De que discurso se trata quando professores se dizem padecidos
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Leandro de Lanjonquière
Raquel Assis
André Favacho
Ana Maria Fontes
Raquel Assis
André Favacho
Ana Maria Fontes
Resumo
A presente dissertação se insere em um trabalho maior, fruto de um esforço
conjunto de escuta de professores a partir de um dispositivo clínico de análise e
intervenção junto a docentes da rede pública de educação de Belo Horizonte, que se
reconhecem padecidos mentalmente. A psicanálise foi a teoria escolhida para
nortear todo o percurso, apoiando-se em Freud, em Lacan e na produção
psicanalítica contemporânea quando de sua aplicabilidade nas práticas sociais. Por
se tratar de sujeitos tomados em suas singularidades e posições subjetivas, o
método de orientação clínica permitiu, para além da coleta do material a ser
analisado, que o objeto pesquisado fosse tratado como sujeito através de suas falas,
permeadas de contradições, conflitos e incertezas. Pretendeu-se investigar quais os
saberes que os docentes produzem sobre si mesmo e sobre as formas padecidas de
lidar com a profissão e também analisar como os professores se apropriam dos
discursos contemporâneos acerca do padecimento mental e das formas de
tratamento oferecidas ao sofrimento psíquico vivido por eles. Se os professores da
rede pública com quem tivemos se apresentaram padecidos, estressados,
angustiados, deprimidos, em crises de pânico, ansiedade, além de outras formas de
sofrimento relatadas, o que ficou em evidência em suas falas é um lugar delicado,
majoritariamente queixoso em relação com a escola. Sem desconsiderar os
problemas de estrutura de um lugar desvalorizado e desautorizado que a educação
ocupa hoje, a saúde psíquica abalada aparece como a queixa principal de muitos
que estiveram conosco. Ainda que correndo o risco da generalização, propomos
como hipótese e nos certificamos de que, mimeticamente, o discurso da histeria
seria o fio condutor das falas desses docentes. Ao nos dizer de suas formas de
padecimentos, de seus sintomas e de suas frustrações, esses professores parecem
se localizar no lugar do desejo insatisfeito, que se dirige ao Outro personificado pela
escola como aquele que deveria possuir suas respostas, mas julgados por eles
mesmos como falho de antemão. Ao mesmo tempo inflacionada em suas dimensões
e esvaziada em seu sentido, a escola figuraria como o desencadeador de uma série
de psicopatologias que lhe dizem respeito tanto quanto dizem respeito ao sujeito,
que vê na queixa uma possibilidade de apontar um furo externo, claro que não sem
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sofrimento. Nossos achados não pretendem silenciar ou desmerecer o grave estado
de padecimento que se encontram os docentes da atualidade, ao contrário, é
preciso aprofundar em suas falas e ver nelas uma possibilidade de elaboração da
atual situação. Ao propor a leitura que se fará a seguir, convém lembrar mais uma
vez o lugar privilegiado da atualidade da posição histérica para fazer valer o peso de
seu próprio discurso. E ainda que possamos dizer de um lugar de fala demandante,
é na histericização do discurso, princípio de condição primeira da clínica, que reside
a possibilidade de fazer falar, e mais ainda, de se fazer escutar.
Abstract
The present dissertation is part of a larger work, the result of a teacher listening joint
effort from a clinical device of analysis and intervention with teachers of public
schools of Belo Horizonte, which recognize themselves as mentally diseased.
Psychoanalysis was the theory chosen to guide our way, relying on Freud, Lacan
and contemporary psychoanalytical production when applied to social practices.
Because we were dealing with subjects taken into their singularities and subjective
positions, the clinical guidance method allowed, in addition to collecting the material
to be analyzed, the researched object to be treated as a subject through their
speech, permeated with contradictions, conflicts and uncertainties. It was intended to
investigate what type of knowledge teachers have produced about themselves and
about the diseased ways of dealing with the profession and also examine how
teachers appropriate the contemporary discourses about mental suffering and forms
of treatment offered to the psychological distress experienced by them. If the public
school teachers who presented themselves to us seemed diseased, anxious,
distressed, depressed, suffering from panic and anxiety attacks and other forms of
suffering, what became evident in their speech is a delicate place, mostly a
complainant relationship with the school. Without disregarding the structural
problems of a devalued and unauthorized place that education occupies today,
shaken mental health appears to be the main complaint of many of those who were
with us. Although taking the risk of generalization, we propose as a hypothesis and
certified that mimetically, the discourse of hysteria would be the conductor of the
speech of those teachers. To tell us of their forms of suffering, its symptoms and its
frustration, these teachers seem to be in a place of unsatisfied desire which is
directed to the Other personified by the school as the one that should have the
answers, although judged by them as flawed. At the same time inflated in its
dimensions and emptied in its direction, the school would figure as the trigger for a
series of psychopathologies concerning itself as much as they relate to the subject,
which sees the complaint as a chance to point out an external hole, certainly not
without suffering. Our findings are not meant to silence or discredit the serious state
of suffering in wich teachers find themselves today, on the contrary, we must go
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deeper into their speech and notice in them the possibility of elaborating the current
situation. In proposing the reading that will follow, it should be noted once again the
current privileged place of the hysterical position to bring to bear the full weight of its
own speech. And eventhough we are able to talk from a demanding speak place, it is
in hystericization of the speech, first condition to the clinical principle, that lies the
possibility of speaking, and even more, to make ourselves heard.
Assunto
Educação, Psicanálise e educação, Professores - Aspectos psicológicos, Histeria
Palavras-chave
Psicanálise e Educação, Orientação clínica, Padecimento docente, Discurso da histeria
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