Associação entre disfunção autonômica esofágica e cardíaca na doença de Chagas
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tese de doutorado
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Association between esophageal and cardiac autonomic dysfunction in Chagas disease
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Resumo
A doença de Chagas (dCh) é uma doença tropical negligenciada que apresenta curso clínico bastante variável, podendo se manifestar nas formas clínicas indeterminada (FCI), cardíaca, digestiva ou, ainda, cardiodigestiva. A forma determinada mais prevalente é a cardiopatia chagásica crônica (CCC), caracterizada por disfunção ventricular progressiva e notadamente arritmias complexas e morte súbita, ligadas à disfunção autonômica, entre outros mecanismos. A dismotilidade esofágica pode ser um marcador indireto do comprometimento autonômico entérico observado na forma digestiva e pode guardar semelhanças com a CCC na progressão da dCh. Desenhou-se este estudo para avaliar a possível associação entre a denervação autonômica esofágica e cardíaca nas formas indeterminada e CCC. Sessenta e um pacientes com diagnóstico sorológico de dCh foram agrupados em FCI (28) e CCC (33), sendo 54,1% mulheres, idade média de 57 anos, todos submetidos à cintilografia esofágica, sendo registrados o tempo de trânsito esofágico (TTE) e percentual de esvaziamento esofágico (%EE). Os pacientes também foram submetidos à monitorização por Holter 24 horas (h) e os índices de variabilidade da frequência cardíaca (VFC) e carga de extrassístoles ventriculares (ESV) foram revisadas por um cardiologista experiente. A correlação entre as variáveis de TTE, %EE, VFC (SDNN - desvio-padrão da média de intervalos RR normais, HFP 3 potência de frequência alta, LFP 3 potência de frequência baixa), além do número de ESV em 24h foram analisados com software IBM SPSS 23. A fração de ejeção de ventrículo esquerdo foi menor no grupo CCC (44,0 ± 10,8 vs. 65,6 ± 5,7, p<0,001). A disfunção autonômica mostrou padrão distinto entre FCI e CCC, com menor valor de SDNN e LF/HF no grupo CCC (100,0 ± 49,9 vs.
124,4 ± 43,9, p=0,049 e 1,4 (0,9 - 2,2) vs. 4,7 (1, 7 - 9,6), p<0,001, respectivamente). O grupo CCC também apresentou maiores valores de ESV em 24h 890,0 (120,0 - 2743,0) vs. 44,5 (1,2 3 228,7), p<0,001). Houve correlação inversa e significativa entre TTE e SDNN (ß=- 0,474, p<0,001), LFP (ms²) (ß=-0,272, p=0,036), HFP (ms²) (ß=- 0,363, p=0,004) e LH/FH (ß=-0,321, p=0,012) na amostra total. Houve correlação significativa e direta entre TTE e ESV (ß=0,573, p=0,001) na amostra total. Em conclusão, indivíduos com maior dismotilidade esofágica apresentaram menores valores dos componentes oscilatórios da VFC e maior densidade arrítmica,
possivelmente como resultado de denervação cardíaca simpática e parassimpática mais grave.
Abstract
Chagas disease (Chd) is a neglected tropical disease that has a variable clinical course and can manifest in indeterminate (IF), cardiac, digestive, or cardio-digestive forms. The most prevalent determined form is chronic chagasic cardiomyopathy (CCC),
characterized by by progressive ventricular dysfunction, complex arrhythmia and sudden death, linked to autonomic dysfunction, among other mechanisms. Esophageal dysfunction may be an indirect marker of enteric autonomic impairment observed in the digestive form. We aimed to evaluate the possible association between esophageal and cardiac autonomic denervation in indeterminate and CCC forms. Sixty-one patients with a serological diagnosis of Chd were grouped into IF (28) and CCC (33), 54,1% women, mean age 57 years, submitted to esophageal scintigraphy and esophageal transit time (ETT) and percentage of esophageal emptying (%EE) were recorded. Patients also underwent 24-hour Holter monitoring and heart rate variability (HRV) indices and
ventricular extrasystole (VES) burden were reviewed by a cardiologist. The correlation between TTE, %EE, and HRV (SDNN - standard deviation of mean normal RR intervals, HFP - high-frequency power, LFP - low-frequency power), in addition to ESV in 24 hours were analyzed with IBM SPSS 23 software. The left ventricular ejection fraction was lower in the CCC group (44,0 ± 10,8 vs. 65,6 ± 5,7, p<0,001). Autonomic dysfunction showed a distinct pattern between IF and CCC, with lower SDNN andLF/HF values in the CCC group (100,0 ± 49,9 vs. 124,4 ± 43,9, p=0,049 e 1,4 (0,9 - 2,2) vs. 4,7 (1, 7 - 9,6), p<0,001, respectively). The CCM group also had higher 24h
VES values 890,0 (120,0 - 2743,0) vs. 44,5 (1,2 3 228,7), p<0,001. There was significant inverse correlation between ETT and (ß=- 0,474, p<0,001), LFP (ms²) (ß=- 0,272, p=0,036), HFP (ms²) (ß=-0,363, p=0,004) and LH/FH (ß=-0,321, p=0,012) in the
total sample. There was also a statistically significant and direct correlation between ETT and VES (ß=0,573, p=0,001) in the total sample. In conclusion, Chd patients with greater esophageal dysmotility showed a decrease in the oscillatory components of
HRV and greater arrhythmic density, possibly as a result of more severe sympathetic and parasympathetic cardiac denervation.
Assunto
Doença de Chagas, Denervação Autônoma, Transtornos da Motilidade Esofágica, Cintilografia, Frequência Cardíaca
Palavras-chave
doença de Chagas, denervação autônoma, transtornos da motilidade esofágica, Cintilografia, variabilidade da frequência cardíaca