Choco tem que ser visto e ouvido: um olhar ergológico sobre a atividade de abatimento de choco
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Geraldo Márcio Alves dos Santos
Mário Parreiras de Faria
Admardo Bonifácio Gomes Júnior
Cláudio Scliar
Mário Parreiras de Faria
Admardo Bonifácio Gomes Júnior
Cláudio Scliar
Resumo
Esta tese busca desvelar saberes e valores em circulação na atividade de abatimento de choco. Essa operação consiste na identificação e derrubada de rochas instáveis realizada manualmente por trabalhadores alocados em duplas, considerada uma das operações mais críticas em termos da saúde e segurança do trabalhador na mineração subterrânea. Têm-se como campo uma mineradora de pequeno porte, familiar, única no mundo a extrair, por meio de lavra subterrânea, determinado tipo de mineral. Adotou-se a Abordagem Ergológica do Trabalho que busca evidenciar a atividade humana situada oferecendo um quadro referencial que não apenas permite o encontro com a atividade, como também questiona o meio em que isso acontece por meio de um debate de normas que mobiliza saberes e os valores em circulação naquela experiência. Num primeiro momento, realizou-se entrevistas exploratórias semiestruturadas, por meio das quais obteve-se informações acerca da história pessoal/familiar e profissional de dois trabalhadores com destacada experiência no abatimento de choco, sendo possível identificar elementos que sugerem o que cada um gosta de fazer ali, porque permanece ali, como construiu sua vida e sua vida no trabalho – considerando-se, sobretudo, a indissociabilidade entre elas. Em seguida, tomou-se o método de Instrução ao Sósia como referência para a aproximação mais efetiva da atividade nessa situação de trabalho, propondo a eles a verbalização detalhada de como a realizam, tornando sua experiência acessível para
compreendê-la em seus saberes, valores e renormalizações empreendidas no seu exercício cotidiano. As instruções revelaram um fazer em um ambiente marcado por riscos como baixa luminosidade, ruído, umidade e variações do maciço rochoso, apontando para a necessidade de avançar em direção à compreensão dos saberes de prudência e em dimensões como a atenção,
memória, percepção, audição, visão, sensações corporais presentes nos gestos desses trabalhadores e fundamentais, não só para a sua segurança e de seu colega, mas também para as demais operações da mina. Para tal propósito, utilizou-se a Entrevista de Explicitação, convocando os trabalhadores a verbalizar a ação por eles empreendida, enquanto importante fonte de informação sobre a realização da atividade, buscando a descrição de seu desenrolar, tal como ela foi realizada, enquanto trabalho real. Para dar conta do trabalho prescrito, o trabalhador desenvolve no próprio corpo saberes na e pela experiência, deve estar atento aos sinais de risco, memorizá-los e evocar, a todo instante, ainda que de forma não consciente, esses saberes, a fim de sobreviver a cada entrada na mina. Em dupla, ele toma, a todo momento, micro decisões em relação ao que fazer para proteger a si e ao seu companheiro, decisões essas perpassadas por valores como confiança, solidariedade, proteção. Em seu cotidiano de trabalho, esse trabalhador é convocado a lidar com algo que não é padronizado, contingente a cada situação, agindo a partir de sua experiência, requisitada no aqui e agora. O corpo-si, essa “entidade enigmática”, está aí fortemente presente, carregada de saberes encarnados, sensoriais,
difíceis de serem verbalizados, mas acessíveis a cada vez que as variabilidades do meio subterrâneo os convocam.
Abstract
Assunto
Educação, Minas e mineração - Aspectos educacionais, Ergonomia, Segurança do trabalho- Aspectos educacionais
Palavras-chave
Abatimento de choco, Atividade, Corpo-si, Saberes, Valores
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