O tempo é o mesmo para todos? um estudo sobre percepções temporais com jovens trabalhadores de São Paulo (SP) e Curitiba (CR)

Carregando...
Imagem de Miniatura

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Universidade Federal de Minas Gerais

Descrição

Tipo

Artigo de evento

Título alternativo

Primeiro orientador

Membros da banca

Resumo

Dizemos que o tempo é o melhor remédio, é o senhor da razão, é dinheiro, que o tempo não para, que não temos tempo a perder. Mas, o que é o tempo? Nós construímos o tempo ou o tempo nos constrói? O tempo passa por nós ou nós passamos por ele? Existiria uma concepção de tempo comum a todos ou o tempo varia conforme pessoas, grupos, organizações, culturas e países? A partir do momento em que a humanidade passou a ter consciência do tempo e, posteriormente, passou a mensurá-lo, sua concepção e relação com o tempo foi se alterando. Antes encarado como algo linear, o tempo passou a ser visto como algo cheio de bifurcações e dimensões, algo irregular, com uma velocidade que ocasiona regimes temporais incertos e instáveis (GRISCI, 1999). A compressão do tempo e do espaço implica na representação de um tempo de insegurança, no qual as tradições e o passado foram paulatinamente abandonados e o futuro é visto como imediato e incerto. A mensuração sólida transformou-se em algo líquido, fluido, num tempo em que as pessoas precisam se manter no ritmo ditado por outrem para não se perderem, o que significa “mudar o guarda-roupa, a mobília, o papel de parede, a aparência, os hábitos – em suma, você mesmo – tão frequentemente quanto consiga.” (BAUMAN, 2007, p. 108). Essa realidade encontra-se vinculada ao discurso globalizante, da modernidade, da mudança incessante, da necessidade de adoção de características de pessoas multifuncionais e dinâmicas. Nesse contexto, as maneiras de lidar com o tempo sofreram grandes transformações, incluindo avanços nos estudos sobre o tema, embora seja comum o sentimento contraditório de que quanto mais avançam os esforços para compreensão e controle sobre o tempo, mais parece que os indivíduos são escravizados por ele (MELLO; TONELLI, 2002b). Na sociedade contemporânea, o tempo é visto por muitos como uma mercadoria e envolve um senso de urgência que dita o ritmo do cotidiano das pessoas, tornando a aceleração e a velocidade comuns no ambiente de trabalho e nas demais esferas da vida (TONELLI, 2008). Discorrendo sobre o tema, Bluedorn e Jaussi (2007) chamam atenção às diferentes percepções que os sujeitos podem ter acerca do tempo para lidar com a vida e o trabalho. Os autores elencam cinco dimensões temporais, a saber: policronicidade, velocidade, pontualidade, profundidade temporal, e, por fim, arrastamento. Dependendo de como o sujeito lida com essas dimensões temporais, elas podem afetar o relacionamento entre os profissionais, tanto em relação à duração quanto a qualidade desses relacionamentos, além de trazer possíveis impactos em atitudes e crenças sobre si mesmos (BLUEDORN; JAUSSI, 2007), sendo importante compreender a heterogeneidade que envolve as formas de se situar em relação ao tempo e as suas implicações em termos de adequação (maior ou menor) do sujeito ao tipo de trabalho a ser realizado e em termos de constituição de suas vivências laborais. Nesse sentido, torna-se importante entender como os indivíduos lidam com o tempo na vida e no trabalho, uma vez que ele constitui uma dimensão que atravessa todas as vivências humanas. No caso específico de pessoas mais jovens, a forma com que percebem e lidam com o tempo pode estar relacionada às dificuldades pelas quais eles passam nessa fase da vida, em que transitam entre a leveza da infância e as responsabilidades da vida adulta (TOMÁS; OLIVEIRA; RIOS-NETO, 2008) e, ainda, às dificuldades que enfrentam em relação ao mundo laboral (REIS, 2015; VERIGUINE; BASSO; SOARES, 2014). Os jovens trabalhadores podem ser entendidos como os trabalhadores na faixa etária de 15 a 24 anos (UNFPA, 2010), caracterizados por suas peculiaridades (POCHMANN,1998; PAIVA, 2016) e pelo fato de que usualmente se inserem em contextos trabalhistas marcados por incerteza, precariedade e informalidade (LOUGHLIN; LANG, 2005; TUCKER; LOUGHLIN, 2006; BOTELHO, 2016), realizando tarefas de natureza empobrecida e de cunho rotineiro e repetitivo (PAIVA; SOUZA, 2016). Conforme dados da Organização das Nações Unidas (ONU), a juventude brasileira está em segundo lugar no ranking de pessimismo em relação ao trabalho (WICKERT, 2006). Os aspectos econômicos e sociais podem tornar o contexto de transição para o trabalho ainda mais difícil, considerando que os jovens situados em grupos mais vulneráveis enfrentam ainda mais dificuldades. Questões como gênero, raça, classe social, local de moradia e acesso à escolaridade representam aspectos preocupantes que impactam essa transição (UNFPA, 2010; VENTURI; TORINI, 2014; MESQUITA; JÚNIOR; SIMÕES, 2012). Dessa forma, torna-se relevante realizar estudos envolvendo jovens em situações de vulnerabilidade social e sua relação com o mundo do trabalho, como é o caso dos jovens atendidos pela Associação de Ensino Social Profissionalizante, o ESPRO. O ESPRO é uma instituição reconhecida pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social, que atua em quatro eixos: Programa Jovem Aprendiz e Estágio, Programa Formação para o Mundo do Trabalho, Oficinas de Arte e Cultura e Desenvolvimento Social. A instituição defende que “a educação e a assistência social são a base do desenvolvimento integral do ser humano e, por isso, sua atuação é totalmente focada na transformação de vida dos jovens, familiares e das comunidades onde vivem” (Relatório de Atividades Anual ESPRO, 2015, p. 60). Dos jovens atendidos pela instituição, 47% são considerados em situação de alta vulnerabilidade social e 35% em situação de altíssima vulnerabilidade social, enquanto em situação de média e baixa vulnerabilidade estão 16% e 2%, respectivamente (Relatório de Atividades Anual ESPRO, 2015). Considerando-se as diversas percepções, vivências temporais e a diversidade marcante desse grupo laboral, o objetivo geral deste estudo foi analisar e comparar como se configuram as percepções temporais de jovens trabalhadores assistidos pelo ESPRO das cidades de São Paulo (SP) e Curitiba (PR). Para tanto, o referencial teórico deste artigo envolve conceitos de tempo e tempo nas organizações, assim como as dimensões temporais apresentadas por Bluedorn e Jaussi (2007) e as peculiaridades do público abordado. Após esclarecer a metodologia da pesquisa, passa-se à apresentação e análise dos dados, seguidas das considerações finais do artigo

Abstract

Assunto

Administração de empresas, Mão-de-obra jovem, Trabalho

Palavras-chave

Tempo, Percepções Temporais, Jovens Trabalhadores

Citação

Curso

Endereço externo

http://www.sisgeenco.com.br/sistema/cbeo/anais2018/ARQUIVOS-resumos/GT9-136-52-20180507144337.pdf

Avaliação

Revisão

Suplementado Por

Referenciado Por