Leishmaniose Visceral no Estado do Tocantins: padrões espaciais, espaço-temporais, temporais e fatores associados ao óbito Belo Horizonte 2025
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tese de doutorado
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Resumo
A leishmaniose visceral (LV) é um problema urgente de saúde pública com ampla distribuição no Brasil e rápida expansão no estado do Tocantins. O objetivo deste estudo foi analisar a distribuição espacial, espaço-temporal e temporal das taxas de incidência e mortalidade e os fatores associados ao óbito por LV no Tocantins. Realizou-se estudos ecológicos e uma coorte histórica dos casos Incidentes confirmados notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). As unidades espaciais de análise foram as oito regiões de saúde do estado. O primeiro capítulo analisou a distribuição espacial e espaço-temporal das taxas de incidência de LV, por município do Tocantins, entre 2000 e 2022. Foram realizadas análises de Moran Global, Moran Local, Varredura espaço-temporal e Elipse de Distribuição Direcional das médias das taxas de incidência por município, em cinco quadriênios e um triênio. No segundo capítulo realizou-se uma análise temporal de tendência e sazonalidade das taxas de incidência, por região de saúde do Tocantins, entre 2000 e 2022. Foi realizada análise temporal de sazonalidade e GAM temporal. O terceiro capítulo aborda a distribuição espacial e espaço-temporal das taxas de mortalidade e os fatores prognósticos associados ao óbito por LV no Tocantins, por meio de Moran Global, Moran Local e Varredura espaço-temporal das médias das taxas de mortalidade e regressão logística multinível, entre 2010 e 2019. Este estudo observou oscilações nas taxas de incidência anuais de LV no Tocantins, com aumento após 2004 e queda após 2012. A taxa de incidência média para todo o período foi de 17,4 casos/100.000 habitantes. A distribuição espacial e espaço-temporal mostrou-se heterogênea, com áreas de maior risco para LV principalmente na região norte do estado. Até 2003, os casos se concentravam nas regiões mais centrais do estado, com deslocamento posterior e permanência nas regiões centro-norte do Tocantins. A doença apresentou sazonalidade, principalmente entre os meses de abril e junho. As taxas de mortalidade por LV são distribuídas de forma heterogênea no Tocantins. Os óbitos foram associados à idade (≤1 ano e >60 anos) e manifestações clínicas como fenômenos hemorrágicos, esplenomegalia e coinfecção pelo HIV. A LV é persistente em algumas regiões do Tocantins e os achados neste estudo sugerem a necessidade de estratégias individualizadas para estas regiões. A identificação de possíveis
sazonalidades permite o planejamento de ações preventivas regulares e antecipadas, como intensificação do controle do vetor, campanhas de educação em saúde e mobilização comunitária. Os resultados também reforçam a necessidade de ações voltadas aos grupos vulneráveis, por meio do fortalecimento da atenção primária à saúde, capacitação das equipes multiprofissionais e acesso oportuno ao diagnóstico e tratamento. A promoção de melhorias nas condições de vida da população deve ser parte integrante das estratégias de controle da LV. Adicionalmente, a aplicação de ferramentas estatísticas pode ser incorporada às rotinas de vigilância epidemiológica. A formação continuada das equipes técnicas responsáveis pelo monitoramento também é uma ação estratégica.
Abstract
Visceral leishmaniasis (VL) is an urgent public health problem with widespread
distribution in Brazil and rapid expansion in the state of Tocantins. The aim of this study
was to analyze the spatial, spatiotemporal, and temporal distribution of incidence and
mortality rates, as well as the factors associated with death due to VL in Tocantins.
Ecological studies and a historical cohort of confirmed incident cases reported in the
Notifiable Diseases Information System (SINAN) were conducted. The spatial units of
analysis were the eight health regions of the state. The first chapter analyzed the
spatial and spatiotemporal distribution of VL incidence rates by municipality in
Tocantins between 2000 and 2022. Global Moran’s I, Local Moran’s I, space-time scan
analysis, and directional distribution ellipse analysis of average incidence rates per
municipality were performed across five four-year periods and one three-year period.
The second chapter conducted a temporal trend and seasonality analysis of VL
incidence rates by health region of Tocantins from 2000 to 2022. Seasonality analysis
and temporal generalized additive models (GAM) were applied. The third chapter
addresses the spatial and spatiotemporal distribution of mortality rates and the
prognostic factors associated with death due to VL in Tocantins, using Global Moran’s
I, Local Moran’s I, space-time scan analysis of average mortality rates, and multilevel
logistic regression, between 2010 and 2019. This study observed fluctuations in annual
VL incidence rates in Tocantins, with an increase after 2004 and a decline after 2012.
The average incidence rate for the entire period was 17.4 cases per 100,000
inhabitants. Spatial and spatiotemporal distribution was heterogeneous, with higher-
risk areas for VL mainly in the northern region of the state. Until 2003, cases were
concentrated in the more central regions of the state, with a subsequent shift and
persistence in the central-northern regions of Tocantins. The disease showed
seasonality, especially between April and June. VL mortality rates were
heterogeneously distributed in Tocantins. Deaths were associated with age (≤1 year
and >60 years) and clinical manifestations such as hemorrhagic phenomena,
splenomegaly, and HIV coinfection. VL remains persistent in certain regions of
Tocantins, and the findings of this study suggest the need for tailored strategies for
these areas. Identifying potential seasonal patterns allows for the planning of regular
and proactive preventive actions, such as intensified vector control, health education
campaigns, and community mobilization.The results also reinforce the need for actions
targeting vulnerable groups through the strengthening of primary health care, training
of multiprofessional teams, and timely access to diagnosis and treatment. Improving
living conditions should be an integral part of VL control strategies. Additionally, the
application of statistical tools can be incorporated into routine epidemiological
surveillance. Ongoing training of technical teams responsible for monitoring is also a
strategic measure.
Assunto
Parasitologia, Leishmaniose Visceral /mortalidade, Incidência
Palavras-chave
Leishmaniose visceral, Incidência, Áreas Prioritárias., Modelagem de Dados Temporais, Mortalidade, Fatores Prognósticos