Avaliação diagnóstica e prognóstica dos níveis plasmáticos de procalcitonina, proteína c reativa e copeptina na infecção bacteriana secundária em pacientes com Covid-19 internados em unidade de terapia intensiva
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Andreza Werli Alvarenga
Saulo Fernandes Saturnino
Saulo Fernandes Saturnino
Resumo
Introdução: Infecção bacteriana secundária é a principal causa de morte nos pacientes com
COVID-19 grave internados em unidade de terapia intensiva (UTI), especialmente naqueles
submetidos à ventilação mecânica invasiva. Identificar essas infecções é desafiador, já que as
manifestações clínicas, laboratoriais e de imagem podem se sobrepor àquelas causadas pelo
SARS-CoV-2. A utilidade de biomarcadores, como a proteína C reativa (PCR), procalcitonina
(PCT) e a copeptina para identificação de infecção bacteriana em pacientes com COVID-19
grave não está bem estabelecida. Objetivo: Avaliar o papel dos níveis circulantes de PCT, PCR
e copeptina na identificação de infecção bacteriana secundária em pacientes com COVID-19,
internados em UTI, assim como a associação dessas moléculas com o prognóstico desses
indivíduos. Métodos: Estudo observacional, prospectivo, conduzido na UTI de um hospital
universitário de Belo Horizonte, MG, de abril/2020 a maio/2021. Foram incluídos pacientes
adultos (≥ 18 anos), com diagnóstico de COVID-19 confirmado. PCR, PCT e copeptina séricas
foram dosadas à admissão (D1), no terceiro (D3) e sétimo (D7) dias de internação na UTI.
Dividiu-se os pacientes em dois grupos: com e sem infecção relacionada à assistência à saúde
(IRAS) por bactérias, cuja ocorrência foi definida pela equipe assistente. Resultados: Foram
incluídos 86 pacientes, com idade mediana de 62 anos (45 - 71). Quarenta e seis pacientes
(54%) tiveram IRAS (mediana de 7 dias após inclusão), das quais 71,7% foram confirmadas
por cultura microbiológica. Noventa por cento dos pacientes apresentavam comorbidades,
destacando-se hipertensão arterial sistêmica (64%), diabetes mellitus (41.9%) e obesidade
(24.4%). A maioria utilizou ventilação mecânica invasiva (70,9%), vasopressores (69,8%) e
realizou hemodiálise (85,9%). O subgrupo IRAS apresentou escore SOFA (Sequential Organ
Failure Assessment) significativamente mais alto do que o grupo sem IRAS nos três períodos
de avaliação D1 6 (4 – 9) vs 4 (2 – 8), p=0,007; D3 7 (4 – 9) vs 4 (3 – 7), p<0,003; e D7 7 (5 –
10) vs 4 (3 – 7), p=0,005. Ainda que tenham sido observados níveis séricos de PCR (D7), PCT
(D7) e copeptina (D3 e D7) significativamente mais elevados no subgrupo com IRAS na análise bivariada, essas diferenças não permaneceram na análise ajustada para a gravidade e presença de comorbidades. Apenas o escore SOFA mostrou-se independentemente associado à ocorrência da IRAS, no D3 = OR, 1.197; IC95% (1,033 – 1,387), p= 0,017; e no D7= OR,
1.261; IC95% (1,034 – 1,536), p=0,022). Pacientes com IRAS apresentaram maior tempo de
internação na UTI (17 [10-29] vs 7,5 [3-10] dias, p <0,001) e no hospital (25 [12-43] vs 13 [7
- 20] dias, p=0,001), bem como maior mortalidade hospitalar (73,9% vs 32,5%, p<0,001). Os
níveis séricos de copeptina foram significativamente mais elevados entre pacientes que
faleceram durante a internação hospitalar, com acurácia moderada (68,5%) para este desfecho, considerando o ponto de corte de 22,0 pmol/L. Conclusão: As dosagens da PCT, PCR e copeptina, embora mais altas no grupo de pacientes com COVID-19 que desenvolveram IRAS, não conseguiram distinguir pacientes com e sem esta complicação, estando aparentemente mais associadas à gravidade clínica e mortalidade.
Abstract
Introduction: Secondary bacterial infection is the main cause of death in patients with severe
COVID-19 admitted to the intensive care unit (ICU), especially in those undergoing invasive
mechanical ventilation. Identifying these infections is challenging, as clinical, laboratory, and
imaging manifestations can overlap with those caused by SARS-CoV-2. The usefulness of
biomarkers such as C-reactive protein (CRP), procalcitonin (PCT) and copeptin for identifying
bacterial infection in patients with severe COVID-19 is not well established. Objective: To
evaluate the role of circulating levels of PCT, CRP and copeptin in identifying secondary
bacterial infection in patients with COVID-19 admitted to the ICU, as well as the association
of these molecules with the prognosis of these individuals. Methods: Observational,
prospective study conducted in the ICU of a university hospital in Belo Horizonte, MG, from
April/2020 to May/2021. Adult patients (≥ 18 years old) with a confirmed diagnosis of COVID 19 were included. Serum CRP, PCT and copeptin were measured on admission (D1), on the
third (D3) and seventh (D7) days of ICU stay. Patients were divided into two groups: with and
without healthcare-associated infection (HAI) by bacteria, whose occurrence was defined by
the assistant team. Results: We included 86 patients, with a median age of 62 years (45 - 71).
Forty-six patients (54%) had HAI (median 7 days after inclusion), of which 71,7% were
confirmed by microbiological culture. Ninety percent of patients had comorbidities, with
emphasis on systemic arterial hypertension (64%), diabetes mellitus (41.9%) and obesity
(24.4%). Most used invasive mechanical ventilation (70.9%), vasopressors (69.8%) and
underwent hemodialysis (85.9%). The HAI subgroup had a significantly higher SOFA score
(Sequential Organ Failure Assessment) than the group without HAI in the three evaluation
periods D1 6 (4 – 9) vs 4 (2 – 8), p=0.007; D3 7 (4 – 9) vs 4 (3 – 7), p<0.003; and D7 7 (5 –
10) vs 4 (3 – 7), p=0.005. Even though significantly higher serum levels of CRP (D7), PCT
(D7) and copeptin (D3 and D7) were observed in the subgroup with HAI in the bivariate
analysis, these differences did not remain in the analysis adjusted for the severity and presence
of comorbidities. Only the SOFA score was independently associated with the occurrence of
HAI, on D3 = OR, 1,197; 95% CI (1.033 - 1.387), p= 0.017; and at D7= OR, 1.261; 95% CI
(1.034 - 1.536), p=0.022). Patients with HAI had longer ICU stays (17 [10-29] vs 7.5 [3-10]
days, p <0.001) and hospital stays (25 [12-43] vs 13 [7 - 20] days, p=0.001), as well as higher
hospital mortality (73.9% vs 32.5%, p<0.001). Serum copeptin levels were significantly higher
among patients who died during hospitalization, with moderate accuracy (68.5%) for this
outcome, considering the cutoff point of 22.0 pmol/L. Conclusion: PCT, CRP and copeptin
dosages, although higher in the group of patients with COVID-19 who developed HAI, failed
to distinguish patients with and without this complication, apparently being more associated
with clinical severity and mortality.
Assunto
COVID-19, Infecções bacterianas, Pró-Calcitonina, Proteína C-Reativa, Pacientes Internados, Respiração Artificial, Estudo Observacional, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
COVID-19, Infecção relacionada à assistência à saúde, Procalcitonina, Proteína C reativa, SARS-CoV-2, Copeptina