Secretoma no tratamento de lesão dermonecrótica induzida pelo veneno de Loxosceles intermedia
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Ana Flávia Machado Botelho
Felipe Pierezan
Felipe Pierezan
Resumo
Objetivou-se avaliar os efeitos do secretoma, em feridas dermonecróticas em coelhos submetidos
à injeção de veneno de Loxosceles intermedia. Foram utilizados 16 coelhos machos, adultos,
Nova Zelândia, com peso médio de 2,0 kg, distribuídos em quatro grupos (n=4). À exceção do
grupo controle (grupo I), que foi submetido apenas à aplicação de secretoma (60μg de secretoma
diluído em tampão fosfato-salina a 0,5%), todos os outros grupos foram submetidos à
administração de 10μg de veneno de Loxosceles intermedia, diluído em NaCl 0,9%, via
intradérmica (ID) na região interescapular e, tratados 30 minutos após a injeção do veneno, da
seguinte forma: grupo II (NaCl 0,9%, via ID); grupo III (60μg de secretoma diluído em tampão
fosfato-salina 0,5%, via ID) e, grupo IV (60μg de secretoma diluído em tampão fosfato-salina
0,5% via endovenosa - EV). Os animais foram avaliados diariamente e realizados registros
fotográficos em altura pré-definida de 30 cm para posterior análise da evolução da área da ferida
por morfometria. Amostras de sangue foram coletadas imediatamente antes da aplicação do
veneno (tempo 0) e 3, 9 e 15 dias após, para avaliação e monitoração de parâmetros
hematológicos e bioquímicos séricos e plasmáticos. Após 15 dias os animais foram eutanasiados,
submetidos a necropsia e amostras de pele ao redor da lesão foram coletadas para posterior
análise histológica. Os resultados demonstraram que os animais do GI não apresentaram edema,
eritema, halo ou necrose. No primeiro dia da injeção do veneno, após tratamentos com secretoma,
os animais do GIII e GIV, apresentaram maior grau de edema, quando comparado aos animais
do GII. Todavia, no 15ª dia de avaliação, o edema foi menor nos animais do GIII e GIV e, de
forma inversa, maior no GI. O eritema foi observado nos grupos que receberam veneno de L.
intermedia (GII, GIII e GIV), e comparativamente, no primeiro dia, nos grupos II e III foram
similares entre si, e diferentes do GIV que apresentou menor diâmetro de eritema (p<0,05). O
halo hemorrágico não foi observado no GI e nos animais que receberam veneno (GII, GIII e
GIV), nos tempos 1 e 3, não houve diferença (p>0,05). Deve ser salientado que, no nono dia,
somente nos animais do GIV, ainda havia halo hemorrágico. Todavia, macroscopicamente, no
GIV, apenas um animal apresentou evolução para ferida dermonecrótica. Na avaliação
microscópica, não foram observadas alterações na pele dos animais do GI, entretanto, apesar de
todos animais que foram desafiados com o veneno, apresentarem alterações muito semelhantes,
como necrose e infiltração heterofílica, no GIV, os animais apresentaram ativação fibroblástica,
desenvolvimento precoce de tecido conjuntivo, neovascularização e reepitelização tecidual,
conferindo alternativa comprovadamente eficaz em relação ao processo de cicatrização. Em
relação a hematologia não houve alteração digna de nota e na bioquímica sérica, somente houve
aumento na concentração de CK no tempo 3, nos grupos GIII e GIV e, posterior redução a partir
do nono dia. Esses mesmos grupos também apresentaram aumento de LDH e ureia, porém os
valores permaneceram dentro dos parâmetros fisiológicos para a espécie leporina. Conclui-se
que a terapia com o secretoma pode ser utilizada na cicatrização da ferida dermonecrótica no
loxoscelismo.
Abstract
The objective was to evaluate the effects of the secretome, in dermonecrotic wounds in rabbits
subjected to injection of Loxosceles intermedia. Sixteen male, adult, New Zealand rabbits, with
a mean weight of 2.0 kg, were distributed in four groups (n=4). Except for the control group
(group I), which was subjected only to the application of secretome (60μg of secretome diluted
in 0.5% phosphate-saline buffer), all other groups were subjected to the administration of 10μg
of L. intermedia venom, diluted in 0.9% NaCl, via intradermal (ID) in the interscapular region
and, treated 30 minutes after the venom injection, as follows: group II (NaCl 0.9%, via ID);
Group III (60μg of secretome diluted in 0.5% phosphate-saline buffer, via ID) and, group IV
(60μg of secretome diluted in 0.5% phosphate-saline buffer intravenous - IV). Animals were
evaluated daily and photographic records were taken at a predefined height of 30 cm for later
analysis of the evolution of the wound area by morphometry. Blood samples were collected
immediately before venom application (time 0) and 3, 9 and 15 days after, for evaluation and
monitoring of hematological and serum and plasma biochemical parameters. After 15 days, the
animals were euthanized, submitted to necropsy, and skin samples around the lesion were
collected for subsequent histological analysis. The results showed that the animals in GI did not
have edema, erythema, hemorrhagic halo or necrosis. On the first day of venom injection, after
secretome treatments, the animals in GIII and GIV showed a more significant degree of edema,
when compared to the animals in GII. However, on the 15th day of evaluation, the edema was
lower in the animals of GIII and GIV, and conversely, higher in GI. Erythema was observed in
the groups that received L. intermedia venom (GII, GIII and GIV), and comparatively, on day
1st, groups II and III were similar to each other, and different from GIV which showed smaller
erythema diameter (p<0.05). The hemorrhagic halo was not observed in GI and in the animals
that received venom (GII, GIII, and GIV), at times 1 and 3, there was no difference (p>0.05). It
should be noted that on the 9th day, only in the animals of GIV, there was still a hemorrhagic
halo. However, macroscopically, in GIV, only one animal showed evolution to a dermonecrotic
wound. In the microscopic evaluation, no changes were observed in the skin of animals of GI,
however, although all animals that were challenged with the venom presented very similar
changes, such as necrosis and heterophilic infiltration, in GIV, the animals showed fibroblastic
activation, early development of connective tissue, neovascularization, and tissue
reepithelialization, conferring a proven effective alternative in relation to the healing process.
Regarding hematology, there was no noteworthy change, and in biochemistry serum profile, there
was only an increase in CK concentration at time 3, in groups GIII and GIV, and a subsequent
reduction from day 9. These same groups also showed an increase in LDH and urea, but the
values remained within the physiological parameters for the leporine species. It is concluded that
secretome therapy can be used in dermonecrotic wound healing in loxoscelism.
Assunto
Palavras-chave
Loxosceles, Loxoscelismo, Aranha veneno
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