“A terra do samba”: dos terreiros à rádio. Amor, tempo e lazer aquilombado nas experiências do samba em Salvador (1911–1950)
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tese de doutorado
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Resumo
A tese analisa como o samba produzido pela população negra de Salvador entre 1911 e 1950 operou como prática de (re)existência, lazer e sociabilidade sob vigilância e repressão. O problema central consiste em compreender como o samba foi narrado, controlado e silenciado por uma gramática urbana racializada, expressa na imprensa, na polícia e na legislação, e como, simultaneamente, ele sustentou modos de vida capazes de desafiar essa ordem. O corpus reúne jornais, notas policiais, editoriais, legislação e literatura, lidos por meio do paradigma indiciário, do método do não dito e da fabulação crítica, acionada para reconstruir, com rigor e marcação entre documento e interpretação, experiências que o arquivo registra de forma fragmentária ou violenta. Os resultados mostram perseguição recorrente e regimes de suspeição dirigidos ao lazer negro. Nomeio esse conjunto como necrolazer, entendido como política de controle da circulação, do som e do encontro, com efeitos cumulativos de restrição e punição. Apesar disso, as fontes também registram brechas de invenção e presença, nas quais corpo e território se tornam operadores cotidianos de liberdade. É nesse horizonte que proponho o conceito de lazer aquilombado, como formulação analítica para ler o samba como uma prática coletiva de amor comunitário, amor romântico, alegria, recomposição, convivência e criação de mundo, em que estar junto, cantar, dançar, circular e festejar constituem tecnologias de vida em meio ao cerco. Nos anos 1930, o samba passa a circular por teatros, clubes e páginas de jornal, abrindo negociações e critérios de respeitabilidade que reorganizam, sem eliminar, o conflito. Na década de 1940, o rádio amplia alcance e visibilidade e intensifica disputas de representação e processos de branqueamento simbólico, como se observa na trajetória de Assis Valente. Conclui-se que o samba funcionou como arquivo e método de leitura do urbano, reorganizando temporalidades e disputando o espaço público, ao mesmo tempo em que evidencia as tensões entre controle estatal e reinvenção comunitária do lazer na primeira metade do século XX.
Abstract
La tesis analiza cómo el samba producido por la población negra de Salvador entre 1911 y 1950 operó como práctica de (re)existencia, ocio y sociabilidad bajo vigilancia y represión. El problema central consiste en comprender de qué manera el samba fue narrado, controlado y silenciado por una gramática urbana racializada, expresada en la prensa, la policía y la legislación, y cómo, simultáneamente, sostuvo modos de vida capaces de desafiar ese orden. El corpus reúne periódicos, notas policiales, editoriales, legislación y literatura, leídos a partir del paradigma indiciario, del método de lo no dicho y de la fabulación crítica, activada para reconstruir, con rigor y con una delimitación clara entre documento e interpretación, experiencias que el archivo registra de forma fragmentaria o violenta. Los resultados muestran una persecución recurrente y regímenes de sospecha dirigidos al ocio negro. Denomino este conjunto como necro-ocio, entendido como una política de control de la circulación, del sonido y del encuentro, con efectos acumulativos de restricción y castigo. Aun así, las fuentes también registran brechas de invención y presencia, en las que cuerpo y territorio se vuelven operadores cotidianos de libertad. Es en este horizonte donde propongo el concepto de ocio aquilombado, como formulación analítica para leer el samba como práctica colectiva de amor comunitario, amor romántico, alegría, recomposición, convivencia y creación de mundo, en la que estar juntos, cantar, bailar, circular y festejar constituyen tecnologías de vida en medio del cerco. En los años 1930, el samba comienza a circular por teatros, clubes y páginas de periódicos, abriendo negociaciones y criterios de respetabilidad que reorganizan, sin eliminar, el conflicto. En la década de 1940, la radio amplía el alcance y la visibilidad e intensifica disputas de representación y procesos de blanqueamiento simbólico, como se observa en la trayectoria de Assis Valente. Se concluye que el samba funcionó como archivo y método de lectura de lo urbano, reorganizando temporalidades y disputando el espacio público, al tiempo que evidencia las tensiones entre control estatal y reinvención comunitaria del ocio en la primera mitad del siglo XX.
Assunto
Lazer - História, Lazer - Estudo e ensino, Samba - História - Salvador (BA), Negros - História - Brasil
Palavras-chave
Samba; Lazer aquilombado; População negra; Sociabilidade