" Eu sei como a vida universitária é boêmia ... se eu não tô indo é porque não tão me chamando pra ir junto" : cultura estigmatizante e ensino superior a partir das trajetórias acadêmicas de alunos com deficiência de uma instituição federal de ensino
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Autor(es)
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Fernanda Flávia Cockell Silva
Eugênia Doria Viana Cerqueira
Luciana Alves Drumond Almeida
Maria Nivalda de Carvalho Freitas
Eugênia Doria Viana Cerqueira
Luciana Alves Drumond Almeida
Maria Nivalda de Carvalho Freitas
Resumo
Este trabalho busca compreender a percepção de estudantes com deficiência de uma instituição superior de ensino quanto à experiência vivenciada ou não de uma cultura estigmatizante no ambiente universitário. Operacionalmente como objetivo secundário, vislumbramos evidenciar as trajetórias de estudantes de graduação com deficiência de uma universidade federal, investigando sua percepção acerca da educação superior como lócus ou não de representação da “normalidade”. No aporte teórico, adotamos o conceito de estigma no contexto dos Estudos Sociais da Deficiência, que criticam o postulado econômico que requer dos indivíduos contribuição ao meio de produção e ao sistema econômico e utilitário (Hunt, 1966). Nosso trabalho é de natureza qualitativa e a coleta de dados foi realizada por meio de relatos orais de pessoas com deficiência inseridas em cursos de graduação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A amostra foi integrada por estudantes em curso, egressos ou evadidos. Utilizou-se um roteiro de entrevista semiestruturado, com três eixos principais: informações pessoais, informações sobre a trajetória universitária, informações sobre o ensino fundamental e médio em comparação com o ensino superior. As entrevistas foram transcritas e submetidas a Análise Temática de Conteúdo. Como resultados, localizamos diferentes problemáticas envolvendo a vivência acadêmica dos estudantes no ambiente universitário, a saber: existência de barreiras estruturais nos campi e barreiras atitudinais quanto à interação social com a comunidade acadêmica; diferentes contextos dessas barreiras se apresentaram a depender do tipo de deficiência; prevalência de ambiente estigmatizante, sobretudo no convívio desses estudantes com docentes e outros colegas, causando àqueles um sentimento de não vivência plena do ambiente. A premissa de que esses estudantes vivenciam uma cultura estigmatizante no ambiente universitário é notória e requer que haja acompanhamento por parte dos gestores para a implementação de medidas que reduzam barreiras e propiciem a sociabilidade da comunidade acadêmica de forma plena.
Abstract
This study seeks to understand the perception of students with disabilities at a higher education institution regarding their experience, or lack thereof, of a stigmatizing culture in the university environment. Operationally, as a secondary objective, we aim to highlight the trajectories of undergraduate students with disabilities at a federal university, investigating the perception of higher education as a locus, or not, of the representation of "normality." In our theoretical framework, we adopt the concept of stigma within the context of Disability Studies, which criticizes the economic postulate that requires individuals to contribute to the means of production and the economic and utilitarian system (Hunt, 1966). Our work is qualitative in nature, and data collection was carried out through oral accounts from students enrolled in undergraduate courses at the Federal University of Minas Gerais (UFMG). At this time, the sample consisted of students currently enrolled, graduates, or dropouts. A semi-structured interview guide was used, with three main axes: personal information, information about the university trajectory of disabled students, and information about primary and secondary education. The interviews were transcribed and subjected to Thematic Content Analysis. As a result, we identified different problems involving the academic experience of disabled students in the university environment, namely: the existence of structural and attitudinal barriers regarding social interaction with the academic community; different contexts of barriers depending on the type of disability; the prevalence of a stigmatizing environment, especially in the interaction with teachers and other colleagues, causing students with disabilities to feel like they are not fully experiencing the environment. The premise that these students experience a stigmatizing culture in the university environment is evident and requires monitoring by managers to implement measures that reduce barriers and promote the full sociability of the academic community.
Assunto
Sociologia - Teses, Ensino superior - Teses, Estudantes - Teses, Deficientes - Teses, Estigma (Psicologia social) - Teses
Palavras-chave
Ensino superior, Deficiência, Trajetórias estudantis., Estigma