Uso espontâneo de estratégias no treinamento cognitivo da memória de trabalho para crianças escolares

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Membros da banca

Karina da Silva Oliveira
Mônia Aparecida da Silva
Alessandra Gotuzo Seabra
Daniela Karine Ramos

Resumo

Nas últimas duas décadas, protocolos de treinamento da memória de trabalho têm ganhado cada vez mais foco no cenário científico mundial, na tentativa de alcançar ganhos duradouros cognitivos e na vida diária das pessoas. O emprego de estratégias durante treinos da memória de trabalho em crianças, embora pareça promissor, ainda é pouco investigado, principalmente o uso espontâneo de estratégias durante programas de intervenção cognitiva. A presente tese procurou avançar os estudos nesta área de pesquisa apresentando três estudos: (a) Uso espontâneo de estratégias no treinamento cognitivo: um novo caminho para melhores resultados; (b) Desenvolvimento e Validade de Conteúdo da Escala de Levantamento de Estratégias para Treinos Cognitivos; e (c) Uso Espontâneo de Estratégias no Treinamento Cognitivo da Memória de Trabalho para Crianças. O primeiro estudo traz um ensaio teórico cujo objetivo foi discutir o uso espontâneo de estratégias como um meio para melhorar o uso explícito de estratégias em protocolos de treino da memória de trabalho. Foi realizado um levantamento de estudos que investigam o uso espontâneo de estratégias. A maioria dos estudos analisados observou que os participantes usaram estratégias mesmo sem receber instruções para isso. O segundo estudo teve como objetivo apresentar o processo de criação e os estudos iniciais de validade com o público-alvo da escala de Levantamento de Estratégias para Treinos Cognitivos. Os resultados encontrados no estudo de análise de juízes sugerem, no geral, coeficientes de validade de conteúdo adequados para quase todos os itens. Os resultados do estudo de inteligibilidade com o público-alvo sugerem boa compreensão dos itens pela maioria das crianças. Os resultados destes estudos ajudam a compreender como as crianças usam estratégias para atingir os objetivos propostos em tarefas de memória de trabalho. Por fim, o terceiro estudo buscou investigar, mais especificamente, o uso espontâneo de estratégias, no período pós-pandêmico, durante a aplicação de um treino da memória de trabalho em crianças brasileiras e o uso dessas estratégias em outros contextos, como a sala de aula e em casa. O programa testado foi construído para a realidade brasileira e possui cinco tarefas com enredos próprios, caráter adaptativo e sistema de recompensa. Participaram do estudo 40 crianças (média da idade = 8,75 anos; dp = 0,95 anos) alocadas aleatoriamente entre grupo controle (média da idade = 8,35; dp = 1,09) e experimental (média da idade = 8.05; dp = 0,95) e participaram da intervenção por oito sessões. O grupo controle respondeu a perguntas sobre a mesma temática presente no treino, mas sem relação com a memória de trabalho. Para a amostra geral, a estratégia mais utilizada foi o ensaio vocal (18,8%). No grupo controle, a estratégia mais utilizada foi “outra” (25,6%), enquanto a mais utilizada no grupo experimental foi ensaio vocal (37,5%). Ademais, os resultados sugerem que o grupo experimental era mais provável de usar estratégias OR = 8,72; z = 3,24 p = 0,001. Entretanto, parece não haver associação do grupo e utilização da estratégia nas tarefas escolares e tarefas de casa (p > 0,05). O treino da memória de trabalho eliciou o uso de estratégias nos participantes, fazendo com que as crianças escolhessem estratégias mais específicas para atingir os objetivos das tarefas apresentadas. Os possíveis mecanismos para esses achados são discutidos, considerando o contexto de pós-pandemia em que foi realizado o estudo.

Abstract

Assunto

Psicologia - Teses, Cognição - Teses, Memória - Teses, Aprendizagem - Teses

Palavras-chave

Treino cognitivo, Crianças, Memória de trabalho, Estratégias

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