Musas? A trajetória de vida de mulheres gestoras: interseções entre museus, lazer e gênero

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Ana Paula Guimarães Santos de Oliveira
Cáthia Alves
Denise Falcão
Maria Walkiria de Faro Coelho Guedes Cabral

Resumo

O propósito do estudo é descrever e analisar a trajetória de sete mulheres gestoras de espaços museológicos de Belo Horizonte, equipamentos do âmbito do lazer, tendo em vista sua intervenção profissional no campo, refletindo sobre desafios, resistências, potencialidades e barreiras vivenciadas na gestão, a partir da interlocução entre os estudos de gênero, a museologia e os estudos do lazer. Nesse contexto, procurei analisar questões referentes a gênero, classe social, escolaridade, composição familiar e raça no âmbito dessa atuação profissional; verificar a relação entre os desafios e as barreiras enfrentadas por elas e o panorama de atuação profissional de mulheres no contexto de Belo Horizonte; compreender o lugar do lazer em suas trajetórias e atuação profissionais; e, por fim, analisar a autopercepção das participantes em relação à gestão de mulheres nas instituições museais, refletindo sobre a questão dos marcadores sociais da diferença. A construção do entendimento do que compõe a categoria “mulher” é fundamental para entender não só a conformação da divisão sexual do trabalho, reproduzida na gestão museal, mas, também, para identificar a forma como ela se perpetua e a maneira como exclui mulheres de forma interseccional, ou seja, nas sobreposições de marcadores sociais. Portanto, ao refletir sobre mulheres, não é possível pensar que todas são incluídas ou excluídas de maneira uniforme, tendo em vista que as negras, indígenas e transexuais têm trajetórias e oportunidades distintas das vivenciadas pelas brancas, por exemplo. A bibliografia sobre gênero e museus aponta que, mesmo com a presença maciça de mulheres no campo, há uma lacuna de estudos que reflitam sobre as relações entre gênero e atuação profissional nos museus, mais especificamente sobre mulheres que ocupam cargos de liderança nessas instituições. Para a condução da pesquisa, foi delimitado um percurso metodológico que consistiu em articular a revisão de literatura com a pesquisa exploratória, a aplicação de questionários e a realização de entrevistas semiestruturadas com as participantes. Os dados coletados a partir das entrevistas e questionários foram analisados sob a perspectiva da análise de conteúdo, com a sistematização de quatro categorias de análise: escolaridade, estereótipos de gênero, maternidade e atuação profissional e, por fim, o lazer das gestoras entrevistadas. Como resultados, identifiquei que as mulheres pesquisadas têm alta escolaridade (mínimo especialização lato sensu), são majoritariamente brancas (apenas uma se autodeclarou parda), todas são cisgênero, heterossexuais e têm entre 39 e 60 anos. Constatei que as mulheres são maioria na gestão de museus belo-horizontinos, contrariando a bibliografia consultada, que indica que mulheres não acessariam, de forma contundente, níveis hierárquicos elevados. A atuação profissional na gestão é perpassada, de modo significativo, pelos estereótipos de gênero, que indicam as ditas “habilidades femininas” como pressupostos para mulheres atuarem de maneira predeterminada no campo profissional, assim como a necessidade de conciliar as demandas familiares de cuidado com as demandas profissionais, mesmo que seja necessário lançar mão de redes de apoio pagas para realização das atividades do âmbito familiar. Foi possível identificar, ainda, que a atuação em cargos de liderança impacta de maneira significativa a fruição do lazer, com fronteiras tênues entre os tempos do trabalho e do não trabalho, que têm sido influenciadas de maneira significativa pelo uso intensivo das redes sociais.

Abstract

The objective of this study is to describe and analyze the trajectory of seven women museums’ managers, which are leisure facilities in Belo Horizonte. In the light of their career in the field, the aim is to reflect on the challenges, resistances, strengths and obstacles experienced by women in management, based on the interlocution between gender studies, museology and leisure studies. Therefore, I sought to analyze issues related to gender, social class, schooling, family composition and race in the context of this professional activity; to examine the relationship between the challenges and obstacles they face regarding the female workforce in the local context; to understand the place of leisure in their careers and professional activities; and, finally, to analyze the participants' self-perception in relation to the management of women in museum institutions, reflecting on the issue concerning the social markers of difference. It was essential to build an understanding of what makes up the category of “woman” in order to not only comprehend how the sexual division of labor is reproduced in cultural management, but also to identify how it is perpetuated and how it excludes women in an intersectional way, in other words, in the overlapping of social markers. When reflecting on the subject of women, one cannot think that they are all included or excluded in a uniform way, since black, indigenous and transgender women have different trajectories and opportunities compared to white women, for example. The literature on gender and museums indicates that, despite the massive presence of women in the sector, there is a lack of studies that focus on the relationship between gender and professional activity, more specifically on the women who occupy leadership positions in the institutions. The methodological approach consisted of combining a literature review with exploratory research, questionnaires and semi-structured interviews with the female interviewees. The data collected in the interviews and questionnaires were studied through the lens of Content Analysis, with the systematization of four categories of analysis: schooling, gender stereotypes, motherhood and professional performance and, finally, the free time of the managers interviewed. As a result, I found that the women surveyed have a high level of education (at least one lato sensu specialization), the majority are white (only one self-identified as brown), all are cisgender, heterosexual and aged between 39 and 60. I noticed that women are in the majority in the management of museums in Belo Horizonte, contrary to the literature consulted, which indicated that women would not have much access to high hierarchical levels. Management performance is significantly permeated by gender stereotypes, which highlight so-called “feminine skills” as assumptions for women to act in a predetermined way in the professional field, as well as the need to reconcile family care demands with work, even if it is necessary for paid support networks to be set up to carry out family activities. It was also possible to identify that working in leadership positions has a significant impact on the use of leisure time, and that the boundaries between working time and free time are blurred and affected by the intensive use of social networks.

Assunto

Lazer, Mulheres, Museus - Administração, Museus - Aspectos sociais

Palavras-chave

Lazer, Museu, Gênero, Gestão Cultural, Divisão Sexual do Trabalho

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