Avaliação do perfil metabólico de crianças escolares de 5 a 8 anos, nascidas pré-termo
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Resumo
Introdução: a criança nascida pré-termo e/ou pequena para a idade gestacional tem sido o
foco de estudos, muitas vezes com resultados controversos, que abordam a prematuridade
como precursora de alterações do metabolismo. Objetivo: avaliar se, em crianças nascidas pré
termo, à idade de 5 a 8 anos incompletos, a prematuridade foi determinante para a ocorrência
de distúrbios metabólicos. Métodos: estudo transversal com 60 crianças nascidas com IG
abaixo de 34 semanas e/ou peso menor que 1.500 g, excluindo-se pacientes com
comorbidades. Dados de nascimento e história perinatal foram obtidos por meio de avaliações
de prontuários. Utilizou-se questionário para coleta de informações quanto às condições de
saúde, hábitos de vida e alimentação. Foram realizadas avaliações clínicas com medidas
pôndero-estaturais, além de avaliações bioquímicas com dosagens de colesterol total e
frações, triglicérides, glicemia e insulina de jejum, além do cálculo do índice HOMA- IR. Foi
adotado nível de significância de 5% para as análises. Resultados: a amostra foi composta de
60 crianças (53,3% do sexo feminino) com 6,8 ± 0,7 anos. A maioria (85%) foi classificada
como adequada para a idade gestacional (AIG) e 15% como pequena para a idade gestacional
(PIG), segundo Lubchenco e cols. Não foram observadas diferenças significativas entre as
crianças PIG e AIG para as variáveis estudadas: perfil lipídico (colesterol total, HDL, LDL e
triglicérides), glicemia e sensibilidade insulínica, pré-hipertensão ou hipertensão arterial
sistêmica. A maior parte das crianças apresentou hábitos alimentares inadequados. À época da
avaliação, as prevalências de pré-hipertensão e de hipertensão arterial sistêmica foram de
3,3% e de 5%, respectivamente. Colesterol total > 170 mg/dL foi encontrado em 19 % dos
pacientes e HDL < 45 mg/ dl em 27,6 %, sendo que 6,7 % dos casos apresentavam LDL entre
110-129 mg/ dL. Valores de triglicérides ≥ 75 ocorreram em 38,3 % da amostra. Apenas duas
crianças apresentaram glicemia entre 100-126 mg / dL, e índice HOMA > 2,5 esteve presente
em oito crianças. Nenhuma dessas avaliações apresentou significância estatística nas
comparações feitas, inclusive ao serem comparadas crianças PIG e AIG. Significância
estatística, porém fraca, foi encontrada na correlação entre idade gestacional e níveis de
VLDL (r=0,267 e p=0,042) e entre idade gestacional e os níveis de triglicérides (r=0,265 e
p=0,040). Do total de crianças avaliadas, 8,3% estavam com sobrepeso e 8,3% obesas, sendo
que, ao serem relacionadas a IG e a ocorrência de alterações metabólicas neste grupo, foi
encontrado valor de p < 0,01 e p=0,01 para VLDL e triglicérides, respectivamente. Ainda para
o grupo com obesidade ou sobrepeso, porém somente para a avaliação quanto à ocorrência
alterações metabólicas, o índice HOMA-IR foi a única variável estatisticamente significativa
(p=0,002). Aos 3 anos, 88% das crianças atingiram o catch up para peso e 91,1% atingiram o
catch up para altura. Conclusão: o estudo não evidenciou a prematuridade como fator
determinante para a ocorrência de distúrbios metabólicos entre os 5 e 8 anos de idade
incompletos. A ocorrência de tais alterações não se apresentou mais frequente em pré-termos
PIG quando comparados aos AIG, e, aos 3 anos de idade, a população estudada já havia
adquirido peso e estatura adequados para a idade.
Abstract
Assunto
Recém-Nascido Prematuro, Metabolismo, Obesidade, Criança, Crescimento, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Pré-termo, Metabolismo, Obesidade, Crescimento, Prevalência
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