Desequilíbrio esforço-recompensa e dor musculoesquelética crônica no ELSA-Brasil musculoesquelético

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Elaine Leandro Machado
Fabiana de Miranda Moura dos Santos

Resumo

INTRODUÇÃO: A ocorrência dos distúrbios musculoesqueléticos está relacionada a diferentes demandas físicas no ambiente de trabalho e também às influências psicossociais, como o estresse gerado pelo trabalho. Entender a associação do estresse no trabalho com a ocorrência da dor musculoesquelética crônica (DMC) e seu espalhamento é importante, visto a influência que o trabalho pode representar nessa condição de saúde, que tem grande prevalência, relevância e implicações para o indivíduo e sociedade. OBJETIVO: Investigar a associação entre o estresse no trabalho, aferido pelo modelo desequilíbrio esforço-recompensa, e a dor musculoesquelética crônica em qualquer local, em múltiplos locais e dor generalizada entre trabalhadores brasileiros. MÉTODOS: Estudo transversal que utilizou dados de 2.051 participantes (servidores públicos federais) da linha de base do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto - Musculoesquelético (ELSA-Brasil MSK) (2012-2014), estudo suplementar do ELSA-Brasil. A variável resposta do presente estudo foi a DMC, definida como dor musculoesquelética nos últimos 12 meses com duração de pelo menos seis meses em pelo menos um dos seguintes locais: pescoço, ombros, parte superior das costas, cotovelos, parte inferior das costas, mãos/punhos, quadris/coxas, joelhos, tornozelos/pés. O espalhamento da DMC também foi avaliado pela presença de DMC segundo número de locais atingidos (“0”, “1-2”, “≥3 – DMC em múltiplos locais”) e número de regiões corporais atingidas (“0”, “1-2”, “3 – DMC generalizada”). As variáveis explicativas de interesse na presente análise foram as dimensões do estresse no trabalho mensuradas pelo modelo desequilíbrio esforço-recompensa: esforço, recompensa e comprometimento excessivo. Além disso, o desequilíbrio esforço-recompensa, avaliado pela razão entre esforço/recompensa, também foi utilizado. As variáveis de ajuste consideradas foram agrupadas em sociodemográficas, relacionadas ao trabalho, comportamentais e de saúde. Odds ratios (OR) e intervalo de 95% de confiança foram obtidos por regressão logística e regressão multinomial. RESULTADOS: A prevalência de DMC em qualquer local, em múltiplos locais e generalizada foi de 52,9%, 18,2% e 9,5%, respectivamente. O desequilíbrio esforço-recompensa (razão esforço/recompensa >1) foi identificado em 27,7% dos participantes. O esforço não apresentou associação com a DMC em qualquer local, já para a DMC em múltiplos locais e DMC generalizada essa associação foi encontrada. Foi observado que quanto menor a recompensa maior a frequência de DMC em qualquer local, mesmo após ajustes, bem como para a DMC em múltiplos locais. Não foi encontrada associação da recompensa com a DMC generalizada. Encontramos que o desequilíbrio esforço-recompensa não foi associado à DMC em qualquer local, contudo apresentou associação em relação ao espalhamento da DMC. Foi encontrada associação significativa entre o alto comprometimento excessivo e todos os desfechos analisados, sendo observado que associações com a DMC foram maiores quanto maior foi o espalhamento da dor. CONCLUSÃO: Encontramos no presente estudo que o estresse no trabalho, aferido pelo modelo desequilíbrio esforço-recompensa, de forma inédita, foi associado à maiores chances de DMC e maiores chances do espalhamento dessa dor. Dessa forma, é possível que melhorias nas condições e relações de trabalho sejam importantes para a redução da carga da DMC entre trabalhadores. Acreditamos que novas pesquisas, principalmente de desenho longitudinal são de fundamental importância para contribuir para a confirmação dessa associação.

Abstract

Assunto

Dor musculoesquelética, Estresse ocupacional, Fenômenos fisiológicos musculoesqueléticos, Dor crônica

Palavras-chave

Dor musculoesquelética crônica, Estresse no trabalho, Desequilíbrio esforço-recompensa, ELSA-Brasil Musculoesquelético

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