide (SEc) pode auxiliar no avanço do conhecimento a
respeito de seus mecanismos fisiopatológicos. Diversas alterações do SEc foram descritas em pacientes
com esquizofrenia e apontam para seu envolvimento na fisiopatologia da doença, e em particular na
dos déficits das habilidades cognitivas. No sistema nervoso central (SNC), os endocanabinóides,
principalmente via CB1R, atuam na modulação de outros sistemas de neurotransmissores e são
importantes para o ajuste fino do fluxo de informações em redes neurais. Além disso, o SEc exerce
papel importante em etapas cruciais do desenvolvimento cerebral. As habilidades cognitivas são
consideradas traços complexos, ou seja, multifatoriais, com a participação de fatores ambientais e
genéticos, sendo que uma das estratégias para compreendermos os fatores etiológicos dos déficits
cognitivos da esquizofrenia é o estudo dos genes envolvidos com estes prejuízos. Estudos de
associação encontraram relação entre a esquizofrenia e polimorfismos de CNR1, mas os resultados
não foram consistentes, e a relação de variações genéticas de elementos do SEc com os prejuízos
cognitivos destes pacientes foi pouco estudada. Portanto, nossa hipótese é a de que variações genéticas
dos genes dos receptores endocanabinóides estarão associados com o desempenho cognitivo nos
pacientes, mas não nos controles. O objetivo principal do presente trabalho é testar se dois
polimorfismos do gene CNR1 (rs1049353 e rs12720071) e um polimorfismo do gene CNR2
(rs2229579) dos receptores endocanabinóides estão associados com os prejuízos cognitivos avaliados
pela BACS em uma amostra de 69 pacientes com esquizofrenia e 45 controles saudáveis. O objetivo
secundário foi também avaliar se os mesmos polimorfismos estariam associados com o risco para a
síndrome. Encontramos associação consistente dos genótipos do polimorfismo rs12720071 (T > C) do
CNR1 com o desempenho cognitivo dos pacientes em diversos domínios. Pacientes C/C, apresentaram
desempenho significativamente pior nos domínios de velocidade motora, fluência verbal, memória de
trabalho (significativa mesmo após correção para múltiplos testes), atenção/velocidade de
processamento e raciocínio/resolução de problemas (nominalmente significativo). Este mesmo
polimorfismo também se associou ao risco para a o desenvolvimento da esquizofrenia. Além dos
pacientes apresentarem maior proporção do alelo C, os portadores do alelo C (T/C ou C/C) tiveram
mais chance (3,86 vezes no modelo dominante e 1,73 vezes no modelo aditivo) de ter esquizofrenia
do que os indivíduos T/T (p<0,001, significativo mesmo após correção para múltiplos testes). Para o
polimorfismo rs2229579 (G > A), não houve associação dos genótipos com a síndrome, mas o alelo A
foi nominalmente correlacionado ao risco para a esquizofrenia. Apesar de limitados por questões
metodológicas, nossos dados dão suporte a hipótese geral de que variações do CNR1 podem estar
associados à fisiopatologia da síndrome. Em particular, o polimorfismo rs12720071 (T > C) do CNR1
pode estar envolvido na patogênese dos déficits cognitivos da esquizofrenia.
Abstract
Schizophrenia is a chronic, complex and inheritable psychiatric syndrome characterized by generalized
cognitive deficits that account for most of the socio-occupational dysfunctions associated with the
disease. Although cognitive deficits are currently recognized as central to the psychopathology of the
disorder, little is known about its pathophysiological determinants. In this perspective, the study of the
endocannabinoid system (EcS) can aid in the advancement of knowledge regarding its
pathophysiological mechanisms. Several EcS alterations have been described in patients with
schizophrenia and point to their involvement in the pathophysiology of the disorder, and particularly
in the deficits of cognitive abilities. In the central nervous system (CNS), endocannabinoids, mainly
via CB1R, act in the modulation of other neurotransmitter systems and are important for fine-tuning
the information flow in neural networks. In addition, EcS plays an important role in crucial stages of
brain development. Cognitive abilities are considered complex traits, ie, multifactorial, with the
participation of environmental and genetic factors, and one of the strategies to understand the
etiological factors of the cognitive deficits of schizophrenia is the study of genes involved with these
impairments. Association studies found a relationship between schizophrenia and CNR1
polymorphisms, but the results were not consistent, and the relation of genetic variations of EcS
elements with the cognitive impairments of these patients was little studied. Therefore, our hypothesis
is that genetic variations of endocannabinoid receptor genes will be associated with cognitive
performance in patients, but not in controls. The main objective of the present work is to test if two
polymorphisms of the CNR1 gene (rs1049353 and rs12720071) and a polymorphism of the CNR2
gene (rs2229579) of the endocannabinoid receptors are associated with the cognitive impairments
evaluated by the BACS in a sample of 69 patients with schizophrenia and 45 controls. The secondary
endpoint was also to assess whether the same polymorphisms would be associated with the risk for the
syndrome. We found a consistent association of CNR1 polymorphism rs12720071 (T> C) genotypes
with the cognitive performance of patients in several domains. Patients C / C, presented significantly
worse performance in the domains of motor speed, verbal fluency, working memory (significant even
after correction for multiple tests), attention / processing speed and reasoning / problem solving
(nominally significant). This same polymorphism was also associated with the risk for the
development of schizophrenia. In addition to the patients presenting a higher proportion of the C allele,
patients with the C allele (T/C or C/C) were more likely to have schizophrenia (3.86 times in the
dominant model and 1.73 times in the additive model) than T/T subjects (p <0.001, significant even
after correction for multiple tests). For polymorphism rs2229579 (G> A), there was no association of
the genotypes with the syndrome, but the A allele was nominally correlated with the risk for
schizophrenia. Although limited by methodological issues, our data support the general hypothesis that
CNR1 variations may be associated with the pathophysiology of the syndrome. In particular,
polymorphism rs12720071 (T> C) of CNR1 may be involved in the pathogenesis of cognitive deficits
of schizophrenia.
Assunto
Neurociências, Esquizofrenia, Polimorfismo (genética), Disfunção cognitiva, Endocanabinoides
Palavras-chave
Esquizofrenia, Habilidades cognitivas, Déficits cognitivos, Sistema endocanabinóide, BACS, Polimorfismos
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