Intelectuais nômades e reforma psiquiátrica brasileira : cartografando trajetórias na produção do comum

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Membros da banca

Ana Maria Pitta
João Leite Ferreira Neto
Tereza Cristina Peixoto
Claudia Maria Filgueiras Penido

Resumo

A literatura marca diferentes campos e atores que, somados, produziram condições de possibilidades de emergência da reforma psiquiátrica brasileira. A figura do intelectual parece estar sempre presente, seja em menção ao histórico produzido por visitas realizadas ao Brasil ou por embates travados, mediante possibilidades de retrocessos na política de saúde mental, por aqueles inseridos em meios acadêmicos e associações. O objetivo central desta pesquisa de doutorado foi cartografar trajetórias de resistência na saúde mental com foco na experiência do intelectual, em face da participação política na construção e defesa da reforma psiquiátrica brasileira. Com o caráter exploratório, recorremos ao material disponibilizado em arquivo digital pelo Projeto Memória da Reforma Psiquiátrica no Brasil, desenvolvido na Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), mais especificamente, as entrevistas realizadas com cinco (5) importantes atores da reforma psiquiátrica em nosso país e, também, realizamos uma entrevista narrativa, com orientação cartográfica, feita pelo autor desta tese, com outro intelectual militante da reforma, não entrevistado pelo referido Projeto, mas igualmente importante. Incialmente, buscamos pensar a figura do intelectual nômade, conceito empregado nesta tese para dizer desse sujeito que insurge como agente político e revolucionário, experimentando novas subjetivações e a constituição de novos territórios, tomando o comum como potência de criação. Posteriormente, discutimos o caráter nômade das reformas sanitária e psiquiátrica no Brasil e a dimensão constituinte de linhas autônomas com relação ao aparelho de Estado. Partimos da compreensão de que a reforma psiquiátrica compartilha do mesmo momento e de práticas de luta e resistência presentes na reforma sanitária e na redemocratização do país. Finalmente, por meio dos dados produzidos nas entrevistas, acompanhamos um percurso de tessitura de uma rede que se formou na conexão de linhas produzidas em diferentes momentos e espaços, e que marcaram a instituição de um comum na militância pela reforma. Com trajetórias singulares e experiências que modificam não apenas o contexto, mas, também a si mesmos, os intelectuais, sejam acadêmicos, trabalhadores ou gestores, ocuparam os espaços de luta e criaram possibilidades de encontros que reverberam construções coletivas, práticas inventivas e movimentos disruptivos na construção da reforma. Defendemos que a participação dos intelectuais na construção e defesa da reforma psiquiátrica sempre esteve atrelada a um espaço de experimentação de práticas coletivas, democráticas e desejantes.

Abstract

Assunto

Psicologia - Teses, Reforma psiquiátrica - Teses, Intelectuais - Teses

Palavras-chave

Intelectuais, Reforma psiquiátrica

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