Efeito agudo do jejum de 16 horas no desempenho físico e em variáveis psicobiológicas em adultos com excesso de peso

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Acute effect of a 16-hour fast on physical performance and on psychobiological variables in overweight adults

Primeiro orientador

Membros da banca

Mauro Heleno Chagas
Guilherme Artioli

Resumo

A prática do jejum tem sido utilizada como estratégia dietética para perda de peso, mas os seus efeitos sobre o desempenho físico permanecem inconclusivos. Sendo assim, este estudo é um ensaio clínico randomizado que visou avaliar a influência aguda do jejum de 16 horas em pessoas com sobrepeso ou obesidade, não treinadas, sobre o desempenho físico e variáveis psicobiológicas. O atual estudo foi composto por 2 sessões experimentais: uma sessão em jejum de 15h, concluindo 16h de jejum após o término da sessão e a outra em estado alimentado, com refeição prévia realizada 1h antes do exercício. Participaram do estudo 14 voluntários, sendo 10 mulheres (idade média de 36,3 ± 9,2 anos; IMC 28,4 ± 3,3 kg/m²) e 4 homens (idade média de 37,5 ± 9,6 anos; IMC 30,7 ± 4,2 kg/m²). O protocolo de esforço consistiu no treinamento de força na musculação (supino na máquina, leg press 45º (LEG), remada na máquina) prancha abdominal isométrica e exercício contínuo na esteira ergométrica (ECE). O desempenho foi avaliado pelo volume total da carga (VTC), pelo tempo máximo de isometria na prancha abdominal e pela distância total percorrida no ECE. A PSE sessão foi registrada 30 minutos pós-esforço. A percepção de fome, a glicemia e o humor, foram avaliados nos momentos pré e pós sessões experimentais. A análise do consumo alimentar foi realizada através de registros alimentares, nos dias em que ocorreram as sessões experimentais. Os resultados demonstraram que não houve diferenças significativas entre as condições para o VTC (jejum: 7.229 ± 4.063; alimentado: 7.263 ± 4.157; p=0,696); tempo máximo de isometria na prancha abdominal (jejum: 72.8 ± 20.4; alimentado: 73.7 ± 24.8; p=0,809); distância percorrida no ECE (jejum: 1.52 ± 0.21; alimentado: 1.52 ± 0.17; p=0,844) e PSE sessão (jejum: 263 ± 101; alimentado: 250 ± 116; p=0,599). No entanto, a fome foi significativamente maior no jejum (33.57 ± 23.17 pré; 44,14 ± 27,86 pós; p< 0,001) em comparação ao estado alimentado (4,21 ± 6,03 pré; 13,57 ± 12,51 pós). A condição alimentar exerceu influência significativa sobre os níveis glicêmicos pré-exercício, sendo estes mais elevados na condição alimentada (117,0 ± 21,0 vs. 100,1 ± 12,4; p< 0,001). No momento pré sessão experimental, os valores de glicemia foram significativamente mais altos na condição alimentado em comparação ao jejum (p = 0,012). Além disso, apenas na condição alimentado observou-se uma redução significativa da glicemia entre os momentos pré e pós-sessão experimental (p = 0,002). Já no jejum, não houve diferença entre os dois momentos (p = 1,000). Ao final da sessão experimental, a diferença glicêmica inicialmente observada entre jejum e estado alimentado deixou de existir (p = 1,000). Não foram observadas diferenças significativas nos domínios de humor (p<0,05), assim como na ingestão energética média (kcal) entre as condições experimentais (jejum: 1.479 ± 496; alimentado: 1.720 ± 682; p=0,078). Conclui-se que, de forma aguda, o jejum de 16h não compromete o desempenho físico, a PSE sessão, o humor e o consumo alimentar, mas intensifica a fome e modifica a resposta glicêmica durante o esforço.

Abstract

Fasting has been used as a dietary strategy for weight loss, but its effects on physical performance remain inconclusive. Therefore, this study is a randomized clinical trial designed to evaluate the acute influence of a 16-hour fast in overweight or obese, untrained individuals on physical performance and psychobiological variables. The present study consisted of two experimental sessions: one performed after 15 hours of fasting, which was completed as a 16-hour fast at the end of the session, and another in a fed state, with a meal consumed 1 hour before exercise. Fourteen volunteers participated in the study, including 10 women (mean age 36.3 ± 9.2 years; BMI 28.4 ± 3.3 kg/m²) and 4 men (mean age 37.5 ± 9.6 years; BMI 30.7 ± 4.2 kg/m²). The exercise protocol included resistance training (machine bench press, 45º leg press, machine row), an isometric abdominal plank, and continuous treadmill exercise (CTE). Performance was assessed by total training volume (TTV), maximum plank isometry time, and total distance covered during CTE. Session RPE was recorded 30 minutes post-exercise. Hunger perception, blood glucose, and mood were evaluated before and after the experimental sessions. Dietary intake analysis was performed using food records on the days the experimental sessions occurred. The results showed no significant differences between conditions for TTV (fasting: 7,229 ± 4,063; fed: 7,263 ± 4,157; p=0.696); maximum plank isometry time (fasting: 72.8 ± 20.4; fed: 73.7 ± 24.8; p=0.809); distance covered in CTE (fasting: 1.52 ± 0.21; fed: 1.52 ± 0.17; p=0.844); and session RPE (fasting: 263 ± 101; fed: 250 ± 116; p=0.599). However, hunger was significantly greater during fasting (33.57 ± 23.17 pre; 44.14 ± 27.86 post; p<0.001) compared with the fed state (4.21 ± 6.03 pre; 13.57 ± 12.51 post). Nutritional status had a significant influence on pre-exercise blood glucose, which was higher in the fed condition (117.0 ± 21.0 vs. 100.1 ± 12.4; p<0.001). Before the experimental session, blood glucose values were significantly higher in the fed condition compared to fasting (p = 0.012). Moreover, only in the fed condition was a significant reduction in blood glucose observed between pre- and post-session moments (p = 0.002), whereas no difference was found in the fasting state (p = 1.000). However, by the end of the session, the initial glycemic difference between fed and fasting conditions was no longer significant (p = 1.000). No significant differences were observed in mood domains (p<0.05) or in mean energy intake (kcal) between experimental conditions (fasting: 1,479 ± 496; fed: 1,720 ± 682; p=0.078). In conclusion, acutely, a 16-hour fast does not impair physical performance, session RPE, mood, or dietary intake but increases hunger and alters the glycemic response during exercise.

Assunto

Jejum intermitente, Aptidão física, Treinamento de força, Musculação

Palavras-chave

treinamento de força, jejum intermitente, apetite, glicemia, excesso de peso

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