As cartas de amor de Simone de Beauvoir : um estudo sobre o amor e as parcerias amorosas na modernidade

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

Título alternativo

Simone de Beauvoir's love letters: a study of love and romantic partnerships in modernity

Primeiro orientador

Membros da banca

Maria Elisa Parreira Alvarenga
Aline Aguiar Mendes

Resumo

Este trabalho parte de uma pergunta acerca das transformações nas parcerias amorosas ao longo do tempo e sobre a da concepção do amor no sujeito contemporâneo em relação a épocas anteriores. Como ponto de partida, formulamos o conceito de modernidade a partir da visão de Charles Baudelaire e outros leitores e delimitamos o período pós-guerra como um marco temporal de importância para essa pesquisa, por ser considerado um momento de modificações culturais, sociais e simbólicas expressivas. Para tanto, utilizamos dos conceitos psicanalíticos de Freud a Lacan, partindo da moral civilizada de Freud que revela efeitos negativos sob sujeito e sob suas relações. Adiante, observamos que isso pode ser lido partir da estrutura ficcional do grande Outro, encarnado como um supereu gozador. Porém, ao presenciarmos tempos da queda de muitos ideais vistos como “ultrapassados”, experimentamos a ascensão do mestre capitalista e o declínio do grande Outro. Nessa conjuntura, privilegiou-se a singularidade de Simone de Beauvoir como fio condutor para compreender o amor em um período de significativas mudanças. Sua trajetória pessoal e intelectual, marcada por uma visão não normativa do amor e por experiências amorosas contingentes, oferece um rico material para esse estudo. A pesquisa se debruça sobre suas cartas de amor a Jean-Paul Sartre e Nelson Algren, bem como sobre suas autobiografias, buscando cernir sua posição subjetiva como mulher e amante em diferentes contextos relacionais. A metodologia adotada é de caráter teórico-clínico, fundamentada nos princípios da psicanálise que valorizam a singularidade do sujeito para além das categorias universais. A vida de Beauvoir, nesse sentido, é elevada à condição de paradigma, não com o intuito de definir um diagnóstico clínico, mas para extrair elementos únicos que possam iluminar a compreensão dos seus laços amorosos. A carta de amor, nessa pesquisa, é investigada como um instrumento de suplência à ausência, símbolo da inexistência da relação sexual e uma via de expressão da verdade singular do sujeito. As conclusões da pesquisa apontam para a persistência do mal-estar na cultura, mesmo diante da aparente permissividade sexual, e para a transmutação das modalidades de gozo sob a égide do capitalismo. A experiência de Simone de Beauvoir emerge como um paradigma que confronta as normas estabelecidas, revelando a complexidade e a singularidade do encontro amoroso. Suas invenções relacionais e sua busca por liberdade abrem novas perspectivas para pensar o amor em tempos modernos.

Abstract

This work stems from a question regarding the transformations in romantic partnerships over time and about the permanence of the conception of love in the contemporary subject in relation to previous eras. As a starting point, we formulate the concept of modernity based on the vision of Charles Baudelaire and other readers, and we delimit the post-war period as a significant temporal marker for this research, as it is considered a moment of expressive cultural, social, and symbolic modifications. For this purpose, we draw upon the psychoanalytic concepts from Freud to Lacan, starting with Freud's civilized morality, which reveals negative effects on the subject and their relationships. Furthermore, we observe that this can be understood from the fictional structure of the big Other, embodied as a jouissance-driven superego. However, as we witness times of the fall of many ideals seen as "outdated," we experience the rise of the capitalist master and the decline of the big Other. In this context, the singularity of Simone de Beauvoir is privileged as a guiding thread to understand love in a period of significant changes. Her personal and intellectual trajectory, marked by a non-normative view of love and contingent romantic experiences, offers rich material for this study. The research delves into her love letters to Jean-Paul Sartre and Nelson Algren, as well as her autobiographies, seeking to understand her subjective position as a woman and lover in different relational contexts. The adopted methodology is of a theoretical-clinical nature, based on the principles of psychoanalysis that value the singularity of the subject beyond universal categories. Beauvoir's life, in this sense, is elevated to the condition of a paradigm, not with the aim of defining a clinical diagnosis, but to extract unique elements that can illuminate the understanding of her love ties. The love letter, in this research, is investigated as an instrument of making up for absence, a symbol of the non-existence of the sexual relationship, and a means of expressing the singular truth of the subject. The research conclusions point to the persistence of malaise in culture, even in the face of apparent sexual permissiveness, and to the transmutation of the modalities of jouissance under the aegis of capitalism. Simone de Beauvoir's experience emerges as a paradigm that confronts established norms, revealing the complexity and singularity of the romantic encounter. Her relational inventions and her pursuit of freedom open new perspectives for thinking about love in modern times.

Assunto

Psicologia - Teses, Psicanálise - Teses, Cartas - Teses, Beauvoir, Simone, 1908-1986, Amor - Teses

Palavras-chave

Amor, Cartas, Mal-estar, Modernidade, Beauvoir, Psicanálise

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