Magnitude das disparidades na perda dentária baseadas na escolaridade, entre pessoas idosas, nos anos de 2003, 2010 e 2023
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
Título alternativo
Magnitude of disparities in tooth loss based on educational attainment among older adults in 2003, 2010, and 2023
Primeiro orientador
Membros da banca
Desirée Santana Haikal
Rosana Leal do Prado
Rosana Leal do Prado
Resumo
Este estudo analisou a magnitude das disparidades socioeconômicas na perda dentária entre idosos brasileiros nos anos de 2003, 2010 e 2023. Trata-se de um estudo comparativo, empregando dados secundários de três inquéritos nacionais (SB Brasil) obtidos por amostragem probabilística por conglomerados da população brasileira com idades entre 65 e 74 anos. Os desfechos analisados foram o edentulismo, definido como a ausência dos 32 dentes permanentes, e a dentição funcional, caracterizada como a presença de, pelo menos, 21 dentes naturais. O indicador socioeconômico foi o nível educacional dos participantes, categorizado em: 0 (nenhum estudo), 1-4, 5-8, 9-11 e 12 ou mais anos de estudo. As desigualdades foram estimadas por meio do Índice Angular de Desigualdade (IAD), Índice Relativo de Desigualdade (IRI) e Índice de Concentração (IC), ajustados por idade e sexo. Os resultados indicaram redução na prevalência de edentulismo de 53,33% em 2003 para 36,47% em 2023. Em relação à dentição funcional, observou-se aumento na proporção de idosos com ≥ 21 dentes: de 9,89% em 2003 para 23,95% em 2023. No entanto, as iniquidades relacionadas à educação aumentaram. O IAD para o edentulismo passou de -0,1644 em 2003 para -0,4184 em 2023, revelando que, ao longo do tempo, a perda dentária entre idosos tornou-se ainda mais concentrada entre aqueles com menor escolaridade. Para a dentição funcional, o IAD também indicou um aumento das disparidades: de 0,0601 em 2003 para 0,3086 em 2023, sinalizando que a melhora da saúde bucal ocorreu majoritariamente entre os mais escolarizados. O IRI para o edentulismo variou de 0,7683 em 2003 para 0,3349 em 2023, ambos os valores abaixo de 1, revelando também a maior prevalência do edentulismo nos grupos socialmente desfavorecidos. Já para a dentição funcional, o IRI foi de 1,7556 em 2003 para 4,8794 em 2023, evidenciando aumento na desigualdade da manutenção da dentição funcional, que se concentra entre idosos com maior nível educacional. O Índice de Concentração, por sua vez, apresentou resultado semelhante: para o edentulismo, variou de -0,0530 em 2003 para -0,1852 em 2023; e, para a dentição funcional, de 0,0981 para 0,2368 no mesmo período. Os resultados dos índices evidenciam que, embora os indicadores de saúde bucal tenham melhorado ao longo do tempo, as disparidades educacionais não apenas persistiram, como se ampliaram. A presença de um gradiente social desfavorável aos idosos com menor escolaridade, reforça que os benefícios das políticas públicas, como a Política Nacional de Saúde Bucal (PNSB), não tem sido distribuído de forma equitativa. A melhora foi mais acentuada entre os grupos mais escolarizados, que tendem a se beneficiar mais com as políticas, por já disporem de outras condições favoráveis à saúde. Diante disso, destaca-se a urgência de fortalecer estratégias de cuidado que considerem as desigualdades estruturais, promovendo o acesso universal à população idosa.
Abstract
This study analyzed the magnitude of educational disparities in tooth loss among Brazilian older adults in 2003, 2010, and 2023. This is a comparative study using secondary data from three national surveys (SB Brasil) obtained through probabilistic cluster sampling of the Brazilian population aged 65 to 74 years. The outcomes analyzed were edentulism, defined as the absence of all 32 permanent teeth, and functional dentition, defined as the presence of at least 21 natural teeth. The socioeconomic indicator was participants’ educational level, categorized as: 0 (no education), 1–4, 5–8, 9–11, and 12 or more years of schooling. Inequalities were estimated using the Slope Index of Inequality (SII), the Relative Index of Inequality (RII), and the Concentration Index (CI), adjusted for age and sex. Results indicated a reduction in the prevalence of edentulism from 53.33% in 2003 to 36.47% in 2023. Regarding functional dentition, an increase was observed in the proportion of older adults with ≥21 teeth: from 9.89% in 2003 to 23.95% in 2023. However, education-related inequities increased over time. The SII for edentulism changed from –0.1644 in 2003 to –0.4184 in 2023, showing that tooth loss has become increasingly concentrated among those with lower educational attainment. For functional dentition, the SII also indicated growing disparities: from 0.0601 in 2003 to 0.3086 in 2023, suggesting that improvements in oral health occurred mainly among the more educated. The RII for edentulism decreased from 0.7683 in 2003 to 0.3349 in 2023, with both values below 1, indicating a higher prevalence among socially disadvantaged groups. In contrast, the RII for functional dentition rose from 1.7556 in 2003 to 4.8794 in 2023, highlighting increasing inequality in the maintenance of functional dentition, concentrated among those with higher educational levels. The Concentration Index showed similar results: for edentulism, it varied from –0.0530 in 2003 to –0.1852 in 2023; and for functional dentition, from 0.0981 to 0.2368 over the same period. The results of the indices show that, although oral health indicators have improved over time, educational disparities have not only persisted but have widened. The presence of a social gradient unfavorable to older adults with lower educational levels reinforces that the benefits of public policies, such as the National Oral Health Policy (PNSB), have not been equitably distributed. Improvements were more pronounced among more educated groups, who tend to benefit more from such policies due to already having other favorable conditions for health. Therefore, there is an urgent need to strengthen care strategies that account for structural inequalities, promoting universal access to care for the older population.
Assunto
Desigualdades de saúde, Mensuração das desigualdades em saúde, Perda de dente, Serviços de saúde para idosos
Palavras-chave
Saúde bucal, Iniquidade em saúde, Mensuração das desigualdades em saúde, Perda de dente, Serviços de saúde para idosos