"O que te inquieta: ver menores de idade na cadeia ou ver menor virando poeta?" : arte de rua e cultura hip-hop pelo olhar de adolescentes e jovens em Belo Horizonte
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
"What unsettles you more: seeing minors in prison or seeing a minor became a poet?": street art and hip-hop culture through the eyes of teenagers and young people in Belo Horizonte
Primeiro orientador
Membros da banca
Alessandro Pereira dos Santos
Andréa Chicri Torga Matiassi
Andréa Chicri Torga Matiassi
Resumo
A arte de rua e a cultura hip-hop surgiram a partir da década de 1980 e introduziram
uma nova concepção sobre as periferias, subvertendo estigmas e estereótipos através
das manifestações artísticas que tecem em suas poéticas e conteúdos – uma política
feita na e para as favelas, muito presente entre adolescentes e jovens. Essa nova
concepção promoveu uma transformação simbólica a respeito daqueles que se
construíram à margem, mas que ainda sofrem as consequências de um modelo
hegemônico de centro, segregativo, racista, colonial e que rechaça aqueles que
destoam de seu ideal universalizante. Tais violências ainda são mais agravantes
quando se trata de adolescentes e jovens, em suas complexas transições. As políticas
públicas voltadas para essa faixa etária, em sua maioria, não incluem a presença das
juventudes e dos adolescentes com seus olhares, percepções e propostas. Isto é,
adolescentes e jovens não são ouvidos e não participam ativamente das políticas
voltadas para eles, o que problematiza ainda mais a precariedade deste cenário.
Diante desse contexto, fez-se necessária uma análise sobre a função da arte de rua
e da cultura hip-hop entre adolescentes e jovens no Município de Belo Horizonte. As
percepções e elaborações de saberes das juventudes e dos adolescentes foram a
base estrutural deste estudo. Assim, para atingir os objetivos propostos, utilizou-se o
método de pesquisa de natureza qualitativa, através dos grupos inventivos,
metodologia que promoveu a escuta e possibilitou a inventividade dos jovens e dos
adolescentes em suas singularidades no decorrer da pesquisa, apresentando a
legitimidade de seus relatos como elemento base. A partir da realização de um
mapeamento, pelos pesquisadores, sobre os locais em que adolescentes e jovens se
fazem presentes em Belo Horizonte, foram realizados 47 grupos inventivos, em 47
locais localizados nas 9 regionais da cidade, tais como: Escolas; CRAS; CREAS;
Ocupações; Unidades de Acolhimento Institucional; CRJ; Centro Pop Miguilim;
Unidades Socioeducativas (Internação e Semiliberdade); Janela da Escuta; Instituto
Undió, Câmara Mirim, associações comunitárias e movimentos culturais e artísticos
de rua, assim como o Duelo de MCs. Partindo dessa perspectiva, pode-se perceber,
através da coleta de dados e do estudo teórico, que a arte e cultura hip hop, assim
como a adolescência e as juventudes, não caminham por uma via interpretativa, mas
constituem-se singularmente, de um modo outro que instiga, inquieta e rompe com o
modelo universal. É então, nesse panorama, por uma via do não-todo dizível, que a
arte pode se apresentar, em diversidades que caminham em sentido oposto ao da
violência e que possibilitam, aos adolescentes e jovens, não só a resistência diante
de estigmas e violências, mas também a criação de espaços de inventividade e
legitimidade, em suas construções singulares e nos seus laços sociais.
Abstract
Street art and hip-hop culture emerged in the 1980s, introducing a new conception of
the peripheries by subverting stigmas and stereotypes through artistic expressions that
weave politics into their poetics and content—a politics created in and for the favelas,
strongly present among adolescents and young people. This new conception promoted
a symbolic transformation regarding those who have built themselves up on the
margins but still suffer the consequences of a hegemonic model centered on
segregation, racism, and colonialism, rejecting those who deviate from its
universalizing ideal. Such violence is even more severe when it involves adolescents
and young people, given their complex transitions. Public policies aimed at this age
group, for the most part, do not include the presence of youth and adolescents with
their views, perceptions, and proposals. That is, adolescents and young people are not
heard and do not actively participate in policies aimed at them, which exacerbates the
precariousness of this scenario. Given this context, it became necessary to analyze
the role of street art and hip-hop culture among adolescents and young people in the
city of Belo Horizonte. The perceptions and knowledge elaborations of youth and
adolescents were the structural basis of this study. Thus, to achieve the proposed
objectives, a qualitative research method was used through inventive groups, a
methodology that promoted listening and enabled the inventiveness of young people
and adolescents in their singularities throughout the research, presenting the
legitimacy of their reports as a fundamental element. Based on mapping carried out by
the researchers on the places where adolescents and young people are present in
Belo Horizonte, 47 inventive groups were conducted in 47 locations across the city’s 9
regions, such as: Schools; CRAS (Social Assistance Reference Centers); CREAS
(Specialized Social Assistance Reference Centers); Occupations; Institutional
Reception Units; CRJ (Youth Reference Center); homeless youngsters Unit (Centro
Pop Miguilim); Socio-Educational Units; Janela da Escuta; Instituto Undió; Câmara
Mirim (Youth Chamber); community associations, and street cultural and artistic
movements, including the Duelo de MCs (MC Battle). From this perspective, it can be
seen, through data collection and theoretical study, that art and hip hop culture, like
adolescence and youth, do not follow a single interpretive path but constitute
themselves singularly, in a way that provokes, unsettles, and breaks with the universal
model. It is then, in this panorama, through a not entirely expressible path, that art can
present itself, in diversities that move in the opposite direction of violence, allowing
adolescents and young people not only to resist stigmas and violence but also to create
spaces of inventiveness and legitimacy in their unique constructions and social bonds.
Assunto
Arte, Cultura Popular, Racismo, Adolescente, Psicanálise, Feminino, Lógica, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
arte, hip-hop, cultura, periferia, racismo, segregação, adolescência, juventudes, feminino, psicanálise