Memórias de rio e de gente
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Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
River and people memories
Primeiro orientador
Membros da banca
Bruno Sena Martins
Raquel Oliveira Santos Teixeira
Cláudia Andréa Mayorga Borges
Raquel Oliveira Santos Teixeira
Cláudia Andréa Mayorga Borges
Resumo
A dissertação, cuja metodologia tem inspiração nos procedimentos do campo etnográfico, examina os desdobramentos do desastre ocasionado pelo rompimento da barragem de Fundão sobre as moradoras e moradores atingidos em Mariana (Minas Gerais, Brasil), nomeadamente nos distritos de Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo, Paracatu de Cima, Pedras e Campinas. O objetivo foi compreender, tomando em conta as relações intersubjetivas, como as vítimas têm lidado com as perdas e reconfigurado suas memórias e práticas socioespaciais. Para isso, parto da contextualização do município de Mariana no cenário da mineração e desta no modelo de desenvolvimento amplamente implementado no Brasil. Evoco, em seguida, as afetações sobre as vítimas a partir dos usos dos espaços nos distritos e dos usos a que agora estão submetidas no centro urbano de Mariana. Além de terem que se adaptar a espaços provisórios, precisam traduzir seus modos de vida em arenas de negociação nas quais, de diversas formas, são silenciadas. Nesse sentido, ressalto formas de proliferação do sofrimento social (DAS, 1998) e indícios de manifestação da violência lenta (NIXON, 2011), sobre moradoras e moradores. Aponto, por fim, formas de resistência que emergem e ensaio aproximações entre as lutas travadas em Mariana com aquelas que se fazem ao longo da bacia do rio Doce. As conclusões apontam para as ideias de que, entre os sujeitos atingidos, as relações entre a memória e as terras em que cresceram teceram-se de maneira estreita e duradoura. Se a emergência do desastre obriga às atingidas e atingidos reconfigurarem suas práticas e restabelecerem as paisagens de suas memórias, é a partir da escuta de suas vozes que processos de reparação justos poderão ocorrer e da mobilização de suas lembranças que novas formas de resistência encontrarão caminhos.
Abstract
This dissertation, based on ethnographic inspiration, examines the consequences of the disaster caused by the rupture of the Fundão dam over the residents affected in Mariana (Minas Gerais, Brazil), in Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo, Paracatu de Cima, Pedras e Campinas. The objective was to understand, taking into account inter-subjective relationships, how the victims are dealing with losses and reconfiguring their memories and social-spatial practices. I first illustrate the contextualization of the municipality in the mining scenario and then describe it inserted in the mining development model. Subsequently, I recall the affectations produced on the residents' lives from the uses of space in the districts and the uses in which they are now subjected in the Mariana city center. The residents had to adapt to temporary spaces and had to translate their ways of life into arenas of negotiation, where, in many ways, they are continuously silenced. In this sense, I emphasize ways of proliferating social suffering (DAS, 1998) and evidence of the manifestation of slow violence (NIXON, 2011) upon them. Finally, I point out emerging forms of resistance and look for approximations between the struggles waged in Mariana and those that take place along the Rio Doce basin. The conclusions point to the ideas that, among the affected subjects, the relations between memory and the lands on which they grew up were built in a Strong and lasting way. If the emergency of the disaster forces those affected to reconfigure their practices and restore the ladscape of their memories, it is fom listenning to their voices that just repair processes can occur and from the mobilization of their memories that new forms on resistance may be found.
Assunto
Desastres ambientais, Impacto ambiental, Mineração, Violência, Memória
Palavras-chave
Desastre da Samarco/ Vale/ BHP Billiton, Sofrimento social, Violência lenta, Espaço, Memória
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