Lesões epiteliais benignas e malignas da orofaringe: aspectos demográficos, detecção do Papilomavírus Humano (HPV) e avaliação da resposta imune
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Benign and malignant epithelial lesions of the oropharynx: demographic aspects, Human Papillomavirus (HPV) detection, and immune response assessment
Primeiro orientador
Membros da banca
Ricardo Alves de Mesquita
Vanessa de Fátima Bernardes
Sérgio Vitorino Cardoso
Karine Duarte da Silva
Vanessa de Fátima Bernardes
Sérgio Vitorino Cardoso
Karine Duarte da Silva
Resumo
Este estudo avaliou a frequência, características clínico-patológicas e o status HPV
de carcinoma de células escamosas (CCE) de orofaringe e lesões epiteliais benignas
relacionadas ao HPV, diagnosticadas no laboratório de Patologia Oral da Faculdade
de Odontologia da Universidade Federal de Minas Gerais (FO-UFMG). Além disso,
uma revisão da literatura foi realizada para investigar a frequência do HPV em CCE
de orofaringe diagnosticados em centros brasileiros. O estudo também identificou e
comparou a presença de neutrófilos e redes extracelulares de neutrófilos (NET) em
CCE de orofaringe HPV-positivos e HPV-negativos, e quantificou neutrófilos, linfócitos
B, e linfócitos T nesses casos, bem como em papilomas escamosos da orofaringe.
Foram incluídos casos diagnosticados entre 1997 e 2021, com diagnóstico
histopatológico de papiloma escamoso, condiloma acuminado, verruga vulgar e CCE.
Dados clínico-patológicos foram coletados e o status HPV analisado nos CCEs por
imunoistoquímica e hibridização in situ. A segunda etapa do estudo incluiu espécimes
de biópsia de CCE de orofaringe, que foram submetidos à imunoistoquímica para
CD66b para detecção dos neutrófilos e imunofluorescência para identificar NETs por
colocalização de mieloperoxidase (MPO) e histona citrulinada H3 (H3Cit). Na última
etapa, utilizou-se imunoistoquímica para identificar neutrófilos (CD66b), linfócitos B
(CD20), linfócitos T citotóxicos (CD8) e linfócitos T auxiliares (CD4) nos CCEs HPV positivos, HPV-negativos e papilomas escamosos. Foram analisados 211 CCEs
(63,0%) e 124 lesões benignas (37,0%). A frequência de CCE de orofaringe aumentou
ao longo do tempo, enquanto carcinomas HPV-positivos permaneceram infrequentes,
e lesões benignas mantiveram tendências constantes. CCE de orofaringe afetou mais
homens (81,0%), embora a frequência relativa em mulheres tenha aumentado ao
longo dos anos. Tabagismo (60,2%) foi comum nos casos de CCE. 19 carcinomas
(13,0%) foram HPV-positivos. Tumores HPV-positivos e HPV-negativos apresentaram
características clinicopatológicas similares (p>0.05). Lesões benignas predominaram
em mulheres (57,3%) de meia-idade (26,7%), afetando principalmente o palato mole
(81,5%). A revisão de literatura incluiu 32 estudos, com 60% reportando frequência de
HPV inferior a 25% no CCE de orofaringe. CCEs HPV-positivos e HPV-negativos
apresentaram infiltração neutrofílica similar (p>0,05), mas com maior liberação de NET
nos HPV-positivos (p<0,05). A expressão de NET não impactou a sobrevida global
(p>0,05). Lesões benignas apresentaram menor número de células CD66b+ e CD20+
do que lesões malignas (p<0,05). CD8+ e CD4+ não diferiram entre os grupos
(p>0,05). No CCE HPV-positivo, linfócitos T CD4+ predominaram sobre os demais
subtipos celulares analisados (p<0,05). No CCE HPV-negativo, uma diferença
significativa foi observada apenas entre CD4+ e CD20+ (p<0,001). Lesões benignas
expressaram mais CD4+ e CD8+ do que CD20+ e CD66b+ (p<0,05). A sobrevida
global não foi associada aos índices de CD66b, CD20, CD8 ou CD4 (p>0,05). A
prevalência de CCE de orofaringe aumentou nos últimos 25 anos, sendo mais
associada ao tabagismo do que à infecção por HPV. Lesões benignas mantiveram
frequência constante. O HPV pode estimular a liberação de NET no CCE de
orofaringe. Lesões malignas demonstraram maior infiltração de CD66b e CD20 do que
lesões benignas. Observou-se uma resposta pronunciada de células T em lesões
epiteliais malignas e benignas da orofaringe.
Abstract
This study aimed to evaluate the frequency, clinicopathological characteristics, and
HPV status of oropharyngeal squamous cell carcinoma (OP-SCC) and benign
epithelial lesions related to HPV, diagnosed at the Oral Pathology Service, School of
Dentistry, of Universidade Federal de Minas Gerais. Additionally, a literature review
was performed to investigate HPV frequency in OP-SCC samples diagnosed in
Brazilian Centers. The study also aimed to identify and compare the presence of
neutrophils and neutrophil extracellular traps (NETs) in HPV-positive and HPV negative OPSCC cases, and to quantify neutrophils, B-lymphocytes, and T
lymphocytes in these cases, as well as in oropharyngeal squamous papillomas. Cases
diagnosed between 1997 and 2021 with histopathological diagnoses of squamous
papilloma, condyloma accuminatum, verruca vulgaris, and OP-SCC, were included.
Clinicopathological data were collected, and HPV status in OPSCCs was assessed
using immunohistochemistry and in situ hybridization. Bivariate statistical analysis was
performed. In the second step, OPSCC biopsy specimens were submitted to
immunohistochemistry for CD66b to detect neutrophils and immunofluorescence to
identify NETs through colocalization of myeloperoxidase (MPO) and citrullinated
histone H3 (H3Cit). In the final step, immunohistochemistry was used to identify
neutrophils (CD66b), B-lymphocytes (CD20), cytotoxic T lymphocytes (CD8), and
helper T lymphocytes (CD4) in HPV-positive and HPV-negative OPSCC cases, as well
as squamous papillomas. 211 OPSCC (63.0%) and 124 benign lesions (37.0%) were
analyzed. The frequency of OPSCC increased over time, while HPV-positive
carcinomas remained infrequent, and benign lesions had steady trends. OPSCC
affected more males (81.0%), although the relative frequency in females rose over
time. Smoking (60.2%) was common in OPSCC, and nineteen OP-SCC (13.0%) were
positive for HPV. HPV-positive and HPV-negative tumors exhibited similar
clinicopathological features (p>0.05). Benign lesions predominated in middle-aged
(26.7%) women (57.3%), in the soft palate (81.5%). The literature review included 32
studies; in 60%, HPV frequency in OP-SCC was less than 25%. HPV-positive and
HPV-negative OPSCCs showed similar neutrophil infiltration (p>0.05), but NET
release was higher in HPV-positive tumors (p<0.05). NET expression did not affect
overall survival (p>0.05). Benign lesions had a lower infiltration of CD66b+ and CD20+
cells than malignant lesions (p<0.05). CD8+ and CD4+ cells did not differ significantly
among the groups (p>0.05). In HPV-positive OPSCC, CD4+ T cells outnumbered the
other cell subtypes analyzed (p<0.05). In HPV-negative OPSCC, a significant
difference was observed only between CD4+ and CD20+ cells (p<0.001). Benign
lesions expressed higher levels of CD4+ and CD8+ cells than CD20+ and CD66b+
cells (p<0.05). Overall survival was not associated with CD66b, CD20, CD8, or CD4
indexes (p>0.05). OP-SCC prevalence has been increasing, and it was mostly
associated with smoking and alcohol rather than with HPV infection in Brazil. Benign
lesions had a stationary frequency. HPV may stimulate NET release in the OP-SCC
microenvironment. Malignant lesions demonstrated higher infiltration of CD66b and
CD20 than benign lesions. A pronounced T-cell response was observed in both
malignant and benign epithelial lesions of the oropharynx.
Assunto
Neutrófilos, Neoplasias orofaríngeas, Imunidade inata, Imunidade adaptativa, Papillomavirus Humano
Palavras-chave
Neutrófilos, Neoplasias orofaríngeas, Imunidade inata, Imunidade adaptativa, Papillomavirus Humano
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