Maternidade e representações femininas em Lutas do coração, de Inês Sabino, Virgindade inútil, de Ercília Nogueira Cobra, e O quinze, de Rachel de Queiroz

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Elisa Maria Amorim Vieira
Luiz Fernando Ferreira Sa
Anna Faedrich Martins Lopez
Gilberto Araújo de Vasconcelos Júnior

Resumo

A proposta central desta tese é realizar uma discussão sobre a maternidade exercida por mulheres transgressoras, a partir da leitura de três romances oitocentistas: Lutas do coração, de Inês Sabino; Virgindade inútil, de Ercília Nogueira Cobra; e O quinze, de Rachel de Queiroz. Produzidos no Brasil em um período que compreende o final do século XIX e início do século XX, essas obras emergem em meio a um discurso burguês que resume o destino da mulher a ser esposa e mãe. A maternidade, portanto, era uma obrigação de todas as mulheres, embora ter filhos fosse privilégio apenas das mulheres honestas, que se casavam virgens. Visão contrária era relacionada aos corpos da mulher sexualmente ativa ou da prostituta, que eram considerados doentes e incapazes de gerar filhos saudáveis para o Estado. A partir dessa representação da mulher pelo discurso burguês, considerada o anjo do lar, fértil e pura, levantamos a hipótese de que, embora o exercício da maternidade pelas protagonistas dos romances em tela, em um primeiro momento, possa aparentar um assujeitamento das personagens ao discurso dominante a respeito da maternidade redentora, destino inexorável das mulheres, o modo como a maternidade é exercida apresentaria indícios de resistência a esse discurso. Ainda que as protagonistas dos romances tenham se tornado mães, observamos que elas não personificassem o perfil da mulher ideal burguesa, mas contestaram a posse de seus corpos e de sua descendência pelos homens.

Abstract

The central proposal of this thesis is to advance a discussion about maternity as carried out by transgressive women in three Brazilian novels: Lutas do coração, by Inês Sabino; Virgindade inútil, by Ercília Nogueira Cobra; and O quinze, by Rachel de Queiroz. Written in the period that goes from the end of the XIX century to the beginning of the XX century, these novels appear in the context of a bourgeois culture that defines the condition of women in terms of wife and mother. Maternity was an obligation of all women, even though bearing children was considered to be a privilege of honest women only, that is, those who had married as virgins. An opposite perception was directed to the bodies of women who were sexually active or prostitutes, viewed as sick and unable to bear healthy children to the State. Starting with this bourgeois representation of women, perceived as the angels of the home, fertile and pure, the hypothesis to be explored in this thesis is that, even though the condition of maternity in the protagonists of the novels may appear at first sight to be one of submission, it is possible to detect, in a closer look, signs of resistance to bourgeois discourse. Even though the protagonists became mothers, they do not have the profile of the ideal bourgeois woman. They fight for the possession of their bodies and against their submission to men.

Assunto

Mulheres e literatura, Mulheres Vida e costumes sociais, Sabino, Ignez, 1853-1911 Lutas do coração Crítica e interpretação, Crítica literária feminina, Queiroz, Rachel de, 1910-2003 Qinze Crítica e interpretação, Cobra, Ercilia Nogueira, 1891- Virgindade inútil Crítica e interpretação, Literatura brasileira Sec XVII, Relações de gênero

Palavras-chave

Inês Sabino, feminine representations, mulher, transgression, transgressão, maternidade, Rachel de Queiroz, representações femininas, motherhood, Ercília Nogueira Cobra, women

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