O arquiteto como incorporador?: uma discussão sobre a atuação convencional e outras possibilidades

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Membros da banca

Roberto Eustaaquio dos Santos
Luiz Alex Silva Saraiva

Resumo

Este trabalho surge apostando na atuação empreendedora do arquiteto como uma possibilidade para o desenvolvimento de empreendimentos mais interessantes do ponto de vista arquitetônico e urbano, desvencilhados dos interesses estritamente financeiros dos incorporadores convencionais. Contudo, ao simular, por meio de uma disciplina de projetos, o processo de produção de edificações em que os arquitetos empreendem via incorporação imobiliária, introduzindo critérios econômico-financeiros à metodologia de projeto, percebeu-se uma tendência dos estudantes em balizar suas decisões de forma similar à utilizada pelos incorporadores convencionais, ou seja, pela avaliação da lucratividade esperada para o investimento. Essa tendência também é percebida no estudo de caso realizado com três empreendimentos construídos por arquitetos-incorporadores de Belo Horizonte, que embora bem intencionados, reproduzem a lógica de produção convencional, não havendo, do ponto de vista do usuário, uma melhoria substantiva em relação aos empreendimentos usualmente produzidos pelos incorporadores. Os pontos levantados levam ao questionamento da aposta no empreendedorismo como uma alternativa, sendo necessário incluir na discussão o problema que dá origem a essa reprodução acrítica de uma maneira de atuar, afeita ao modo capitalista de produção. Neste contexto, o processo de formação do arquiteto e o desenvolvimento de suas ferramentas, programa de necessidades e desenho técnico, são apresentados e discutidos, revelando seus limites práticos e o alinhamento desses com o modo de produção vigente. A partir daí o trabalho busca alternativas que transformem a prática do arquiteto, almejando não apenas alterações metodológicas, mas a mudança da própria lógica econômica, onde deve prevalecer o valor de uso dos espaços, ou economia da diversão como proposto por Henry Lefebvre, possibilitando a criação de espaços mais democráticos e abertos à participação do usuário. Ao final, apresentam-se diretrizes para um processo de trabalho com essas características, possível de ser implementado imediatamente, com relevantes benefícios para o usuário e com potencial para pressionar os incorporadores convencionais.

Abstract

This work arises with a bet on the entrepreneurial role of the architect as a possibility for the development of enterprises more interesting from architectural and urban viewpoints, disentangled from strictly financial interests of conventional developers. However, the simulation of the process of building production through a design course, in which the architects undertake via real estate development, it was noticed that by introducing economic and financial criteria to the design, the students tends to guide their decisions in a similar manner to that used by conventional developers, that is, by evaluating the profitability expected for the investment. This trend is also seen in the case study with three projects built by developer-architects of Belo Horizonte, which while well intentioned, reproduces the conventional production logic. From the user perspective, there´s no improvement over projects usually produced by conventional developers. The points raised leads to questioning the bet on entrepreneurship as an alternative, being necessary to include in the discussion the problem that gives rise to this uncritical reproduction of the capitalist mode of procution. In this context, the process of educating an architect and the development of their tools, requirement program and technical drawing, are presented and discussed, showing its practical limits and their alignment with the existing mode of production. From there, the work seeks solutions that transform the practice of the architect, aiming not just methodological changes, but the change of the economic logic, which must be based primarily on spaces use value, as suggested by the enjoyment economy proposed by Henry Lefebvre, enabling the creation of more democratic and open to user participation spaces. At the end, we present guidelines for a working process with these characteristics, that can be implemented immediately, with significant benefits to the user and with potential to put pressure on conventional developers.

Assunto

Profissões Desenvolvimento, Arquitetura Orientação profissional, Incorporação imobiliária, Projeto arquitetônico, Arquitetura Estudo e ensino, Empreendedorismo

Palavras-chave

Desenvolvimento de interfaces, Incorporação imobiliária, Metodologia de projeto, Empreendedorismo, Projeto de arquitetura

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