Ludwik Fleck e a historiografia da ciência: diagnóstico de um estilo de pensamento segundo as ciênciasda vida

dc.creatorMarcia Maria Martins Parreiras
dc.date.accessioned2019-08-10T16:39:21Z
dc.date.accessioned2025-09-08T23:34:39Z
dc.date.available2019-08-10T16:39:21Z
dc.date.issued2006-12-07
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1843/VCSA-6XTGF7
dc.languagePortuguês
dc.publisherUniversidade Federal de Minas Gerais
dc.rightsAcesso Aberto
dc.subjectEpistemologia
dc.subjectHistória
dc.subjectFleck, Ludwik, 1896-1961
dc.subjectCiência História
dc.subject.otherEpistemologia
dc.subject.otherHistória da ciência
dc.subject.otherFilosofia da ciência
dc.titleLudwik Fleck e a historiografia da ciência: diagnóstico de um estilo de pensamento segundo as ciênciasda vida
dc.typeDissertação de mestrado
local.contributor.advisor1Mauro Lucio Leitão Condé
local.contributor.referee1Jose Carlos Reis
local.contributor.referee1Francisco Angelo Coutinho
local.description.resumoA partir da análise dos principais artigos filosóficos do médico emicrobiologista polonês Ludwik Fleck e, mais especificamente, de sua principal obra, o livro Emergência e Desenvolvimento de um Fato Científico, 1935, além de investigações das particularidades do contexto em que viveu, pretende-se compreender a gênese e o desenvolvimento de suas idéias, e, em particular, discutir de que maneira sua formação no campo das Ciências da Vida interferiu sobre seu pensamentofilosófico. Além disso, é nosso objetivo estabelecer uma comparação entre a proposta de Fleck e a elaborada por Thomas Kuhn, já que os conceitos de estilo de pensamento, pensamento coletivo e pré-idéias, bem como os pressupostos fleckianos fundamentados em um entendimento evolucionário do desenvolvimento científico, parecem oferecer alternativas aos problemas encontrados pelas premissas kuhnianas de revolução científica, paradigma e incomensurabilidade. Em termos gerais, esse estudo levou-nos à compreensão de que Fleck, ao desenvolver seus trabalhos filosóficos, foi influenciado pelo ambiente interdisciplinar de sua cidade natal, Lvóv, e, ainda, pelo Círculo de Viena, num sentido de oposição, e pela Escola Polonesa de Filosofia e Medicina, num sentido de acordo. Fleck, porém, ampliou as análises desenvolvidas pela Escola Polonesa para o conhecimento em geral, sistematizando suas reflexões e propondo a chamada Epistemologia Comparativa. Concernente à formação de Fleck no campo das Ciências da Vida, ele, por assumir uma perspectiva holística em relação aofenômeno patológico e, ainda, o entendimento de que as teorias na microbiologia e na imunologia tendiam a alterar-se ao longo do tempo, desenvolveu uma teoria epistemológica tendo como ponto de vista esses pressupostos, ou seja, uma oposição ao reducionismo e à idéia de verdade imutável/fixa dos conceitos científicos. Além disso, a formação biológica de Fleck permitiu que ele desenvolvesse um olhar evolutivo sobre o desenvolvimento da ciência. Assim, seus conceitos impregnam-se de um caráter mais flexível, maleável, contrariamente ao conceito hermético kuhniano de paradigma. Além disso, a idéia de incomensurabilidade de Kuhn, que pressupõe a ausência decomunicação entre tradições distintas, bem como sua associação com a noção de revolução científica, parecem não se apresentar muito pertinentes quando se analisam diversos eventos da história da ciência, tanto do campo da medicina e biologia, quanto da física e da química. A teoria de Fleck, por ser mais plástica, maleável, parece adequar-se melhor aos eventos históricos, na medida em que o conceito de estilo de pensamento não assume um caráter hermético por completo, mas é somente ligeiramente rígido, permitindo tanto um desenvolvimento vertical do referido campo do desenvolvimento, quanto a possibilidade de sua transformação substancial. Contudo, não há ruptura, mas uma alteração gradual das teorias ao longo do tempo. Além disso, oconceito de pré-idéias fleckiano mostra tal continuidade do conhecimento, de maneira que toda estrutura de sua teoria opõe-se por completo aos problemáticos conceitos kuhnianos de paradigma, revolução científica e incomensurabilidade, constituindo-se por esse motivo, em uma proposta bastante pertinente para a historiografia da ciência, apresentando soluções onde Kuhn, apesar de reiterados esforços, parece não alcançar sucesso.
local.publisher.initialsUFMG

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