Laços de Família: a oferta de parentes femininos no ciclo de vida das mulheres brasileiras, ao longo de três décadas (1980-2010)

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Family Ties: the availability of female kin in the life course of Brazilian women across three decades (1980–2010)

Primeiro orientador

Membros da banca

Laura Lídia Rodríguez Wong
Joice Melo Vieira

Resumo

Este estudo busca compreender como as redes de apoio se estruturam durante a menarca, menopausa e climatério, partindo da premissa de que as mulheres sustentam o funcionamento da sociedade por meio da provisão cotidiana de cuidados diretos e indiretos, mas também precisam de suporte em diferentes etapas de sua trajetória. Este estudo adota uma abordagem centrada no indivíduo para analisar a experiência das mulheres em diferentes arranjos domiciliares ao longo do ciclo de vida reprodutivo, permitindo uma avaliação da presença de parentes femininos no domicílio e sua variação em diferentes momentos da vida. Foram analisadas mulheres pertencentes a três faixas etárias específicas nos Censos Demográficos de 1980, 1991, 2000 e 2010, abrangendo os períodos da menarca (9 a 16 anos), menopausa (48 a 50 anos) e climatério (63 a 65 anos). A partir dos dados extraídos, identificou-se a corresidência dessas mulheres com diferentes parentes do sexo feminino, como mãe, filhas, irmãs, netas, avós, tias, primas e sobrinhas, além de contabilizar aquelas que vivem sozinhas. Com base nessa identificação, foi desenvolvida uma tipologia dos arranjos domiciliares, classificando as mulheres em três categorias distintas: aquelas que vivem sozinhas, aquelas que residem exclusivamente com parentes primários, e aquelas que convivem com parentes secundários. Para estimar o tempo esperado que as mulheres passam em cada configuração familiar, foi aplicada uma métrica que calcula a expectativa de vida em diferentes arranjos domiciliares, considerando as taxas de exposição a cada configuração ao longo do ciclo de vida. Esse cálculo foi realizado a partir das tábuas de mortalidade completas derivadas de tábuas abreviadas. Os resultados apontam que, ao longo do tempo, houve uma mudança nas dinâmicas de corresidência familiar. Durante a menarca, a figura materna se tornou mais central, com um aumento na corresidência com as mães, enquanto a presença das irmãs diminuiu. Também foi observado um leve aumento na corresidência com as avós. Na menopausa e no climatério, a corresidência com as filhas diminuiu, enquanto o apoio das mães aumentou. Além disso, notouse um aumento discreto na corresidência com netas, sugerindo maior interação intergeracional. Esses achados ressaltam a necessidade de políticas públicas que considerem as mudanças nos arranjos domiciliares, promovendo redes de suporte que garantam o bem-estar das mulheres ao longo de sua trajetória reprodutiva.

Abstract

This study aims to understand how support networks are structured during menarche, menopause, and climacteric, based on the premise that women sustain the functioning of society through the daily provision of direct and indirect care, but also need support at different stages of their life trajectory. This study adopts an individual-centered approach to analyze the experience of women in different household arrangements throughout the reproductive life cycle, allowing an assessment of the presence of female relatives in the household and their variation at different life stages. The study analyzed women from three specific age groups in the 1980, 1991, 2000, and 2010 Demographic Censuses, covering the periods of menarche (9 to 16 years), menopause (48 to 50 years), and climacteric (63 to 65 years). From the extracted data, the co-residence of these women with different female relatives, such as mothers, daughters, sisters, granddaughters, grandmothers, aunts, cousins, and nieces, was identified, along with those living alone. Based on this identification, a typology of household arrangements was developed, classifying the women into three distinct categories: those who live alone, those who reside exclusively with primary relatives, and those who live with secondary relatives. To estimate the expected time women, spend in each family configuration, a metric was applied to calculate life expectancy in different household arrangements, considering the exposure rates to each configuration throughout the life cycle. This calculation was conducted using complete mortality tables derived from abridged tables. The results indicate that, over time, there has been a shift in family co-residence dynamics. During menarche, the maternal figure became more central, with an increase in co-residence with mothers, while the presence of sisters decreased. A slight increase in co-residence with grandmothers was also observed. In menopause and climacteric, co-residence with daughters decreased, while support from mothers increased. Additionally, a slight increase in co-residence with granddaughters was noted, suggesting greater intergenerational interaction. These findings highlight the need for public policies that consider changes in household arrangements, promoting support networks that ensure the well-being of women throughout their reproductive trajectory.

Assunto

Demografia da família, Distribuição por sexo (Demografia), Levantamentos domiciliares

Palavras-chave

Demografia da família, Famílias domiciliares, Corresidência feminina, Ciclo de vida, Ciclo reprodutivo, Cuidado

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