Características reprodutivas de éguas submetidas a um protocolo de indução de ovulação contendo progesterona e ECG
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
REPRODUCTIVE CHARACTERISTICS OF MARES SUBMITTED TO A OVULATION INDUCTION PROTOCOL CONTAINING PROGESTERONE AND ECG
Primeiro orientador
Membros da banca
Guilherme Ribeiro do Valle
Marc Roger Jean Marie Henry
Marc Roger Jean Marie Henry
Resumo
Medicamentos que objetivam induzir e sincronizar as ovulações são usualmente
utilizados em éguas destinadas a inseminação artificial, doação ou recepção de embriões.
Neste sentido, a progesterona (P4), por várias vias de administração são úteis para a
sincronização do estro. Em bovinos, a administração de gonadotrofina coriônica equina
(eCG) nos protocolos de P4 intravaginal tem sido recomendada pela ação no
desenvolvimento dos folículos de vacas em anestro, melhorando o tamanho do folículo
ovulatório (FO), área do corpo luteo (CL) e a taxa de gestação das mesmas. Em éguas, a
ovulação fora da estação reprodutiva pode ocasionar regressão luteal precoce (RPCL),
reduzindo desempenho reprodutivo. Podem estar relacionadas a RPCL a ovulação de
folículos menores e/ou a deficiência na secreção de esteroides pelo folículo ovulatório
(FO). Embora utilizada na reprodução de equinos em protocolos de superovulação,
poucos trabalhos investigaram o efeito da eCG associado a indutores de ovulação (GnRH
ou LH) nas características ovulatórias, o que poderia ser interessante principalmente para
éguas fora da estação de reprodutiva. Nossa hipótese é que a sincronização ovulatória
com implante intravaginal de P4 associada ao eCG possa melhorar o tamanho do folículo
ovulatório (proporcionando maior produção de E2 pelo mesmo) e a qualidade do CL
posteriormente formado (relacionando-se a uma maior produção de P4 pelo mesmo).
Assim, este estudo tem por objetivo acompanhar o desenvolvimento folicular e avaliar o
momento da ovulação, características do FO e do CL, bem como níveis séricos de P4 e
E2, comparando a eficácia de dois protocolos de sincronização da ovulação a base de P4
intravaginal, associada ou não ao eCG, em éguas sincronizadas no período de transição
estacional (ET) e durante a estação reprodutiva (ER). Foram utilizadas 15 éguas entre 03
e 08 anos de idade, mestiças, em boas condições corporais. Todos os animais foram
submetidos ao mesmo protocolo hormonal a base de 1,9 g de P4 intravaginal (1,9 g;
CIDR®, Zoetis, São Paulo, Brasil), com o hCG (Gonadotrofina Coriônica Humana) como
indutor de ovulação (1.750 UI; 0,7 ml; i.v.; Vetecor®, Hertape, Juatuba, Brasil) durante
o período de transição estacional (primavera; período de irregularidade na ciclicidade) e
durante a estação reprodutiva (verão; período de ciclicidade regular). Metade dos animais
receberam aplicação intramuscular de 400 UI (2ml; i.m.; Novormon®, Zoetis, São Paulo
Brasil) de eCG (grupo eCG) no momento da retirada do implante de P4 enquanto a outra
metade recebeu aplicação i.m. de 2 ml de solução salina (grupo controle). Os dados foram
comparados por análise de variância (teste de tukey) considerando P<0,05. No presente experimento foi observada a ovulação em 83% dos animais avaliados. Para taxa de
ovulação, foi observada diferença estatística entre as estações do ano (ET: 67% dos
animais e ER: 100% dos animais; P=0,0042) não sendo observada, porém, diferença entre
os grupos controle e eCG (Controle: 79% dos animais e eCG 87,5%). Houve interação
(P=0,0016) entre estação do ano e tratamento, para o diâmetro do folículo ovulatório, de
modo que os animais que receberam eCG na ER (33,00 ± 2,53 mm) apresentaram menor
(P=0,0161) diâmetro folicular que os da ET (37,13 ± 1,76 mm) e menor (P=0,0193)
diâmetro folicular que os animais controle da ER (36,56 ± 2,03 mm). Com relação ao
diâmetro do CL aferido aos 13 dias após ovulação, seu diâmetro médio foi maior
(P=0,0516) nas éguas que receberam eCG na ET (26,60±4,44 mm) em comparação as
éguas que receberam eCG na ER (22,99±2,26 mm). Adicionalmente, houve tendência
(P=0,0814) para maior CL de 13 dias de animais que receberam eCG na ET
(26,60±4,44mm) em comparação aos animais que não receberam eCG (Controle) dessa
mesma estação (22,78±3,82mm). Foi observada ainda tendência estatística para regressão
luteal mais tardia (P=0,0625) nos animais que receberam eCG e se encontravam na ET
(13,99±1,63 dias) em comparação aos animais que receberam eCG e se encontravam na
ER (12,62±0,52 dias) Adicionalmente, foi observada tendência estatística (P=0,0996)
para maior quantidade de P4 aos 13 dias após a ovulação nos animais da ER (5,84 ± 0,56
ng/mL) em comparação aos animais da ET (4,29 ± 0,63 ng/mL), sugerindo maior
manutenção luteal nos animais durante o verão. A aplicação de eCG no momento da
retirada do implante de progesterona atrasou o momento da regressão luteal das éguas no
período de transição, porém, sua aplicação não se apresentou benéfica para as éguas da
estação reprodutiva.
Abstract
Hormones aiming to induce and synchronize ovulations are usually used in mares
intended for artificial insemination, donation or embryo reception. In this sense,
progesterone (P4) by various routes of administration is useful for estrus synchronization.
In cattle, the administration of equine chorionic gonadotropin (eCG) in intravaginal P4
protocols has been recommended for action on the development of anestrous cow
follicles, improving ovulatory follicle area (FO), luteo body area (CL) and pregnancy rate.
In mares, out-of-season ovulation can lead to early luteal regression (LRPR), reducing
reproductive performance. RPCL may be related to ovulation of smaller follicles and/or
deficiency in steroid secretion by FO. Although used in equine breeding in superovulation
protocols, few studies have investigated the effect of ovulation inducers (GnRH or LH)
corrected eCG on ovulatory characteristics, which could be of interest especially to mares
outside that breeding season. Our hypothesis is that ovulatory synchronization with
intravaginal P4 implantation associated with eCG may improve ovulatory follicle size
(providing higher E2 production by it) and the quality of the subsequently formed CL
(relating to higher P4 production by it). Thus, this study aims to monitor follicular
development and evaluate ovulation time, FO and CL characteristics, as well as serum E2
and P4 levels, comparing the efficacy of two intravaginal P4-based ovulation
synchronization protocols associated or not to eCG, in mares synchronized during the
transitional season and during the breeding season. Fifteen mares between 03 and 08 years
of age, crossbred, in good body condition were used. All animals were submitted to the
same hormonal protocol based on 1.9g intravaginal P4 (1,9 g; CIDR®, Zoetis, São Paulo,
Brasil) with an ovulation inducer (hCG; 1.750 UI (0,7 ml) Gonadotrofina Coriônica
Humana; i.v.; Vetecor®, Hertape, Juatuba, Brasil) during the reproductive season
(summer; period of regular cycling). Half of animals received intramuscular application
of 400 UI (2ml; i.m.; Novormon®, Zoetis, São Paulo Brasil) de eCG (eCG group) while
the other half received i.m. 2 ml of saline solution (control group). Data were compared
by analysis of variance (tukey test) considering P<0.05. In the presente experimente
ovulation was observed in 83% of the evalueted animals (ET: 67% of the animals e ER:
100% of the animals). For ovulation rate, a statistical difference was observed between
the seasons (P=0.0042), but no difference was observed between the control ande eCG
groups. (Controle: 79% dos animais e eCG 87,5%). There was still interection (P=0.0016)
between season and treatment for ovulatory follicle diameter. In relation to the animals
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that received eCG in the RE (33,00 ± 2,53 mm) they had smaller (P=0.0161) follicular
diameter than those of ET (37.13 ± 1,76 mm) and smaller (P=0,0193) follicular diameter
that the animals control the RE (36.56 ± 2,03 mm). Suggesting that the application of Ecg
negatively affected the FO diameter in mares during RE. (26,60±4,44) Regarding the 13-
day CL, its mean diameter was larger (P=0.0516) in mares that received eCG in
RE(22,99±2,26). Addittionaly, there was a trend (P=0.0814) for a higher 13-day CL of
animals receving eCG in ET (26,60±4,44) compared to animals not receiving eCG
(control) from that same season(22,78±3,82).There was also a statistical tendency for
later luteal regression (P=0.0625) in animals receiving eCG and in ET compared to
animals receiving eCG in RE. In addition, a statistical tendency (P=0.0996) was observed
for a higher amount of P4 at 13 days after ovulation in RE animals (5.84± 0.56 ng/ml)
compared to ET animals (4.29± 0.63 ng/ml), suggesting greater luteal maintenance in
animals during the summer. The application of eCG at the time of progesterone implant
withdrawal delayed the time of luteal regression of the mares in the transition period, but
its application was not beneficial to the mares of the reproductive season.
Assunto
Reprodução animal
Palavras-chave
Éguas, Reprodução, Inseminação artificial