Diversidade Genética e reconhecimento imune de proteínas de superfície de merozoítos de plasmodium falciparum (MSP-1 e MSP-2) em indivíduos expostos à malária no Brasil.
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Tese de doutorado
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Primeiro orientador
Membros da banca
Maria Regina D Imperio Lima
Mauricio Martins Rodrigues
Luzia Helena Carvalho
Rodrigo Correa de Oliveira
Mauricio Martins Rodrigues
Luzia Helena Carvalho
Rodrigo Correa de Oliveira
Resumo
ResumoUma das características da maioria dos antígenos de estágios extracelulares dos plasmódios é a presença de regiões repetitivas contendo epitopos imunodominantes. As duas proteínas de superfície de merozoítos de Plasmodium falciparum candidatas à vacina, MSP-1 e MSP-2, representam exemplos desses antígenos. Em regiões de elevada endemicidade, a diversidade genética dessas proteínas tem sido descrita como fator limitante para a rápida aquisição de imunidade protetora, além de ter implicações no desenvolvimento e eficiência de vacinas. Entretanto, este tema tem sido pouco abordado em regiões de transmissão instável como as áreas endêmicas brasileiras. No presente estudo, avaliou-se a distribuição de subclasses de IgG anti-MSP-1 e anti-MSP-2 em indivíduos provenientes de duas regiões endêmicas na Amazônia brasileira, correlacionando-a à diversidade genética apresentada pelos isolados naturais de P. falciparum. Em indivíduos provenientes de um estudo seccional conduzido no Garimpo Satélite (Apiacás-MT), níveis similares de subclasses de IgG que reconhecem o bloco 17 conservado (PfMSP-119) e o bloco 2 polimórfico (famílias alélicas MAD20, K1 e RO33) da MSP-1 foram observados, independente da expressão clínica da doença (sintomáticas ou assintomáticas). A associação entre o perfil de anticorpos anti-MSP-1 (blocos 2 e 17) e o tempo de exposição em área endêmica não foi observada entre os grupos de indivíduos avaliados. Sete diferentes haplótipos relacionados ao bloco 2 foram detectados entre os isolados naturais de P. falciparum seqüenciados, sugerindo uma limitada diversidade genética entre as populações de parasito circulantes na região. O perfil da resposta de subclasses anti-MSP2 também foi investigado. É interessante observar que uma característica marcante da resposta humoral observada para antígenos que integram a porção polimórfica da MSP-2 (bloco 3/ famílias alélicas FC27 e 3D7) foi a polarização para IgG3, também observada para antígenos do bloco 2 da MSP-1. Essa polarização parece associar-se a características inerentes aos epitopos imunogênicos, sendo pouco influenciada pelo grau de exposição à malária (tempo de exposição em área endêmica), idade e presença de infecção patente por P. falciparum. Outra observação interessante diz respeito à ausência de associação entre a família alélica infectante e a resposta de subclasses específicas. Uma provável explicação para este fato é a ocorrência do fenômeno imunológico denominado clonal imprinting (ou impressão clonal) no qual espera-se que freqüentes reinfecções com populações geneticamente distintas de parasitos induzam um aumento nos níveis de anticorpos preexistentes, mas não a produção de anticorpos com novas especificidades. Essa hipótese foi testada em um estudo longitudinal conduzido entre 35 indivíduos residentes em uma comunidade rural do estado do Acre (Ramal do Granada-Acrelândia) por um período de 15 meses. A detecção dos níveis de anticorpos anti-MSP-2 antes, durante e/ou após a exposição de cada indivíduo aos parasitos locais foi avaliada durante o seguimento. No ponto inicial do estudo, 16 indivíduos não infectados mas, reportando episódios passados de malária, falharam em reconhecer três diferentes variantes antigênicas que integram a família alélica 3D7. Entretanto, durante a infecção com parasitos 3D7, seis indivíduos passaram a apresentar anticorpos família-específicos, o que contraria a idéia de ocorrência de impressão clonal. Além disso, antígenos que representam a família alélica FC27 foram predominantemente reconhecidos na linha de base do estudo (n=356), havendo expressiva reatividade cruzada de anticorpos variante-específicos que integram essa família. Ao contrário do observado para a família 3D7, os anticorpos anti-FC27 permaneceram estáveis durante o seguimento, sugerindo uma produção dependente de células T e, portanto, com indução de memória imunológica. Entretanto, esses anticorpos específicos não protegeram os indivíduos de uma nova infecção por parasitos homólogos. Nossos estudos apontam para a real necessidade de se pesquisar a reposta imune contra antígenos polimórficos candidatos à vacina antimalárica em diferentes realidades epidemiológicas.
Abstract
Assunto
Plasmodium falciparum, Parasitologia, Proteinas da membrana, Malária
Palavras-chave
Plasmodium falciparum, Resposta imune, Parasitologia, MSP-2, MSP-1, Malária