Pessoas constituindo-se como sujeitos sociais na apropriação de práticas de numeramento
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Artigo de periódico
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People building themselves as social subjects in the appropriation of numeracy practices
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Resumo
Neste texto, discutimos disposições teórico-metodológicas do Grupo de Estudos sobre Numeramento (GEN), na busca de compreender os modos como pessoas, em suas singularidades, mas como sujeitos sociais, se apropriam de práticas matemáticas, tomadas como práticas discursivas. A pesquisa, a formação docente e a atuação do GEN em contextos educativos diversos inserem-se nos campos da Educação Matemática e do Letramento, pois buscam conhecer sujeitos da Educação (crianças, adolescentes, jovens, pessoas adultas e idosas), que, vivendo em sociedades ‘grafocêntricas’ e ‘quanticratas’, movidos por intenções pragmáticas e parametrizados por referências culturais, forjam usos dos sistemas linguísticos relacionados à quantificação, mensuração, ordenação, classificação e organização de formas e espaços. A esses usos chamamos práticas de numeramento. As situações em que as identificamos – os eventos de numeramento –, em seu caráter histórico, são tomadas como unidades da análise das intenções dos usos, dos efeitos de sentido que logram produzir e, principalmente, de como sujeitos se constituem nas interações por eles mediadas, ao produzirem e tensionarem significados. Na seção ‘Compreendendo práticas matemáticas como práticas discursivas: foco, perspectiva e referenciais teórico-metodológicos do Grupo de Estudos sobre Numeramento (GEN)’: explicitamos o propósito do Programa de Pesquisa do Grupo (conhecer sujeitos e grupos sociais que protagonizam práticas de numeramento); justificamos sua base teórica (os Estudos do Letramento como Prática Social; a Pedagogia da Liberdade e da Autonomia; a compreensão da cognição como processo social; e a abordagem sociológica da Linguagem); assumimos a etnografia como lógica de investigação; e propomos a análise de interações como principal tratamento do material empírico. Apontamos também, dadas as especificidades dos sujeitos, a necessidade do diálogo com diversos campos: Educação de Pessoas Jovens, Adultas e Idosas (EJA), Sociologia da/s Infância/s; Estudos da/s Juventude/s; Educação do Campo; Educação Indígena; Educação de Pessoas Surdas; Formação Docente, entre outros. Na seção ‘Compreendendo práticas de numeramento como práticas de letramento: fertilidade analítica e pedagógica das escolhas teóricas’, esclarecemos como nossos estudos se inserem numa perspectiva Etnomatemática, porque contribuem para conhecermos os sujeitos que vemos protagonizar práticas matemáticas ao assumirem posições discursivas – portanto, sociais, culturais e políticas. Na seção ‘Compreendendo a aprendizagem matemática como apropriação de práticas de numeramento: desdobramentos da concepção de práticas matemáticas como práticas discursivas’, apresentamos como o conceito de apropriação de práticas de numeramento, de inspiração vigostskiana, usado para contemplar múltiplos sentidos das ações dos sujeitos em eventos de numeramento, disponibiliza uma ferramenta teórica para compreender a aprendizagem matemática não como experiência cognitiva individual, mas como ação social. Na seção ‘Interlocuções teóricas e disposições analíticas dos estudos mais recentes do GEN’, indicamos como uma análise tridimensional do discurso (do texto, da situação discursiva e da prática social), adotada para conhecer melhor os sujeitos e reconhecê-los como sujeitos sociais, tem-nos conduzido às considerações de Paulo Freire sobre sujeito de cultura, sujeito de conhecimento, sujeito dialógico e sujeito do processo, que compõem o sujeito histórico, protagonista de eventos de numeramento. Na ‘coda’ (‘Reiterando’), reafirmamos o foco de nossa linha de investigação no campo da Educação Matemática: pessoas constituindo-se como sujeitos sociais, enquanto se apropriam de práticas de numeramento..
Abstract
In this text, we discuss theoretical-methodological dispositions of the Numeracy Study Group (GEN), seeking to understand how people, in their singularities, but as social subjects, appropriate mathematical practices, considered as discursive practices. GEN's research, teacher training, and work in different educational contexts are inserted in the Mathematics Education and Literacy fields. They seek to know Education subjects (children, teenagers, young people, adults, and elderly people), who forge uses of linguistic systems related to quantification, measurement, ordering, classification, and organization of forms and spaces. We analyze these uses, which we call numeracy practices, considering that the subjects live in ‘graphocentric’ and ‘quanticrate’ societies, and are moved by pragmatic intentions and parameterized by cultural references. The situations in which we identify numeracy practices – the numeracy events – are historical and not simply episodical. They are taken as units ofanalysis to discuss the intentions of uses, the meaning effects they produce and, mainly, howsubjects are built in the interactions mediated by these uses, when producing and tensioningmeanings. In the section ‘Understanding mathematical practices as discursive practices:focus, perspective and theoretical-methodological references of the Numeracy Study Group(GEN)’: we explain the purpose of the Group Research Program (to know subjects and socialgroups that carry out numeracy practices); we justify its theoretical basis (Literacy Studiesas Social Practice; Freire's Pedagogy of Freedom and Autonomy; Vygotsky's understandingof cognition as a social process; and the sociological approach to Language); and we assumeethnography as the investigation logic and interaction analysis as the main treatment ofempirical material. Given the specificities of the subjects, we point out the need to dialoguewith several fields: Youth, Adult and Elderly (Basic) Education (YAE), Sociology ofChildhood(s); Studies of Youth(s); Rural Education; Indigenous Education; Deaf Education;Teacher Training, among others. In the section ‘Understanding numeracy practices asliteracy practices: analytical and pedagogical fecundity of theoretical choices’, we clarify how our studies are inserted in an Ethnomathematics perspective, because they contribute to knowing the subjects while they carry out mathematical practices by assuming discursive positions – therefore, social, cultural, and political. In the section ‘Understanding mathematical learning as appropriation of numeracy practices: developments in the conception of mathematical practices as discursive practices’, we present the concept of appropriation of numeracy practices, inspired by Vygostsky. It is used to discuss multiple meanings of the subjects' actions in numeracy events, and provides a theoretical tool to understand mathematical learning not as an individual cognitive experience but as a social action. In the section ‘Theoretical interlocutions and analytical dispositions of GEN’s most recent studies’, we indicate our use of a three-dimensional analysis of the discourse (textual, discursive and social practice) to better understand the subjects and recognize them as social subjects. This recognition led us to Paulo Freire's ideas on the subject of culture, subject of knowledge, dialogical subject, and subject of process, which make up the historical subject, protagonist of numeracy events. In the ‘coda’ (‘Reiterating’), we reaffirm the focus of our investigation agenda in the field of Mathematics Education: people building themselves as social subjects, while appropriating numeracy practices.
Assunto
Práticas discursivas, Práticas de letramento, Numeramento, Constituição de sujeitos sociais
Palavras-chave
Constituição de sujeitos sociais, Grupo de estudos sobre numeramento, Prátiicas discursivas, Práticas de letramento, Apropriação de práticas de numeramento
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