Raça/cor da pele, discriminação racial e obesidade entre adultos do ELSA-Brasil

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Resumo

Estudos norte-americanos demonstram que a raça/cor da pele e a exposição à discriminação racial são potenciais fatores de risco para o ganho de peso corporal e desenvolvimento da obesidade. Devido a isso, os objetivos desta dissertação foram: 1) investigar a associação da discriminação racial com o aumento do peso corporal e do Índice de Massa Corporal (IMC) entre pretos e pardos (Artigo 1); 2) investigar se a raça/cor da pele e a discriminação racial estão associadas à incidência de obesidade; (Artigo 2); e 3) verificar se a associação entre a raça/cor da pele e a discriminação racial com a incidência de obesidade é modificado pela escolaridade (Artigo 2). Foram utilizados dados de peso e índice de massa corporal (IMC) obtidos na 1ª visita (2008-2010) e na 2ª visita (2012-2014) do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil). A raça/cor da pele autorreferida, a exposição à discriminação racial e as covariáveis foram aferidas na 1ª visita. Para verificar a associação entre a discriminação racial e aumento de peso corporal ao longo do tempo entre indivíduos pretos e pardos (N=5.983), utilizamos modelos de regressão de efeitos mistos estratificados pela raça/cor da pele. Já para verificar se raça/cor da pele e a discriminação racial estão associadas à incidência de obesidade em brancos, pretos e pardos (N=10.130), utilizamos modelos de regressão logística estratificados pela escolaridade. Indivíduos pretos que reportaram discriminação racial tiveram um aumento de peso e de IMC maior e mais acelerado ao longo do tempo quando comparados aos que não reportaram discriminação racial em ambos os sexos. A incidência de obesidade em 4 anos de seguimento foi maior em pretos e pardos do que em brancos (11,3%, 8,5 e 7,4% respectivamente). A raça/cor da pele preta foi associada ao maior risco de obesidade apenas entre os indivíduos de maior escolaridade (OR: 2,22, IC: 1,62 a 3,04). A exposição à discriminação racial foi associada ao maior risco de obesidade apenas em indivíduos pretos de baixa escolaridade (OR: 1,64, IC: 1,08 a 2,51). Não houve associação entre a raça/cor da pele e a discriminação racial com a incidência de obesidade entre pardos. Nossos achados sugerem que a raça/cor da pele e a discriminação racial podem predizer um maior ganho de peso corporal e um maior risco de obesidade, reforçando as evidências já existentes sobre a associação entre a raça/cor da pele e a discriminação racial com desfechos relacionados à obesidade. Além disso, nossos resultados sugerem que a associação entre a raça/cor da pele e a discriminação racial são modificadas pela escolaridade em direções distintas. Tais resultados podem embasar políticas públicas voltadas para a redução das desigualdades raciais em saúde.

Abstract

Assunto

Racismo, Obesidade, Ganho de peso, Estudos longitudinais, Peso corporal, Saúde do adulto, Dissertação Acadêmica

Palavras-chave

Racismo, Desigualdades raciais em saúde, Obesidade, Ganho de peso, Estudos longitudinais, ELSA-Brasil

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