Influência do ambiente alimentar comunitário no entorno da residência no consumo de ultraprocessados entre escolares
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Bruna Vieira de Lima Costa
Mariana Carvalho de Menezes
Mariana Carvalho de Menezes
Resumo
Introdução: O ambiente alimentar pode influenciar as escolhas de crianças e adolescentes com
potencial impacto no consumo alimentar. No entorno residencial, o acesso e o tipo de comércio
de alimentos pode ser um dos fatores associados a hábitos alimentares não saudáveis nesse
público. Objetivo: Avaliar a associação entre o ambiente alimentar comunitário residencial e o
consumo de ultraprocessados entre escolares de uma metrópole brasileira. Métodos: Foi
conduzida uma revisão sistemática com busca de artigos publicados entre 2008 e 2018 nas bases
de dados PubMed, Scopus e BVS. Adicionalmente, realizou-se um estudo transversal com
estudantes (n=708) de 9 a 10 anos das escolas municipais de Belo Horizonte/MG. Informações
socioeconômicas foram obtidas via telefone por meio de um questionário com os pais. Com as
crianças foram aplicados dois recordatórios 24h, sendo o consumo de ultraprocessados
considerado excessivo quando ≥ percentil 80 da distribuição. As medidas objetivas do ambiente
comunitário foram densidade e proximidade de estabelecimentos de venda predominante de
alimentos in natura ou minimamente processados (MP), de venda predominante de
ultraprocessados (UP) e mistos. Adicionalmente, foi avaliado o índice de estabelecimentos de
venda predominante de UP e MP. A unidade geográfica elegida foi o buffer euclidiano de 1000
metros no entorno residencial da criança. Resultados: Na revisão foram identificados 17
estudos sendo a maioria (94%) realizada em países desenvolvidos e publicados entre 2011 e
2018 (86%). Mais de 80% dos estudos apresentaram de duas a três falhas indicando limitada
qualidade metodológica. O sistema de informação geográfica foi o método predominante para
caracterizar o ambiente (94%) e quase a totalidade das publicações utilizou dados secundários
do ambiente (n=16). A maior parte dos estudos (86,4%) obteve associações nulas entre o
ambiente alimentar e consumo e alguns encontraram associações inversas ao esperado. Índices
que avaliaram de maneira conjunta os estabelecimentos de venda de alimentos e consumo
alimentar apresentaram resultados mais consistentes do que medidas isoladas. No estudo
transversal, verificou-se que crianças que residiam em locais com predominância de
estabelecimentos de venda de ultraprocessados apresentaram maiores chances de consumo
desses alimentos (OR: 2,16; IC 95%: 1.21-3.86), principalmente entre aqueles que não
estudavam integralmente (OR: 3.10; IC 95%: 1.37-7.02) e os de menor rendimento econômico
(OR: 3.09; IC 95%: 1.34-7.16). Conclusão: Foram identificadas evidências inconsistentes entre
a associação do ambiente alimentar e consumo na revisão conduzida, provavelmente pela
limitada qualidade metodológica dos estudos, denotando a necessidade de avaliações mais
robustas. No estudo transversal, houve maior chance de consumo de ultraprocessados entre os
escolares residentes em locais com predominância de estabelecimentos de venda desses
alimentos. Não estudar em tempo integral e pertencer as famílias de menor rendimento
econômico aumentou a associação ambiente e consumo alimentar. Assim, são necessárias
intervenções e políticas públicas para ampliar o acesso a estabelecimentos de venda de
alimentos saudáveis em detrimento a locais de comércio de ultraprocessados, sobretudo em
regiões mais vulneráveis, além da valorização do turno escolar estendido
Abstract
Introduction: The food environment can influence the choices of children and adolescents with
a potential impact on food consumption. In the residential environment, the access and type of
the food outlets might be one of the factors associated with unhealthy eating habits in this
public. Objective: To evaluate the association between the residential community food
environment and the consumption of ultra-processed foods among students in a Brazilian
metropolis. Methods: A systematic review was conducted with the search for articles published
between 2008 and 2018 in the PubMed, Scopus and BVS databases. Additionally, a crosssectional study was carried out with students (n = 708) aged 9 to 10 years from municipal
schools in Belo Horizonte / MG. Socioeconomic information was obtained via telephone
through a questionnaire with parents. Two 24-hour recalls were applied to the children and the
consumption of ultra-processed foods was considered excessive when ≥ 80th percentile of the
distribution. The objective measures of the community environment were density and proximity
to food outlets that sells predominantly fresh or minimally processed (MP) food, predominantly
selling ultra-processed (UP) and mixed foods. Additionally, the index of predominant UP and
MP sales outlets was assessed. The geographical unit chosen was the Euclidean buffer of 1000
meters in the child's residential surroundings.
Results: In the review, 17 studies were identified, the majority (94%) carried out in developed
countries and published between 2011 and 2018 (86%). More than 80% of the studies showed
two to three failures indicating limited methodological quality. The geographic information
system was the predominant method to characterize the environment (94%) and almost all
publications used secondary data from the environment (n = 16). Most studies (86.4%) found
zero associations between the food environment and consumption and some found associations
that were inverse to what was expected. Indexes that jointly assessed food outlets and food
consumption showed more consistent results than isolated measures. In the cross-sectional
study, it was found that children who lived in places with a predominance of ultra-processed
selling establishments had a higher chance of consuming these foods (OR: 2.16; 95% CI: 1.21-
3.86), especially among those who did not study full time (OR: 3.10; 95% CI: 1.37-7.02) and
those with lower economic income (OR: 3.09; 95% CI: 1.34-7.16). Conclusion: Inconsistent
evidence was identified between the association of the food environment and consumption in
the review conducted, probably due to the limited methodological quality of the studies,
denoting the need for more robust assessments. In the cross-sectional study, there was a greater
chance of consuming ultra-processed foods among schoolchildren living in places with a
predominance of establishments selling these foods. Not studying full-time and belonging to
low-income families increased the association between environment and food consumption.
Thus, public policies and interventions are needed to expand access to establishments selling
healthy food to the detriment of ultra-processed retail locations, especially in the most
vulnerable regions, besides the appreciation of the school shift.
Assunto
Comportamento Alimentar, Estudantes, Consumo de Alimentos, Alimentos Industrializados
Palavras-chave
Ambiente alimentar, Escolares, Consumo alimentar, Ultraprocessados.