A influência da infecção por MHV-A59 na reposta imune adaptativa e seu impacto na infecção murina por Candida albicans
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Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
The Influence of MHV-A59 Infection on the Adaptive Immune Response and Its Impact on Murine Candida albicans Infection
Primeiro orientador
Membros da banca
Flávio Guimarães da Fonseca
Cristiana Couto Garcia
Cristiana Couto Garcia
Resumo
A COVID-19 é uma doença infecciosa causada pelo vírus SARS-CoV-2 que provocou uma pandemia, levando à um alto número de mortes e comorbidades. A vacinação contra SARS- COV-2 contribuiu para uma regressão no número de mortes, no entanto, foi constatado que, mesmo com a vacinação, pacientes acometidos pela COVID-19 podem apresentar persistência de sintomas após a recuperação da doença, ou mesmo surgimento de novos sintomas. Essa sintomatologia tardia é caracterizada como COVID longa, entretanto, os mecanismos imunes responsáveis pela COVID longa ainda não são bem esclarecidos. Com o intuito de avaliar a
suscetibilidade a agravamento em infecção posterior, em contexto de COVID longa, optamos por utilizar a Candida albicans em nossas avaliações. A C. albicans é um fungo de extrema importância clínica, com alta incidência em contextos infecciosos oportunistas, inclusive em infecções por SARS-CoV-2. Assim, nosso objetivo foi investigar se as alterações no perfil de ativação de linfócitos T induzidas pela infecção por coronavírus murino interfere na susceptibilidade do hospedeiro à infecção por Candida albicans. Para isso, empregamos modelo in vivo de infecção, utilizando camundongos C57BL/6 fêmeas infectados com MHV- A59 por via intranasal, explorando inicialmente dois tempos de infecção. No primeiro experimento, foi realizada a infecção com MHV-A59 e após sete dias a infecção com C. albicans, e os animais eutanasiados após dois dias de infecção com C. albicans. Em outro experimento, considerando um tempo mais tardio de infecção, os animais foram previamente infectados com MHV-A59 e após vinte e um dias infectados com C. albicans, sendo a eutanásia após dois dias de infecção com C. albicans. Foi coletado o lavado bronco-alveolar para análise de recuperação fúngica e avaliação do perfil de células T através de citometria de fluxo. O pulmão foi coletado para análises histopatológicas, de recuperação fúngica e viral, avaliação no perfil de ativação de células T, avaliação da atividade de neutrófilos e quantificação de citocinas. Em adição, também avaliamos a função pulmonar dos animais em tempos tardios, através de espirometria. Em nossas análises histopatológicas demonstramos que a infecção com Candida albicans após sete dias de infecção com MHV-A59 induziu um aumento de infiltrado inflamatório. Entretanto, quando os animais foram infectados com Candida albicans vinte e um dias após a infecção com MHV-A59, eles apresentaram perda significativa da estrutura do tecido pulmonar. Nossos resultados demonstraram que a infecção somente com C. albicans ou MHV-A59 não foi capaz de induzir aumento de linfócitos, por outro lado, o grupo submetido a ambas infecções apresentou aumento de células TCD8. No entanto, grupos infectados apenas com C. albicans, apresentaram aumento em células T reguladoras em relação aos grupos previamente infectados com MHV-A59 e
posteriormente infectados com C. albicans. Esses resultados sugerem a ineficiência do hospedeiro em desenvolver uma resposta reguladora frente a uma segunda infecção. De maneira interessante, nós observamos que apesar das alterações no perfil de celular, a
infecção com MHV não interferiu no clearance de C. albicans, bem como não induz alterações na atividade de neutrófilos. Também avaliamos função pulmonar em animais infectados com C. albicans vinte um dias após a infecção por MHV-A59, e eutanasiados após
dois e nove dias de infecção por C. albicans. Nossos resultados demonstraram comprometimento da função pulmonar após nove dias de infecção por C. albicans, com alterações dos parâmetros relacionados ao aumento do fluxo de ar e distensão do pulmão, compatível com o observado em doença pulmonar obstrutiva. Em conclusão, esses resultados indicam que a infecção por MHV-A59 induziu aumento de células T efetoras sem regulação adequada por células T reguladoras, frente a infecção secundária por C. albicans, provocando lesão pulmonar e comprometimento da função pulmonar.
Abstract
COVID-19 is an infectious disease caused by the SARS-CoV-2 virus that has led to a pandemic and has resulted in a high number of deaths and comorbidities. Vaccination against SARS-CoV-2 has contributed to reduce the number of deaths. However, it has been observed that patients infected with COVID-19 may have persistent symptoms despite vaccination or may develop new symptoms after recovery from the disease. This late-onset symptomatology is referred to as long COVID, although the immune mechanisms responsible for long COVID are not yet fully understood. In order to assess susceptibility to worsening in a subsequent infection, in the context of long COVID, we chose to use Candida albicans in our evaluations. C. albicans is a fungus of great clinical importance, with a high incidence in opportunistic infectious contexts, including infections caused by SARS-CoV-2. Our aim was therefore to investigate whether changes in the activation profile of T lymphocytes induced by coronavirus infection in mice influence host susceptibility to Candida albicans infection. To this end, we used an in vivo infection model in which we infected female C57BL/6 mice with MHV-A59 by intranasal administration and initially examined two infection time points. In the first experiment, the mice were infected with MHV-A59 and infected with C. albicans after seven days and euthanized two days after C. albicans infection. In another experiment with a later infection time point, the animals were pre-infected with MHV-A59 and infected with C. albicans after twenty-one days and euthanized two days after C. albicans infection. Bronchoalveolar lavage was collected for analysis of fungal utilization and evaluation of the T-cell profile by flow cytometry. Lungs were harvested for histopathologic analysis, analysis of fungal and viral debris, assessment of T-cell activation profile, assessment of neutrophil activity, and quantification of cytokines. We also examined the lung function of the animals at later time points using spirometry. In our histopathologic analyzes, we demonstrated that C. albicans infection led to an increase in inflammatory infiltrates seven days after MHV-A59 infection. However, when the animals were infected with C. albicans twenty-one days after MHV-A59 infection, they showed a significant loss of lung tissue structure. Our results showed that infection with C. albicans or MHV-A59 alone was not sufficient to cause an increase in lymphocytes. However, the group exposed to both infections showed an increase in CD8+ T cells. Nevertheless, the groups infected only with C. albicans showed an increase in regulatory T cells compared to the groups infected first with MHV-A59 and then with C. albicans. These results suggest that the inability of the host to develop a regulatory response against secondary infection is a key factor. Interestingly, we observed that MHV-A59 infection did not affect the clearance of C. albicans or induce changes in neutrophil activity, despite the changes in cellular profile. We also examined the lung function of animals infected with C. albicans twenty-one days after MHV-A59 infection and euthanized two and nine days after C. albicans infection. Our results showed pulmonary dysfunction after nine days of C. albicans infection, with changes in parameters related to increased airflow and pulmonary hyperinflation consistent with findings in chronic obstructive pulmonary disease (COPD). In summary, these results suggest that MHV A59 infection in response to secondary C. albicans infection triggers an increase in effector T cells without adequate regulation by regulatory T cells, leading to lung damage and impaired lung function.
Assunto
Microbiologia, Covid-19, Inflamação, Linfócitos, Candida albicans
Palavras-chave
COVID longa, COVID-19, Inflamação, Linfócitos, Candida albicans